Por Philippe Torres

A inspiração trazida pelo cinema romeno nos anos 2000 conduziu a chegada desse modelo estético nos festivais, mundo a fora. Cru, beirando o documental, o filme utiliza-se do artifício digital para imprimir banalidade a uma história do cotidiano. A câmera, geralmente na mão, traz consigo essa natureza que narra passo a passo do desenvolvimento da trama. O grande problema consiste justamente dessa reprodução exagerada. Não há nada novo a ser apresentado. A revolução provocada pelo cinema romeno não mais é eficaz, se não lá. É como diz o a obra-prima surrealista do diretor Jean Cocteau, “Sangue de um Poeta”: “Ao quebrar uma estatua, corre-se o risco de virar uma.”. Ou seja, em sua ação primeira, esse modelo estético foi revolucionário e continuará sendo uma ferramenta narrativa importantíssima, mas sua reprodução constante não traz nenhuma novidade ao espectador. Torna-se uma nova estátua a espera de ser quebrada. O problema não está apenas no modelo, que ainda funciona em películas que o adotam de maneira eficaz. Contudo, o roteiro não possui conflitos suficientemente fortes para segurar o filme até o fim, as questões que envolvem os personagens beiram o clichê. Sabendo de tal, Matar a um Homem, do diretor chileno Alejandro Fernández Almendras, tratará da lentidão do sistema judiciário perante aos ataques que a família do personagem principal vem sofrendo em sua vizinhança por uma gangue recém-chegada no bairro. A estátua, dessa vez, não ficou de pé. 

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