Por Francisco Carbone

Denis Côte é presença certa em Festival. ‘Bestiário’ já deu as caras por aqui, teve também um filme todo passado numa cidadezinha nevada cujo titulo era um esporte zero popular no Brasil. Aí esse ano ele ganhou o Alfred Bauer em Berlim (prêmio que o festival alemão dá pra filmes inovadores) e tornou-se certa sua presença no circuito finalmente, mas antes ele dá as caras por aqui com esse filme elegante e silencioso, construido em cima de tensões não-verbalizadas e de desenrolar anterior a trama. Vic acabou de sair da cadeia e foi passar um tempo com um tio super idoso numa cabana a beira de uma floresta. Logo, chega pra fazer companhia Flo, sua namorada. Suas presenças gradativamente minam relações pré-estabelecidas e fazem nascer outras, pautadas em desconfiança e medo. Tudo bem devagar, cada coisa minima de cada vez. Com os silêncios do filme, os diálogos excelentes e nada didáticos, uma trama que se pesca aos poucos e a usual elegância de Côte, o filme segue de forma excelente até conhecermos a natureza de uma determinada personagem, praticamente uma vilã de novela mexicana. Uma pena que um filme tão bom acabe com a lembrança dessa rachadura desnecessária.

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