Por Fabricio Duque

“Philomena” configura-se como o mais recente filme do cineasta britânico Stephen Frears (de “Ligações Perigosas”, “A Rainha”, “Minha Adorável Lavanderia”, “Os Imorais”, “Alta Fidelidade”, “Herói por Acidente”, “Coisas Belas e Sujas”, “Sra. Henderson Apresenta”), que perpassa sua carreira com pouquíssimas “derrapadas” (“O Segredo de Mary Reilly”, “Chéri”), incluindo “Philomena”, o longa-metragem em questão aqui. A narrativa opta pela estrutura de uma novela inglesa, intercalando lembranças, “maça mordida do pecado” e “penitências amorosas”. A manipulação sentimentalista, com gatilhos comuns infantis e previsíveis, cria uma ambiência superficial e forçada, mesmo com a reiteração do humor ácido, cruel e sarcástico (típicos dos ingleses). A trama exacerba o melodrama (recurso que se utiliza a fim de suavizar o tema) romanceado ao inserir “crianças desaparecidas” e “mães pecadoras”, logicamente por se passar em um convento de catolicismo extremo. Um jornalista (processado, “decadente” e “Ex-BBC News”) busca contar a história de uma mãe em busca de seu filho. Não há credibilidade interpretativa (artificial), contracenando-se sem cumplicidade e sem química, revisitando o passado com os mesmos atos, “segredos”, “gritos”, clichês, tentando-se chocar com o sexo dos “malditos católicos”, lembrando e muito “O Nome da Rosa”, de Jean-Jacques Annaud.  Philomena Lee ( a atriz “pupilo” Judi Dench) é uma jovem que tem um filho recém-nascido quando é mandada para um convento. Sem poder levar a criança, ela o dá para adoção. A criança é adotada por um casal americano e some no mundo. Após sair do convento, Philomena (intolerante verborragicamente contra a “diáspora irlandesa”) começa uma busca pelo seu filho, junto com a ajuda de Martin Sixsmith (Steve Coogan), um jornalista de temperamento forte. Ao viajar para os Estados Unidos, eles descobrem informações incríveis sobre a vida de seu filho. Os laços de afetividade entre os dois não são politicamente corretos, com picardias, agressividades, sinceridades mórbidas, mas “força” uma graça natural (sem conseguir). A “aventura” inclui projeções, sonhos, desejos, possibilidades, assistir “Vovó…Zona”, tentativas de redefinir sua subserviência em relação a Igreja,  na televisão,  e “bicuriosos”.  “Meu estômago acorda antes mim”, diz. Quando “redescobre” o filho e “aceita qualquer coisa que ele era”, os “embates sobre Deus” e os questionamentos unilaterais e preconceituosos de Philomena humanizam-se e “ganham” a redenção, perdão e o sentimento de raiva adormecida. Concluindo, um filme que perde ritmo, principalmente pela linha tênue de emoção e ceticismo, mas que finaliza com dignidade, sem extravagância. É piegas, forçado, “perdido”, superficial, mas com “tiradas pipocadas” que “salvam” o filme do desastre totalitário. 

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