Por Fabricio Duque
Se tem uma coisa que o Vertentes do Cinema observa é as percepções do local visitado. Aqui, em Fortaleza, no Ceará, não poderia ser diferente. O grande charme é “colecionar” curiosidades idiossincráticas das pessoas que vivenciam este Festival de Cinema. 
Desde o humor característico (e palco de grandes comediantes como Tom Cavalcante, Falcão) até as “influências praianas” de se “transportar” por skates e do figurino de chinelo com calça comprida (talvez pela praticidade de se “consumir” a praia antes do “trabalho”. 
O CINE CEARÁ 2015 está sendo considerado como uma das melhores edições, não só por sua curadoria (escolha dos filmes e eventos), tampouco só pela Mostra do Novo Cinema Cinema Espanhol, mas sim, por conjugar qualidade, gênero independente e que se equilibram no tema da exposição (fisicamente e em sua temática). 
A noite de abertura da edição 25 (o Jubileu de Prata) do CINE CEARÁ homenageou a atriz “helloo” (entenda o porquê no vídeo exclusivo do nosso site), de 32 anos, Leandra Leal; serviu de estímulo crítico ao futuro de novas realizações de filmes (pela carta dos Cineastas lida por Halder Gomes. A mostra seguiu com outras homenagens ao cineasta Vladimir Carvalho (aguarde o vídeo no nosso site), além de exibições de quarenta curtas-metragens e vinte longas-metragens. 
A premiação ao Troféu MUCURIPE acontece hoje (dia 24/06), e o Melhor Longa-Metragem receberá ainda Dez mil dólares, além dos prêmios especiais do Canal Brasil; BNB; Olhar Universitário; Troféu Oscarito – com o intuito de enaltecer o cinema nordestino; Prêmio Vila das Artes; Casa Amarela Eusébio Oliveira; e Mistika.

A Cerimônia de Encerramento conta ainda com uma Homenagem ao cineasta Cacá Digeres, nascido em Maceió, além do novo filme da Alumbramento Filmes, “Medo do Escuro”, com uma orquestra ao vivo. 

A Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-Metragem é composta por nove filmes. Em ordem alfabética aqui na listagem temos: 
– O cubano “A OBRA DO SÉCULO”, de Carlos Machado Quintela, e que contou com a presença do fotógrafo húngaro-boliviano Marcos Attila (que representou a película e se tornou figura carismática, simpática e presente nos debates dos filmes) e também pela música “Don’t Cry”, de Axl Rose na versão de Porno Para Ricardo. 
– “CAVALO DINHEIRO” (leia a crítica aqui) e que contou com a presença do fotógrafo Leornardo Simões (e que também realizou uma Masterclass sobre seu processo de criação – AGUARDE no Vertentes do Cinema o vídeo na íntegra). 
– “CORDILHEIRAS DO MAR: A FÚRIA DO FOGO BÁRBARO” é um documentário jornalístico sobre Glauber Rocha, com menos cinema e mais político, do jornalista Geneton Moraes Neto. Inevitável que o tema não crie polêmico, tanto que a coletiva de imprensa quase “virou” uma continuação “Cordilheiras do Mar – A Revanche”. 
– “CRUMBS”, o último filme exibido na competição, do espanhol Miguel Llansó, é filmado na Etiópia, e representa uma ficção científica a moda de Macunaíma, partindo do princípio de um mundo pós apocalíptico (que as únicas referências encontradas são do universo pop – Justin Bieber, Michael Jackson, Papai Noel, Superman), cria a metáfora do medo do futuro (do filho que irá nascer). Pena que é tosco, perdido, desengonçado. Durante todo o filme. 
– “JAUJA”, de Lisandro Alonso, representa a narrativa da paisagem (leia a crítica no Vertentes do Cinema e confira também a Masterclass que o diretor realizou na mostra – aguarde o vídeo da coletiva de imprensa). 
– “LOREAK”, de Jon Garaño e José Mari Goenaga, representa a identidade do povo basco (incluindo sua língua). Leia a crítica Aqui! 
– O peruano “NN”, de Héctor Gálvez. Confira a crítica Aqui! 
– “O CLUBE”, de Pablo Larraín, do Chile, é o favorito ao prêmio. Leia Aqui a crítica! 
– “REAL BELEZA”, de Jorge Furtado, resolve tratar sobre o tema da beleza real (natural), mas “encaminha” sua narrativa (propositalmente) ao gênero novela, mitigando seu humor característico e “experimentando” um novo estilo: “um filme de amor”. 
Na categoria da MOSTRA COMPETITIVA BRASILEIRA DE CURTA-METRAGEM, os filmes, basicamente, se “equilibraram” pela temática da exposição pessoal, quase “documentos” visuais a moda de um “Big Brother”. 
“A FELICIDADE CHEGA AOS 40”, do goiano Daniel Nolasco, cria a metáfora existencialista da auto-ajuda para traduzir que a felicidade está em se desprender das coisas. 
“ACTION PAINTING NÚMERO 1 e NÚMERO 2”, do paranaense Krefer, explora ao máximo a exposição ao abordar sem som sado-masoquismos durante o ato sexual, explicitamente referenciado ao cineasta experimental de Stan Brakhage. 
“AVENIDA PRESIDENTE KENNEDY”, documentário pernambucano de Adalberto Oliveira, aborda uma visão crítica-social, entre idas e vindas, sobre a avenida homônima do titulo. 

