A 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes começa nesta sexta-feira, dia 23 de janeiro e segue na cidade histórica mineira até o próximo dia 31. Exibe 128 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mundiais (37 longas e 91 curtas), em 59 sessões de cinema e reúne mais de 500 profissionais do audiovisual e um publico estimado em mais de 30 mil pessoas para participar da programação intensa e gratuita que acontece em três espaços da cidade – Largo das Fôrras que recebe a instalação do Cine BNDES na Praça, no Largo da Rodoviária que sedia o Cine-Tenda (600 lugares) e no Sesi Tiradentes – Centro Cultural Yves Alves, que recebe a sede o evento e oferece um espaço de exibição, o Cine-Teatro Sesi.

A abertura da Mostra será a partir das 21h, no Cine-Tenda, com homenagem à atriz paraense Dira Paes, seguida da exibição do filme inédito “Órfãos do Eldorado”, direção de Guilherme Coelho e é protagonizado pela homenageada, ao lado do ator mineiro Daniel Oliveira. 

Ao longo da semana, dois longas marcantes na trajetória de Dira ganham exibições no evento “Corisco e Dadá” (1996), de Rosemberg Cariry, e “Amarelo Manga” (2001), de Cláudio Assis. Um debate, com a presença dela e dos diretores, vai discutir a importância e a presença da atriz nos últimos 30 anos do cinema brasileiro.

A temática deste ano propõe uma reflexão sobre o momento atual do cinema contemporâneo e pergunta: “Qual o lugar do cinema hoje?”. Em tempos de novas e infindáveis tecnologias, quando distrações das mais variadas e elaboradas dominam a atenção das pessoas em meio a câmeras e aparatos de todo tipo e uma infinidade de possibilidades de visão e registro, como inserir uma produção mais autoral e exigente, que dependa de atenção e entrega, sendo distinta dos verdadeiros parques temáticos que se tornaram as grandes produções atuais exibidas em cinemas de shopping centers? 

“A Mostra de Tiradentes respira esse momento de ênfases, mais que de sutilezas, e coloca essa contingência de um cinema no qual a autoralidade dos criadores passa distante dos sensacionalismos estéticos a que tanto assistimos”, comenta o curador Cléber Eduardo.

O 18º Seminário do Cinema Brasileiro: Ideias e Perspectivas reunirá 78 profissionais no centro das discussões de 27 debates para refletir o momento atual do cinema brasileiro, em 3 painéis com foco no mercado audiovisual brasileiro e internacional, 20 bate-papos da série Encontro com a Crítica, o Diretor e o Público e 3 mesas de debate conceituais. 

Haverá ainda importantes presenças internacionais, uma delas sendo a alemã Marika Kozlovzka, consultora de mercados internacionais do programa Cinema do Brasil. Ela vai ministrar um workshop sobre oportunidades para o cinema brasileiro no mercado internacional e estará na mesa “Diálogo entre Culturas”, ao lado de Aurelie Godet (Festival de Cinema de Locarno – Suíça) e Eduardo Valente (assessor internacional da Ancine), com mediação de Pedro Butcher.

O crítico e professor francês Charles Tesson, representante da Semana da Crítica, mostra paralela do Festival de Cannes, e Amaia Serrulla, programadora do Festival de Cinema de San Sebastian – Espanha, completam as presenças internacionais na Mostra. 

A seleção de longas apresenta 37 filmes, nas mostras Aurora, Homenagem, Transições, Autorias, Sui Generis, Praça, Bendita e Mostrinha, uma sessão Cine-Debate e a sessão de encerramento, com o mineiro “Ela Volta na Quinta”, de André Novais Oliveira. “A dinâmica dramática e narrativa do deslocamento de corpos tem sido recorrente no cinema brasileiro recente, em produções menos ou mais independentes, menos ou mais caras, menos ou mais convencionais”, destaca o curador Cléber Eduardo.

Duas das seções de longas terão caráter competitivo. Na Mostra Aurora, dedicada a filmes independentes de diretores com até três longas no currículo, disputam o prêmio do Júri da Crítica e o Prêmio Itamaraty de R$ 50 mil. 

