FESTIVAL DE CANNES: “ONLY GOD FORGIVES”
Um homem (Ryan Gosling) vive um exílio em Bagkok durante dez anos, depois de ter matado um policial. Ele mantém um clube de boxe, que funciona como disfarce para o tráfico de drogas. Quando seu irmão é assassinado depois de matar uma prostituta, o protagonista recebe a visita de sua mãe, que pretende resgatar o cadáver do filho mais novo e vingar-se dos homens que o mataram.O elenco ainda cona com Kristin Scott Thomas e Tom Burke. Pelo trailer, referenciamos Clube da Luta e uma possível parte de Drive. 

Por Fabricio Duque

“Only God Forgives”, de Nicolas Winding Refn. “Eu não sou muito fã de filmes de luta, mas achei que era uma boa para este filme”. As palavras do diretor na Coletiva de Imprensa tentam explicar os porquês da escolha. É um filme extremamente violento, metafórico como uma parábola, que não deixa claro as verdadeiras intenções. Na coletiva, uma jornalista perguntou o que o diretor queria dizer sobre o místico incompreendido, porque não estava claro. Você precisa entender os mistérios e as lendas da Tailândia, ele disse. Realmente não fica claro mesmo. Nem que Deus é o personagem vingativo principal. Nem conseguimos compreender também o porquê de tanta violência. Podemos viajar um pouco: o conflito da religião no campo físico, Maria Madalena como mãe e muito “real bitch” e a imaginação do que se pode começar a ser. Quando captamos isso, aguçamos algumas referências cinematográficas como “Clube da Luta”, filmes japoneses e uma possível continuação de “Drive”. A música, um caso à parte, de horror filme b de ficcao cientifica permeia e se torna parte integrante, como um personagem que interage com a imagem sistematicamente expectacular saturada ao vermelho. Será que Cannes vai perdoar? “Na tela, diálogos por vezes atrapalham outras formas de linguagem do corpo. O movimento da câmera é que precisa falar pelos personagens”, disse o diretor Refn, que ama televisão desde pequeno, e dedica o filme ao cineasta chileno Alejandro Jodorowsky.

O Diretor. Nicolas Winding Refn nasceu em 29 de Setembro de 1970, Copenhague, Dinamarca. Em 1996 ao lançar o thriller urbano “Pusher”, depois de ter feito vídeos que se popularizaram via internet em terras escandinavas, Nicolas se viu responsável por um cult hiperviolento, centrado no papel das drogas na rotina da juventude dinamarquesa dos anos 1990. Embriagado de referências do videoclipe na montagem mas cru ao enquadrar trocas de tiros e socos, o filme correu o mundo no momento em que seus conterrâneos Lars Von Trier e Thomas Vinterberg pregavam as regras do Dogma 95, movimento pautado por rígidos mandamentos, como câmera na mão e uso de luz natural, para garantir realismo. Nicolas se impôs então como uma voz dissonante não aderindo ao movimento, acreditando em um cinema mais comercial, preferiu fazer uma espécie de homenagem autoral a nomes como Quentin Tarantino e Martin Scorsese em “Pusher”, e assim seguiu nas produções que se sucederam. O diretor vai buscar nos filmes de ação dos anos 70 e anos 80 suas referências, em que o que interessa é a violência em si, purista e catártica. O filme “Bleeder”, seu segundo longa, foi exibido no Festival de Veneza em 1999, o que começou a fazer seu nome circular fora dos círculos dinamarqueses. A estreia em língua inglesa se deu no filme de suspense “Medo X” (Fear X) de 2003, com John Turturro, que foi nomeado ao Bodil Award de Melhor Ator, tendo inclusive sido comparado ao estilo de filmar do diretor David Lynch por esse filme. A recepção morna fez Refn voltar a filmar na Dinamarca, onde realizou duas sequências de “Pusher”. Ele recebeu o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes e foi aclamado pela crítica especializada, fez sucesso no mercado internacinal depois de ganhar 39 prêmios e ter mais de 50 indicações nos maiores festivais de cinema do mundo, por seu impressionante “Drive” o primeiro filme “hollywoodiano”.
Filmografia
2012 Gucci Première (short)
2011 Drive
2009 O Guerreiro Silencioso
2008 Bronson
2005 Pusher 3
2004 Pusher II
2003 Medo X
1999 Bleeder
1996 Pusher

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