Por Fabricio Duque 

“Na Próxima, Acerto No Coração” é dirigido pelo francês Cédric Anger, que por coincidência ou não, tem o sobrenome traduzido por “raiva”, utiliza-se recorrentemente ao tema violência-assassinato, visto seus filmes anteriores “Le Tueur” (na direção) e “O Pequeno Tenente”, de Xavier Beauvoir (como roteirista colaborador). Aqui, a narrativa busca mesclar a atmosfera do diretor Denis Villeneuve (de “Os Suspeitos”) com Antonio Campos (de “Simon Killer”), sem esquecer, logicamente, de “Psicopata Americano”, de Mary Harron. O longa-metragem, exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2015, baseado na história do serial killer francês Alain Lamare (interpretado pelo ator Guillaume Canet), que vive um vida dupla, ambientada no ano de 1978, em Oise, na França. Um guarda policial que, nos dias de folga assassina jovens mulheres a quem dá carona. Pois é. Um roteiro previsivelmente promissor, se não fosse a obsessão do diretor de querer “mastigar” a história para o público, utilizando-se de gatilhos comuns narrativos a fim de deixar explícito o que já estava ultra mega palatável. Detalhes “perceptíveis” tentam “desenhar” pistas, como a “estranheza” do protagonista perante à família e sua “empregada”, como o olhar às notícias dos crimes sem solução, e ou as voltas “no mesmo lugar”, soando perdidas e desencontradas, para o “grand finale”. Não podemos mitigar os pontos positivos, que estão presentes em seu desenvolvimento, muito pela presença competente do ator principal, que “segura” o filme – um típico gênero de ator – nas costas. Literalmente ao buscar autopunições à moda Opus Dei (uma forma deturpada de “libertar” suas normas de conduta). Por incrível que pareça, não está se contando nenhuma surpresa e ou spoiler, visto que desde a primeira cena (quase um “Drive” nostálgico), já se conhece a identidade do “perturbado”, que vez ou outra indica misoginia, homossexualidade, e ou o próprio instinto psicopata de ser. Outra maestria é sua edição, causando suspense no espectador, que de maneira inescrupulosa, torce para quem deveria estar preso. Até porque há um árduo e inesgotável trabalho de dentro para fora, personificando um doentio lado psicológico. Se pudermos trocar em miúdos, então poderemos defini-lo com a máxima “menos é mais”, e aqui tem “barriga”, gordura e minhocas demais. Um bom filme, mas não um grande exemplo da nova cinematografia francesa, que cada vez “afunda” mais os pés na estrutura comercial hollywoodiana. Nada contra. Só não é muito compatível essa combinação, gerando falsos remakes de filmes que usam e abusam de temas já consumidos e ofertados.

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