Por Francisco Carbone

Uma carinhosa história de amor e companheirismo, um grito contra a mesmice atual, uma bizarra história de sustos delicados, uma homenagem cheia de metáforas a um cinema que não existe mais. Ou isso tudo num filme só? Algo me diz que Lynch teria orgulho dessa coisa linda. A verdade é que vi pouca coisa de Brisseau (esse é meu terceiro), e os dois anteriores nada tinham a vê, em temática ou talento, com esse aqui. Cheio de brincadeiras metalínguisticas que unem diferentes épocas, temas e personagens, pouco pode se falar claramente sobre o filme, sem parecer pedante ou esclarecer subjetividades, que são a mola da produção. Tudo começa com um senhor assistindo uma jovem ser espancada. Ele cuida dela, e em sua casa ele fica se recuperando. Pronto, praticamente apenas isso é o que o filme tem de concreto. A partir dai, o filme se embrenha pra justificar devaneios, passado, aparições fantasmagóricas e uma história de amor que rompe tudo da forma mais poética possível, numa exibição do que somente os grandes deuses do cinema são capazes de conjurar quando absolutamente tudo dá certo. Obra-prima.

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