Por Philippe Torres

A parceria Franco-chinesa, dirigida por Lou Ye, traz a história de um grupo de deficientes visuais, trabalhadores de uma casa de massagem. Tem-se um foco no personagem de Ma, um jovem que perde a visão ainda criança. A película tenta promover uma experiência sensorial. Contudo, a confusão das histórias, que não se decide a qual dar o foco, impede que o objetivo seja alcançado. Utiliza-se, em muitos momentos, uma narradora. Essa parece estar ali com a justificativa de representar o espectador que não enxerga e/ou trazer um pouco da experiência aos que não a tem. Contudo, sua ausência na maior parte do longa-metragem abandona a justificativa da presença da ferramenta. Muito se fala e pouco se diz. Diálogos forçados estabelecem um filme que deveria trabalhar muito bem a experiência auditiva. A direção utiliza-se de uma câmera que explora a desfocagem para aplicar à imagem a sensorialidade, enfim algo que funciona, porém, a fotografia tomada por sombras sem qualquer correção atrapalha até mesmo aquilo que dá certo. Excessivamente alongado, a película não corrobora sua justificativa e objetivo. 

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