RINGUE PESADO

Por Francisco Carbone

Reflitam sobre o quarto: Juan Benitez é um homem calado. Sempre na sua, diariamente sai pra malhar (atividade que é mais que um hobby), depois passa numa loja para comprar barras de cereais, e emenda no trabalho numa fábrica de roupas. Ninguém sabe nada de sua vida, não tem amigos, e pouco se comunica. Na verdade tem uma esposa, uma filha e seu sonho é viver da construção de uma academia de ginástica; sua postura pacífica (passiva?) é comentada durante o filme, e será colocada em cheque (e o filme corre ótimo), no dia em que literalmente assiste a um estupro, especificamente da menina que vendia diariamente suas barrinhas de cereais. O que ele faz? Assiste. A partir desse momento, fica difícil… ou melhor, impossível concordar com personagem ou filme. O homem é um armário gigante, assiste a uma violência sexual cometida por um senhor quase na terceira idade, cometido contra uma pessoa que nutre real afeto por ele. E o filme não só permite com que o público sinta nojo do personagem e sua falta de ação, como trata de tentar torná-lo herói não terceiro ato. É tarde. O filme já se perdeu, sua moral já desceu pelo ralo, a questão “se o mundo é mau com você, seja mau com o mundo” (que eu até simpatizo) é injustificada a partir do momento em que o personagem é testemunha de uma violência sem tamanho. E assiste. A mim, coube julgar e detonar as intenções do diretor, sejam elas quais forem.

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