Por Francisco Carbone

O país homenageado desse ano do Festival do Rio é a Alemanha, e eu comecei a seleção alemã com o pé esquerdo. Athanasios Karanikolas é de origem grega e parece ter a pretensão dos seus antepassados, cujo povo dominou o mundo séculos atrás. Do dentro do seu “cavalo de Troia”, no entanto, não sai muita coisa inspirada não. Um grupo de amigos está reunido para celebrar a vida e a memória de um deles, que se suicidou. Bosques e árvores, relatos sobre as ligações de cada um com o falecido, uma espécie de festa com banda, dança, música, canto. Sexo. Homens e mulheres sendo sinceros, e a sinceridade do filme é real, todos eles parecem reais. Fácil se ver ali, nos silêncios e ruídos, muitos de um e de outro. Pessoas jovens, lindos, homens e mulheres que bebem e transam, fumam e parecem sofrer, parecem refletir, parecem estar ali e também em outros lugares. Mas o filme não ultrapassa essa fronteira do ‘parecer’. Muito mais do que a sugestão (que é sempre maravilhoso no filme), o grego líder da produção ligou a câmera e filmou a naturalidade, apenas. Dela se observa grandes momentos, mas a ela não se acrescenta estofo. O filme carece de extrato, de polpa… e aí, tudo que é sugerido parece largado, sem fios de ligação que os conecte e traga sentido a tal encontro. 

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