Por Fabricio Duque
Julia Rabelho e Marcos Veras,  atores do Porta dos Fundos, um coletivo criativo de humor voltado para a web e casados na vida real, apresentaram a noite cerimônia de premiação da décima quinta edição do Festival do Rio, que ocorreu no Pavilhão do Cais do Porto, Armazém da Utopia, por causa dos inúmeros protestos na Cinelândia e consequentemente no cinema Odeon. Como era de se esperar, o casal tentou levar ao palco a mesma estrutura de enquetes que já fazia, mas o tom “escrachado” contido não funcionou, gerando a comédia sem “graça”. Só que eles não se deram por vencidos, e reestruturaram a seriedade cômica e de efeito (ponto alto). “Celebrar o cinema e o nosso amor pela sétima arte”. Confira as críticas dos filmes AQUI!
A HOMENAGEM ao crítico de cinema JOSÉ CARLOS AVELAR foi apresentada por Cacá Diegues, que disse “As ideias dele alimentam o filme. Um companheiro de geração e do cinema brasileiro”. O premiado diz “Este prêmio é pela sorte de ter visto tantos filmes brasileiros”.
O PORTA CURTAS premiou “ATÉ O CÉU LEVA MAIS OU MENOS 15 MINUTOS”, um filme de Camila Battistetti. Duas mães, três crianças, um carro. Quinze minutos de percurso partindo de um aparentemente incontrolável caos até o extremo relaxamento, numa situação que oscila nos limites indiscerníveis entre documentário e a ficção. A câmera estática registra momentos de idiossincrasias infantis. Não há como sair imune do cinema. Divertido, caótico, apaixonante e viciante. Vale à pena a conferida!
A PRÊMIO MOSTRA GERAÇÃO (FORNO DE MINAS) premiou o curta “A GALINHA QUE BURLOU O SISTEMA”, de Quico Meirelles (filho do cineasta Fernando Meirelles). O Juri foi Composto por alunos (entre 8 e 14 anos) das escolas que trabalham com cinema (ou que posuem Cinema nos seus currículos): Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch; Nave Rio (Núcleo Avançado Em Educação); Produtora Escola Cinema Nosso; Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu; Colégio Estadual D. Pedro Ii; Cineclube Nas Escolas e Oi Kabum. E o VOTO POPULAR de Longa-Metragem foi para “TOM, O GAROTO MALANDRO”, do diretor francês Manuel Pradal. 
IN MEMORIAN. O Festival homenageou o vídeo póstumo aos atores ÊNIO GONÇALVES e NORMA BENGEL
NOVOS RUMOS. Juri presidido por Anna Azevedo e composto por Maria Flor e António Ferreira. E então a apresentadora Julia diz “Menção honrosa vai ganhar um abraco e um beijo”, não havia prêmio. 
MELHOR FILME: “TÃO LONGE É AQUI”, de Eliza Capai
MENÇÃO HONROSA DO JÚRI MELHOR FILME: “O MENINO E O MUNDO”, de Alê Abreu
MELHOR CURTA: “TODOS ESSES DIAS EM QUE SOU ESTRANGEIRO”, de Eduardo Morotó
MENÇÃO HONROSA DO JÚRI CURTA: “LIÇÃO DE ESQUI”, de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro. 
VOTO POPULAR
LONGA-METRAGEM: “TATUAGEM”,  de Hilton Lacerda, que discursa “É uma provocação importante. Dialogar com o público sem abrir mão das ideias. Uma experiência visceral. Nosso cu tá aí”.  
DOCUMENTÁRIO: “FLA X FLU”, de Renato Terra
CURTA: “JESSY”, de Paula Lice, Rodrigo Luna, Ronei Jorge
JURI OFICIAL
Presidido por Fabiano Canosa e composto por Doris Hegner, Helena Ignez, Lázaro Ramos e Marie-Pierre Macia.
Ilda Santiago, uma das diretoras do Festival do Rio, apresenta o melhor Curta-Metragem. Mas antes faz piadas sobre as constantes falhas de som dos microfones e diz que “15 dias. Aprendi muito a cada dia. A construir relações mais profundas com o cinema do Rio. A manifestação é o cinema. Nossa arma é o cinema. Quase 300 mil pessoas. É mais um festival na memória freudiana, tornando a cidade mais exuberante”. 
