Por Fabricio Duque

21/09 (às 16:30): TELECINE CULT: “TEOREMA ZERO”
Outros Horários 11/10, às 10:50; 14/10, às 02:00

Para que a experiência sensorial do filme “The Zero Theorem”, novo filme do diretor Terry Gilliam (de “Medo e Delírio”, “Brazil – Filme”, “O Mundo Imaginário de dr. Parnassus”), o espectador necessita embarcar na “viagem” de ficção científica de “mundos perdidos” da mente humana. Se analisarmos, encontraremos referências a “Matrix” (pela indicação do próprio roteiro à figura do escolhido e do oráculo); a “Jogos Vorazes” (pela comunidade de figurinos surreais); a contemporaneidade japonesa (comportamental do consumo extremado e das cores vivas – na maioria das vezes homenageando um personagem); ao filme “Código daVinci” (pelo ambiente escuro – quase proibitivo – da arte clássica); aos filmes de David Cronemberg; à “Holy Motors” e ao realismo fantástico de Tim Burton. Sim, está tudo ali. De uma maneira ou de outra.
A crítica à sociedade atual é exacerbada pela superexposição da felicidade colorida, de fotografia quase cromática de um efeito de uma droga alienante. O futuro não se pode mais nada. Os fumantes fingem com seus cigarros imaginários; as festas são realizadas cada um com seu próprio fone de ouvido. Alguns se exibem, outros disfarçam como seres se protegendo na natureza selvagem da lei do mais forte. Trocando em miúdos, significa a metáfora do mundo moderno (“Seja gentil”). O teorema é estudado, mas a compatibilidade de entidades dentro de um equilíbrio mundano é quase impossível. Tempo passa, épocas também. E nada. “Tememos o nada acima de tudo”, diz-se.
“Não conseguirá nada se estiver desconectado”, completa-se como a frase resumo do filme. Buscam a “razão da existência” e “o sentido da vida” (pelas projeções mentais, drogas, tecnologia) e assim , quase todo desenvolvimento narrativo desafia o espectador a desistir, o enfrentando pelo embate da inteligência. Mas talvez  que mais importe é que estão “necessitando ser necessários”. É uma parábola, em versão Big Brother (do livro “1984”, de George Orwell) que faz da vida um parque de diversões e traduz com exatidão surreal o futuro do “caos encapsulado” que iremos vivenciar.

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