Por Francisco Carbone

O Festival do Rio tem tradição bem esquisita com Karim Ainoüz e Marcelo Gomes: premia-los, seja pelo trabalho que for, sempre que eles passam por aqui. Acho um desserviço ao festival esse protecionismo besta, independente ambos serem excelentes. Essa regrinha vai ser colocada a prova finalmente agora, com essa nova produçao que ele divide com Cao Guimarães. O filme não é ruim de fato, mas pra ser bom ele precisaria driblar os muitos problemas que tem. De cara, será a coragem dos diretores que ficará marcada na obra. Coragem de mostrar a banalidade do dia a dia como acredito nunca ter sido mostrada. A passos de cágado (e isso é um elogio, não se enganem) acompanhamos a rotina de um maquinista de metrô em BH, um homem sem amigos e sem contatos. Boa parte do filme se desenrola atraves de prosaicos atos desse cara, que não conversa e não se abre, nem com o publico. O “conflito” do filme se estabelece entre o principio de relação entre ele e sua controladora de tráfego, que está prestes a casar mas vive em condição de solidão só comparada a dele, e talvez seja o reflexo da vida dele que mostre bem como a vida dela está tambem a deriva. No papel parece tudo perfeito, mas personagem da excelente Silvia Lourenço mina o roteiro, porque sua situação é muito mais complexa que a do igualmente bom Paulo André, o que acaba vazando as fragilidades do roteiro e suas muitas pontas soltas. No fim das contas, o que o publico leigo vai alegar como “chatice” (o desenrolar completamente sem ação da vida de ambos) é exatamente a única coisa que me fascina aqui, um filme que carece de uma estrutura mais regular e um roteiro que acerta tanto num personagem quanto erra no outro.

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