Por Fabricio Duque
Confesso que senti mais o cinema
aqui, no Museu da Música, do que na Cinemateca Francesa, talvez pela
incrível,“verborrágica”, completa, interminável e de ótima qualidade técnica, e
informativa, exposição Musique et Cinema (Música e Cinema). Situado no bairro
de La Villette, um pouco “longe” do centro de Paris (19º arrondissement), O
Cité de La Musique foi criada em 1995, possui o desenho do arquiteto francês Christian
de Portzamparc e representa a documentação da história da música mundial.
Então, mais do que justo, acontecer neste lugar a exposição “definitiva” sobre como a
música se comporta no cinema e vice-versa, até o dia 18 de agosto de 2013.
Portanto, não perca! 

Nós podemos conferir Martin Scorsese explanando sobre o
“Touro Indomável (Raging Bull)”. O cineasta disse sobre a “ópera-boxe”: “São
seres-humanos e merecem Bach (a música clássica)”. Podemos também escolher (e
trocar) trilhas sonoras de filmes clássicos (comparando a versão oficial e a
rejeitada): “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, entre respectivamente, Strauss e
Alex North; “O Artista”, com Bernard Herrman (original) e a que ficou de fora,
Ludovic Bource (sem dúvidas, a versão escolhida funciona melhor, fornecendo à
cena, emoção dramática com suavidade); e o que a trilha dos filmes “Melancolia”,
de Lars Von Trier, “Manhattan”, de Woody Allen e “Maivais Sang”, de Leos Carax
têm em comum. Há Alfred Hitchcock rejeitando Bernard Herrman em “Cortina
Rasgada”; David Lean e Maurice Jarre; Agnes Varda e George Delerue; Steven
Spielberg e John Williams; David Lynch e Angelo Badalamenti; Jacques Audiard e
Alexandre Desplat; Judy Garland em “Nasce uma estrela” e “Deliverance” de John
Boorgman em 1972, além de documentários sobre compositores, cineastas e
compositores-cinestas. 

Conferimos também as aberturas dos filmes: “Hotel du
Nord”, de Marcel Carné, “Double Indemnity”, de Billy Wilder, “The third man”,
de Carol Reed, “Juventude Transviada”, de Nicholas Ray, “Um Corpo Que Cai”, de
Hitchcock, “Anatomia de Um crime”, de Otto Preminger (com músicas de Duke Ellington),
“Hadaka no Shima”, de Kanedo Shindo, “Bonequinha de Luxo”, de Blake Edwards, “Walk
in the wild side”, de Edward Dmytrik, “O Leopardo”, de Luccino Visconti, “O
Desprezo”, de Godard, “A pantera cor de rosa”, Blake Edwards, “Bebê de Rosemary”,
de Roman Polanski, “Le grand blond”, de Yves Robert, “L’arnaque the Sting”, de
George Roy Hill, “Taxi Driver”, de Martin Scorsese, “Faca a coisa certa”, de
Spike lee, “Edward, mãos de tesoura” de Tim Burton, “Carlitos Way”, de Brian de
Palma, “Jackie Brown”, de Quentin Tarantino, “Drive”, de Nicolas Winding Refn e
“Dentro de casa”, de François Ozon. Ainda, George Van Parys, Michel Deville,
Terence Davies, Sergio Leone, Ennio Morricone, filmes mudos como a primeira “original
score” (“L’assassinat du duc de guise”, de André Calmettes em 1908), Clozot e
muito mais. Pode-se também fazer a mixagem de som de um filme por exemplo. É só
ter criatividade e sensibilidade. E quando achamos que acabou, encontro uma
sala “perdida”, com a exibição de trechos de mais de trinta filmes. Tempo gasto:
quatro horas, até porque fui “expulso” (motivo: estavam fechando). Uma
experiência única. Dica final: vá cedo e fique até ser “expulso”.

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