Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Cannes 2015

“Nie Yinniang (The Assassin)”, de Hou Hsiao-Hsien (de “Café Lumière”), da mostra competitiva oficial, e vencedor na categoria de Melhor Direção, conduz-se plenamente por uma fotografia exuberante. Cada frame é uma pintura estilizada ao brilho lo-fi, tanto monocromático, quanto excessivamente colorido (o desenvolvimento) por ângulos de câmera não convencionais que criam a sensação de subjetividade observadora do espectador. O preâmbulo em tela quadrada e em preto-e-branco ajuda a corroborar a maestria técnica. A trama utiliza-se da estrutura do teatro clássico chinês (muito parecido com Peter Greenaway) com naturalidade cotiana e planos longos. Até a passagem de tempo é pelo fade tradicional. É poesia visual, por cores, cortinas, sombras, desfoques e imagens refletidas. Há tradições, artes marciais, vingança, princípios e até sequências estilo “Tigre e o Dragão”. São instantes, detalhes, sutilezas, silêncios, com a presença da música incidental, de catarse econômica (um bumbo intermitente). As próprias histórias são contadas, em figurinos estéticos e típicos. A cena da dança é uma das mais lindas da história do cinema. Está menos para Zhang Yimou e mais para ancestralidade espírita que respeita o tempo das emoções. Um filme de dentro para fora. De uma nostalgia modernista impressionante. 
Realizada inicialmente em 21/05/2015 e complementada em 27/05/2015.

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