CURTA-METRAGEM: “CONTRATEMPO”, de Bruno Jorge. Crônica músico-visual de um pequeno boteco numa rua simples de Manaus, onde o brega dita seus próprios contratempos. Pode ser considerado a versão curta de “Vou Rifar Meu Coração”, de Ana Rieper.
MELHOR DOCUMENTÁRIO: “HISTÓRIAS DE ARCANJO – UM DOCUMENTÁRIO SOBRE TIM LOPES”, de Guilherme Azevedo, que discursa “Processo que durou 8 anos. Viva o Tim. Cuida do sonho que o caminho se inventa”. 
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI DOCUMENTÁRIO: “A FARRA DO CIRCO”, de Roberto Berliner e Pedro Bronz
MENÇÃO HONROSA DO JÚRI DOCUMENTÁRIO: “CATIVAS – PRESAS PELO CORAÇÃO”, de Joana Nin e “DAMAS DO SAMBA”, de Susanna Lira
MELHOR ATOR COADJUVANTE: RODRIGO GARCÍA (“TATUAGEM”). Rodrigo discursa “Quero agradecer ao Hildinho (Hilton Lacerda, o diretor). Filme está aí para trazer a alma do personagem”. 
MENÇÃO HONROSA DO JÚRI ATOR COADJUVANTE: SILVIO GUINDANE (“JOGO DAS DECAPITAÇÕES”) e JULIO ANDRADE ( “ENTRE NÓS”).
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: MARTHA NOWILL (“ENTRE NÓS”)
MELHOR FOTOGRAFIA: PEDRO URANO (“QUASE SAMBA”). Walter Carvalho apresenta o vencedor. “É uma honra subir ao palco para entregar este prêmio”. Ricardo Targino, o diretor, recebe em nome do diretor de fotografia e diz que o Pedro está filmando na Bahia. Não perde tempo e discursa um texto prolixo, pronto e de efeito. “Quem ama disputa. Não vamos desistir deste Estado. Acreditamos no Rio ensolarado de todos”.  
MELHOR MONTAGEM: MAIR TAVARES (“ESTRADA 47”), confundido pelo trabalho em “Tatuagem”. “O mais bem mal humorado do mundo”, define Hilton Lacerda. 
MELHOR ROTEIRO: PAULO MORELLI (“ENTRE NÓS”). O casal-apresentador diz “Roteiro é coisa de Pa”. Antonio Pitanga entrega o prêmio e diz: “Que alegria. Um dos momentos mais plenos do artista: o reconhecimento. Cada um de nós faz uma história e um filme”. Paulo discursa “Quero dividir com meu filho Pedro. O roteiro foi sendo transformado e reescrito no processo de duas semanas de ensaio”. 
MELHOR ATOR: JESUÍTA BARBOSA (“TATUAGEM”). Jesuíta discursa: “É meu primeiro filme. Este prêmio é meu e teu Hilton”. 
MENÇÃO HONROSA DO JÚRI ATOR: FRANCISCO GASPAR (“ESTRADA 47”)
MELHOR ATRIZ: LEANDRA LEAL (“O LOBO ATRÁS DA PORTA”). Leandra discursa “Um diretor gentil. Fazer cinema com o Alê (o marido) é muito bom” e pede “Palmas para os professores que estão na rua lutando. Aqui não tem arrego”.  
MELHOR DIRETOR: CAO GUIMARÃES e MARCELO GOMES (“O HOMEM DAS MULTIDÕES”). O ator Francisco Prado apresenta o prêmio com “para o regente e maestro dos loucos felizes”. O produtor recebe em nome dos diretores e diz que Marcelo está gravando no sertão de Pernambuco e Cao viaja agorinha para Alemanha. 
MELHOR FILME. Empate pela primeira vez. DE MENOR”, de Caru Alves de Souza e “O LOBO ATRÁS DA PORTA”, de Fernando Coimbra. 
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI FICÇÃO: “TATUAGEM”, de Hilton Lacerda. Hilton discursa “Tatuagem foi realocado. O Estado não aprendeu a conversar e a dialogar. A função é proteger e não atacar”. 

E no final, Cavi Borges apresentou as faixas-protesto (que ele mesmo fez) em apoio aos professores. E assim, com o engajamento dos diretores e atores premiados, o Festival do Rio 2013 foi marcado pelo viés político.

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