Por Fabricio Duque

“Quando Cai a Noite em Bucareste
ou Metabolismo”, novo filme do diretor Corneliu Porumboiu (de “À Leste de
Bucareste”, “Polícia, Adjetivo”), corrobora a estrutura do Cinema Romeno atual,
que se comporta buscando o “conteúdo” por detalhes realistas das ações
cotidianas, mitigando “clichês”, omitindo a trilha sonora incidental e
questionando o mundo por observações subjetivas – quase por arquétipos. Aqui, a
narrativa metalinguística de apenas dezoito planos sequenciais em oitenta e
seis minutos (na maioria das vezes com câmera estática), construindo assim o tempo
e a imersão do espectador, aborda o cinema, a nudez fundamentada (“Roupas com
armadura”), argumentos projetados do futuro de se assistir filmes, películas
versus digital (“Não se pode filmar mais de onze minutos de uma só vez no
35mm”, “É uma película limitada”, “Esse limite fez a forma de se pensar o
mundo”, “No digital, o limite é maior”), o “universo” de uma produtora (que
precisa “provar” uma falta trabalhista com uma “endoscopia”, que por sinal nós também
podemos “observar”), ensaios técnicos. Enfim, todo os bastidores do processo de
produção. É o simbolismo paralelo do “aprender a ter limite”. Não há mais
limites. Apenas a pressa. Isso fica claro na cena em que o diretor-roteirista e
sua atriz (que está tendo “dormindo” com ele) encontram-se no restaurante e
quando o desconhecimento dela sobre um diretor italiano “muito conhecido” é
exposto, uma pergunta é feita de forma “pasma” e com um riso de deboche
nervoso. “Você não conhece Antonioni?”. Ela responde “Não”. Ele: “Os filmes são
importantes para a história do cinema”. Ela: “Vou vê-los” (diz com desinteresse
– mostrando mais exterior que interior). Assim, ele sabe que ela é apenas um
“aproveitamento” líquido e momentâneo, aceitando a pluralidade dos desejos
libertários (do universo de Federico Fellini) em “encontrar” um “semelhante”. O
longa-metragem é “lapidado” por instantes, por sutilezas, naturalidades e
“raciocínios” metafóricos por embates criativos, quase parábolas. Aspereza
versus elegância. Conhecimento (“chinês”) versus superficialidade (“europeu”).
“Gosto se educa”, diz-se. “Quando Cai a Noite em Bucareste ou Metabolismo” é
simples, sem ser simplista. Pelo contrário, prefere-se a complexidade
“palatável”, sem ilusões visuais, quase um exemplo de Dogma 95 (movimento
dinamarquês dos cineastas Thomas Vinterberg e Lars Von Trier). Concluindo,
tenta-se capturar a essência (clássica e contemplativa) de se assistir a um
filme, sem deixar de “fundamentar” nada. Tudo aqui tem sentido, necessidade,
objetivo e clareza para conduzir o espectador à “magia” da sétima arte pela
própria sétima arte. Recomendado. 

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