“CENÁRIO”, dos cearenses Carol Veras, Felipe Gurgel, Mariana Lage e Régis Cunha, utiliza-se de imagens de arquivos de uma família para construir que “tudo que é bom dura o tempo suficiente para se tornar inesquecível”. 
“CHOCLO”, do paulista Caetano Gotardo, talvez seja o curta de maior exposição, visto que se configura como uma poética-coloquial carta de amor humanizada e idiossincrática a seu namorado Gustavo Vinagre. 
“COMO SÃO CRUÉIS OS PÁSSAROS DA ALVORADA”, do mineiro João Toledo, e aborda a insatisfação e o limite da própria existência de um jovem que “sobrevive” a vazios, tédios, pressões, tristezas de um mundo moderno, pela resignação passiva de uma auto revolução silenciosa e “perdida”. 
“FEIO, VELHO E RUIM”, do baiano Marcus Curvello. De uma selfie, os questionamentos de sua existência na contemporaneidade.
 
“A HISTÓRIA DE ABRAIM”, do paraibano Otavio Cury, utiliza-se da câmera estática a fim de paralisar o tempo, transportando o espectador à espera, calma e simplicidade para que possa absorver, de forma participativa-passiva, as histórias curiosas e únicas de Abraim. Um pequeno grande filme. 
“KYOTO”, da paulista Deborah Viegas, apresenta sua ficção, meio autobiográfica, sobre uma criança que possui um tempo particular, mas precisa ser “podada” pela velocidade “padronizada” do mundo (e da escola – corroborada pela família quase ausente). 
“MICRO-MACRO”, é do cearense Diego Akel, que resolve experimentar novas lentes macro de uma câmera. 
“MIRAGEM”, da cearense Virgínia Pinho, gerou curiosidades no público e imprensa por ter “comprado” álbuns de uma família por quinze reais, talvez poderosa, em uma feira de antiguidades da Praça XV do Rio de Janeiro. A trama é sobre Antönio que viajou e sente saudades de casa. Recomendado. 
“MURIEL”, da cearense Vanessa Cavalcante, aborda a vida de um garoto que resolve arrumar uma namorada por um trash programa de televisão. Destaque para o pôster Doida Demais com Vera Fisher na parede de seu quarto. 
“NUA POR DENTRO DO COURO”, do paraense Lucas Sá, corrobora o estilo de seu diretor que se utiliza da violência e loucura – principalmente na cena que a atriz Gilda Nomacce “entrega-se” ao surto psicótico da esquizofrenia psicopata de um existencialismo personificado no sobrenaural. É explicitamente baseado no filme “Possessão”, de Neil LaBute. 
“O LUGAR MAIS FRIO DO RIO”, do carioca Madiano Marcheti, aborda a vida “atribulada”-apressada de jovens descobrindo possibilidades de amor em tempos de internet. A edição ágil, de estrutura videoclipe, mas sem correr, ambienta de forma sinestésica toda uma antropologia social dos jovens atuais. 
“QUINTAL”, do mineiro André Novais Oliveira, que sempre utiliza sua família como atores de seus filmes, aqui não poderia ser diferente, mas modifica o gênero, imprimindo uma estética de ficção cientifica, fazendo inclusive sua mãe quase voar e seu pai assistir pornô. Divertidíssimo. 
“VIRGINDADE”, do pernambucano Chico Lacerda, utiliza na narrativa uma linguagem de memória afetiva humanizada e coloquial de seu diretor, contando como seus primeiros desejos foram aflorados. 
PRÊMIO VERTENTES DO CINEMA DE MELHOR CURTA-METRAGEM: “A HISTÓRIA DE ABRAIM”, de Otavio Cury. 
PRÊMIO VERTENTES DO CINEMA DE MELHOR LONGA-METRAGEM:
“O CLUBE”, DE Pablo Larraín. 
PRÊMIO VERTENTES DO CINEMA DE MELHOR DIREÇÃO:
Pablo Larraín, de “O CLUBE”. 
PRÊMIO VERTENTES DO CINEMA DE MELHOR FOTOGRAFIA:
“JAUJA”, de Lisandro Alonso 
PRÊMIO VERTENTES DO CINEMA DE MELHOR EDIÇÃO:
“CAVALO DINHEIRO”, de Pedro Costa 
PRÊMIO VERTENTES DO CINEMA DE MELHOR ROTEIRO:
“O CLUBE”, de Pablo Larraín 
PRÊMIO ESPECIAL DO VERTENTES DO CINEMA:
“COSTA DA MORTE”, do espanhol Lois Patiño 
PRÊMIO FRAMBOESA DO VERTENTES DO CINEMA:
“CRUMBS”, de Miguel Llansó

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