Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Toronto

Em “Dois Dias, Uma Noite”, o mais
recente filme dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne Dardenne. Os
cineastas “das antigas” possuem controle total da câmera, que acompanha sem
pressa, mas também sem lentidão, querendo apenas retratar a naturalidade das
ações dos personagens. Com fotografia iluminada, solar e de depressão
esperançosa, o filme objetiva funcionar como uma crítica à “máfia” do
sistema de empregos na Bélgica. É incrível como a atenção do espectador é
“presa” desde a primeira cena. Não conseguimos piscar os olhos. É
verborragia visual e de tensão sinestésica. Outra característica é que os diretores
“obrigam” seus atores a uma responsabilidade total. É como se falassem “Se
vira aí”. A “cobaia” da vez foi Marion Cotillard, que não
convence no choro, na ansiedade do seu objetivo e na agitação
“descontrolada”, gerando no espectador a sensação de artificialidade.
Talvez por ter começado já no “meio” do drama, explicando com
“doses homeopáticas” a trama e tentando a cumplicidade da audiência
em relação às consequências. É uma pena. Marion definitivamente não conseguiu
“encarnar” o papel. Talvez por ter “seguido” o roteiro sem
improvisar (regra clara dos diretores “sorridentes” – em apresentação
do filme no Festival de Toronto). 

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