Por Philippe Torres

Tomas Portella, diretor do filme em questão, parece gostar de importar modelos prontos. Como se não bastasse à enxurrada de comédias românticas constantemente em cartaz em qualquer cinema, vide o filme anterior do próprio diretor, “Qualquer Gato Vira-lata”, temos em “Isolados” mais um modelo norte-americano importado. Uma breve explicação do que se trata o filme dirá tudo: Casal decide alugar uma casa isolada com o intuito de descansar, reajustar um relacionamento de certa forma abalado. Ao chegar à cidade Lauro, um psiquiatra interpretado por Bruno Gagliasso, descobre que vem acontecendo alguns assassinatos seguidos de estupro a mulheres na região. Lauro resolve não contar a Renata, sua namorada, temendo que ela, uma mulher com problemas psicológicos, fique impressionada. Pronto. Parece que esse filme já foi feito antes. Uma mistura de Os Estranhos (Bryan Bertino) e O Amigo Oculto (John Polson), o filme é carregado de cacoetes do gênero norte-americano, o cachorro que avisa o perigo e acaba morrendo, barulho de corvos, a boneca assustadora e, finalmente, os sustos. Parece que essa velha nova forma de fazer suspense, aproveitada em Isolados, promove-se pelo número de sustos que é apresentado. Quanto mais susto melhor, a trama fica em segundo plano. E mais, os sustos são sempre impostos pelo famoso: BAM ! O roteiro, como se não bastasse, é cheio de falhas que acompanham a montagem do filme. Flashbacks completamente desnecessários desenvolvem a narrativa a fim de explicar os motivos dos conflitos do casal. Antes fosse apenas isso, erro comum, até que o flashback de uma moça doente balançando para traz e para frente, completamente inútil, uma personagem que nunca mais apareceria é mostrado. Uma montagem extremamente cafona completa um belo e longo plano sequencia inicial que acompanha a primeira vítima. Esta é esquartejada e, concluindo aquilo que poderia ser um bom inicio, uma torneira de água límpida tornando-se avermelhada. Sério? Mas o pior de tudo acontece quando, em um momento de desespero, Lauro vai buscar sinal no seu celular no meio da floresta. A fotografia é obscura desde o princípio, com cores mais quentes no segundo ato em diante devido a presença de velas. Não chega a ser um erro, mas cai em lugar comum. Enfim, para aqueles que procuram mais um filme em que o objetivo é levar sustos, talvez valha a pena assistir “Isolados” no cinema. Contudo, para os que procuram o suspense propriamente dito, continue assistindo Hitchcock. 

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