O júri vai ser composto pela professora e pesquisadora da UFRJ Guiomar Ramos (RJ); pela professora e pesquisadora da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) Amaranta César (BA); pela professora da Universidade Anhembi Morumbi Bernadette Lyra; pelo crítico, pesquisador e curador Ewerton Belico (MG); e pelo crítico Enéas de Souza (RS). Eles vão avaliar os seguintes títulos: “A Casa de Cecília” (RJ), de Clarissa Appelt; “Mais do que eu Possa me Reconhecer” (RJ), de Allan Ribeiro; “Medo do Escuro” (CE), de Ivo Lopes Araújo; “O Signo das Tetas” (MA), de Frederico Machado; “Ressurgentes: Um Filme de Ação Direta” (DF), de Dácia Ibiapina; “Teobaldo Morto, Romeu Exilado” (ES), de Rodrigo de Oliveira; e “O Animal Sonhado” (CE), de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima, Victor Costa Lopes. 
 Já o Júri Jovem, formado por estudantes que cursaram a oficina de Análise de Estilos Cinematográficos ministrada por Cléber Eduardo durante a Mostra CineBH 2014, irá definir o melhor filme da Mostra Transições, composta este ano por “A Despedida”, de Marcelo Galvão (SP), “Brasil S/A”, de Marcelo Pedroso (PE), “Casa Grande”, de Fellipe Gamarano Barbosa (RJ), “Com os Punhos Cerrados”, de Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti (CE), “O Tempo não Existe no Lugar em que Estamos”, de Dellani Lima (MG), e “Obra”, de Gregorio Graziosi (SP).

Na programação de curtas-metragens, os 91 filmes serão exibidos em 10 mostras temáticas, sendo que uma delas, a Mostra Foco (12 curtas), será avaliada pelo Júri da Crítica. As demais seções são Panorama (22 curtas), Dissonâncias (9), Praça (15), Cena Mineira (7), Cena Regional (4), Formação (8), Jovem (4) e Mostrinha (10). A curadoria ficou a cargo de Francis Vogner, Pedro Maciel Guimarães e Cléber Eduardo. “Entre outros destaques, chamo atenção para a mostra inaugurada este ano, a Dissonâncias, na qual escolhemos filmes que foram bastante defendidos por um ou dois membros da seleção e rechaçados pelo outro, ou pelos dois outros. São filmes que potencializam as subversões em ternos de formas e discursos”, destaca Pedro Maciel. 

Com o propósito de formar novas plateias e novos públicos para o cinema brasileiro, a Mostrinha de Cinema está cheia de novidades e filmes premiados. A animação “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, revelou-se um dos títulos do país mais comentados do ano passado em todo o mundo. Na programação, há ainda as aventuras juvenis mineiras “O Segredo dos Diamantes”, de Helvécio Ratton, e “O Menino no Espelho”, adaptação do romance de Fernando Sabino feita por Guilherme Fiúza. Por fim, “Amazônia”, coprodução com a França, leva a discussão ecológica para as telas.
Além da exibição de filmes, a Mostra Tiradentes vai contar com intensa programação de atividades culturais, em 10 oficinas de formação (com oferta de 270 vagas), 10 lançamentos de livros e DVDs, cortejo e teatro de rua e intervenções artísticas. Cada vez mais interativa, a Mostra Tiradentes traz na sua 18ª edição o coletivo #eufaçoamostra em performances no Espaço Cine Lounge, uma novidade desta edição que reúne todas as manifestações da arte. 
O coletivo é composto por alunos das oficinas de Processos Audiovisuais Cocriativos realizadas em anos anteriores.

A programação artística da 18ª Mostra Tiradentes promove o tradicional Cortejo da Arte, que percorre as ruas de Tiradentes no sábado, dia 24, comemorando os 311 anos de fundação do Arraial de São José Del Rey e os 297 anos de sua elevação à categoria de cidade. À noite, para inaugurar a programação do Cine BNDES na Praça, haverá a presença do artista mineiro Carlos Bracher, que participa da sessão Arte na Praça, com o curta “Bracher Pintura & Permanência”, dirigido por Blima Bracher. No dia 31, à tarde, o público poderá conferir espetáculo de ilusionismo no Cine-Praça com o mágico Klauss

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A cidade de Tiradentes, localizada a 180km de BH e com apenas 7 mil habitantes, recebe durante a Mostra Tiradentes toda infra-estrutura necessária para sediar uma programação cultural abrangente e gratuita, que reúne todas as manifestações da arte. São instalados três espaços de exibição: o Cine BNDES na Praça, no Largo das Fôrras (espaço para mais de 1.000 espectadores); o Complexo de Tendas, que sedia a instalação do Cine-Tenda (com 600 lugares), e o Cine-Teatro (com platéia de 120 lugares), que funciona no Sesi Tiradentes – Centro Cultural Yves Alves – sede do evento.

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