Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Cannes 2015
Realizada inicialmente em 21/05/2015 e 
complementada em 27/05/2015

“Youth”, novo filme de Paolo Sorrentino (de “A Grande Beleza”), é um desbunde maravilhoso, e corrobora sua maestria de abordar filosofia existencialista com realismo fantástico. As epifanias surrealistas com tom Kitsch são poesias visuais, fotografias de arte. A narrativa, falada em inglês, é pautada em diálogos-picardias irônicos,  perceptivos, perspicazes, livres de tabus e “podações”, críticos, adjetivados, julgadores, resignados e resilientes. O “mestre” sabe conduzir, com total controle, o drama, a terapia cognitiva, e a libertação ao “mesclar” velhice e juventude em um Hotel Spa na Suíça (jovens que cuidam dos velhos e que “fornecem” – fazendo a vida deles acontecer – um utópico elixir à moda de “Cocoon”, de Ron Howard – por projetar neles quereres-introspectivos estéticos de uma alma nostálgica e possível de ser revisitada). É um filme de momentos e cada frame uma obra-prima. As picardias questionam sem limites o universo mundano: a futilidade, inteligência, escolhas, televisão, cinema, música… Incluindo piadas sobre o próprio Festival de Cannes (não tem como não amar), clipe musical de artista pop e Maradona. Michael Caine é a “vítima” da vez. O diretor cria uma das cenas mais incríveis quando coloca Jane Fonda e Harvey Keitel para “lavar a roupa suja”. É uma fábula-ópera musical (com direito até “You got the love”, versão de The Retrosettes da banda original Florence and the Machine) madura, sensível e incrivelmente deliciosa. “A Monarquia é atraente porque é como o casamento”, diz-se pululando reflexões sobre passado vivido, presente pacato e futuro “atual” incerto, perpassando por uma estrutura musical meio Sigur Rós de ser. Animais são regidos, choros tornam-se protagonistas desta ópera, “prostitutas popstar”, hábitos alheios são observados com verdade por esses “antigos”, vidas são “apostadas”, confrontam comportamentos elegantes e ogros, emoções são “superestimadas”, a “caricatura de Hitler”, críticas são alfinetadas a clipes de uma cantora pop. É um estudo de antropologia-intimidade por retratar a espontaneidade e as máscaras sociais perante o outro do “longe (visto) – o passado – o cinema” e do “próximo – o futuro – a televisão”, ora por lunetas. “Emoções, tudo que nós temos”, finaliza-se. Altamente recomendado. 

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