“Claro que não é um filme para discutir mazelas e soluções, mas estão lá a Zona Norte, as favelas e os lados burguês e turístico”. “O filme é plural”, disse um dos cineastas, Vicente Amorim.  

Por Philippe Torres

Após “New York, I Love You” e “Paris, Je T’aime”, chega aos cinemas o terceiro filme da série “Cities of Love: Rio, Eu Te Amo”. O longa-metragem, assim como os anteriores, com elenco de atores e diretores internacionais, conta suas visões da cidade do Rio de Janeiro.  A missão de apresentar essas diversas histórias, dez curtas no total, de fato não é fácil. Coube a Vicente Amorim torná-lo uma integralidade entre os contos dos dez diferentes diretores. Dentro dos limites, as transições criadas pelo brasileiro funcionam muito bem, completando a narrativa, acrescentando novos sentidos a cidade,a película e relacionando personagens das mais diversas histórias. Nestas transições é importante dar destaque ao personagem do taxista e suas histórias, talvez a primeira imagem da cidade por parte dos turistas. Não é dito por quem é feito cada um dos curtas que contemplam a película, apenas no final. Contudo, é possível perceber características de alguns dos realizadores. Ao apresentar a história de um vampiro no Rio de Janeiro, pode-se relacionar ao sul coreano Im Sang So, bizarro, apresenta características do cinema de seu país, porém, um flash mob. vampiresco incomoda, saindo do bizarro ao grotesco. Nesse momento conta-se a história de libertação de uma prostituta, representado pela mordida do vampiro. Toda polêmica envolvendo as imagens do Cristo Redentor onde a igreja católica estava impedindo sua utilização, foram liberadas. E nesta é fácil perceber as mãos de José Padilha, problemas sociais, Wagner Moura e mesma equipe de sempre. Inevitável as comparações nesse modelo de construção narrativa, os grandes destaques, estão nos curta-metragem de Fernando Meirelles, Nadine Labaki, Guilhermo Arriaga e Carlos Saldanha.  O primeiro, mais conhecido por seu trabalho no consagrado Cidade de Deus, traz uma história repleta de poesia visual e sonora que acompanham os fluxos da paisagem urbana carioca. Uma história de amor com a arte, o artista que se inspira pelo amor por aquilo que é incapaz de tocar, o cinema em sua essência, que escolhe o que mostrar. A segunda, diretora libanesa de E Agora, Aonde Vamos?, conta a história de um menino pobre que espera a ligação de Jesus, um show a parte do ator mirim Cauã Antunes, o curta conta com uma fotografia com tons alaranjados que contribuem com a romantização da triste realidade do menino. O roteiro é o ponto forte nesse momento, os diálogos fluem com naturalidade e impõem barreiras devido à dificuldade de linguagem do casal estrangeiro que tenta ajudar o menino. Guilhermo Arriaga é, talvez, o que traz o único momento não romantizado do longa-metragem. Uma história de amor amoral, onde um ex-lutador de boxe, após acidente de carro, perde um de seus braços e sua mulher os movimentos das pernas. Contudo esta ainda tem chances de cura. O sentimento de culpa move a narrativa como o grande conflito, a decisão final é a grande questão aberta. A fotografia apresenta-se completamente desaturada instruindo o espectador a adentrar no abismo dos olhos dos personagens, principalmente a cadeirante vivida por Laura Neiva. Contudo, a grande surpresa está em Carlos Saldanha, o diretor de animações como A Era do Gelo e Rio conta com Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer em seu elenco. Em entrevista ao Vertentes do Cinema, Saldanha diz que sua primeira ideia foi contar a história de um vendedor de picolé na praia, mas que isso cairia em lugar comum. Sabendo disso, em um espetáculo de dança em Nova Iorque em que, por coincidência, estava com o ator Rodrigo Santoro, resolveu dar vida ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro. De fato funcionou. O trabalho árduo dos atores trouxe a leveza do Ballet apresentado por sombras, revelando os traços de animação do diretor que, somado à trilha sonora, os diálogos no momento da dança que reconstruíam a vida de um casal em momento de crise, agem de forma sintética no resultado final. O resultado de um filme que aparentemente teria dificuldades de se integralizar é positiva. Contudo, a cidade maravilhosa é representada do lado que o turista vê, bastante comercial, o Rio de Janeiro aqui mostrado é romântico demais para mostrar o outro lado.

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