Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Cannes 2015

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, famoso trecho do livro infanto-juvenil francês “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry (publicada em 1943 nos Estados Unidos), é sobre as parábolas metafóricas, poéticas e altamente filosóficas dos sentimentos e questionamentos do mundo o qual habitamos, e que se transforma em filme em nova versão de gênero animação nas mãos do americano Mark Osborne (de “Hop – Rebelde Sem Páscoa”). A história busca ser contada pela “permissividade” da liberdade “surreal” da imaginação de uma criança que está descobrindo os mistérios “adultos” da vida, e aqui é o pano de fundo referencial para aprofundar uma mãe (voz da atriz Raquel McAdams) que “planeja” o futuro da filha (voz de Mackenzie Foy – de ser aprovada em uma escola conceituada) como se fosse a dela, inserindo a garota em apertados e rígidos prazos e afazeres sistemáticos e organizados do estudo diário, tendo que assim mitigar ou reduzir drasticamente a quase zero a diversão das brincadeiras típicas da infância. O conflito acontece quando um “velho” (o aviador – voz do ator Jeff Bridges), adjetivado como “lunático” “assalta” os sonhos da menina, estimulando sua imaginação e curiosidade pela “parte boa da vida”. O senhor apresenta a ela a história de um pequeno príncipe (Paul Rudd) que vive em um asteróide com sua rosa (Marion Cotillard) e, um dia, encontrou um aviador perdido no deserto em plena Terra e que tem três vulcões (um deles está extinto), e que assistiu a quarenta e três pôr-do-sol para se divertir ou quando está triste. Aos poucos, a impulsividade da jovem faz com que “viaje” em uma aventura de redenção, de trazer a simplicidade do passado ao presente demasiadamente complexo, de possibilitar que a alienação “durma” e que os sonhos sejam acordados (personificado na figura oportunista e egoísta de um “empresário” que “rouba” felicidades. A narrativa utiliza-se da tenacidade, da emoção realista e da utopia de não deixar nunca a esperança “fugir”. A A história “ficcional” da ficção começa quando o personagem principal fala sobre um desenho que ele fez quando tinha 6 anos de idade e que tratava de uma jiboia que engoliu um elefante, mas todos os adultos acharam que o garoto havia desenhado um chapéu. O personagem principal renunciou ao seis anos de idade a carreira de ser pintor, e se tornou piloto. E voando, teve uma pane no seu avião no “Deserto do Saara”. Tentando consertar seu avião, adormece… É acordado por um menino que o autor define que tem “cabelos de ouro” e que lhe pede para desenhar um carneiro. E ainda tem a raposa (dublado pelo ator James franco). “O Pequeno Príncipe” mescla aventura, emoção, realismo, esperança, auto-ajuda, medos projetados, perdas, abandonos, liberdades, resignação defensiva, enfim, tem tudo e muito mais, e conduz o espectador pela própria memória afetiva onírica que cada ser humano perde a cada desilusão, problema e ou covardia (estimulada ou não). É inevitável não referenciarmos à ilusão de Peter Pan – lugar “protegido” dos “endurecimentos” naturais do amadurecimento. Para-se de sentir. De acreditar. De vislumbrar incondicionalmente a fé nas pessoas e nas coisas. A mensagem do longa-metragem é clara e sem rodeios: “conserve” aquilo que “cativou” e não esqueça a verdadeira essência. Assistido durante o Festival de Cannes 2015. Recomendado.

Realizada inicialmente em 23/05/2015 e complementada em 16/08/2015.

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