Um Road Movie Que 
Se Perdeu No Caminho

Por Narda Staël

Angie (Open Road, título original) é o segundo longa-metragem dirigido por Marcio Garcia (de Amor por Acaso). O filme que traz um elenco brasileiro e hollywoodiano começa com uma cena onde a protagonista que dá título a história movimenta seus pinceis e ao mesmo tempo balbucia com veemência para o cavalete quão duro é fazer arte. Se a idéia era dar profundidade logo de início, passou longe. O longa conta a história de uma jovem artista brasileira e descendente de uma família rica de Vitória – ES, que deixa tudo para trás no Brasil e vai para os Estados Unidos numa viagem estilo ‘mochilão’ em busca de suas próprias raízes. Em suas andanças, Angie, personagem de Camilla Belle conhece David, interpretado por Colin Egglesfield, um policial por quem se apaixona, e consegue um emprego de garçonete na lanchonete na qual a prima dele trabalha. Fora dos limites da cidade, o contato de Angie é com Chuck (Andy Garcia), um eremita que parece fugir da realidade. O roteiro de Julia Câmara (Área Q) não consegue convencer ao mostrar situações inverossímeis. Haja vista a cena onde o policial quase pede em casamento uma garota que ele acaba de conhecer. Embora a cena anterior tenha dado a impressão de uma passagem grande tempo, isso não ocorreu. Sem falar na montagem que peca ao mostrar encontros e desencontros da personagem, que vai e volta de lugares que o espectador não vê e cuja grande motivação para se isolar do mundo e grande fonte de inspiração para pintar é a enorme interrogação sobre os motivos que levaram o seu pai a sair de casa. Sem continuidade fica difícil o entendimento. A produção foi filmada no Espírito Santo e na cidade de Los Angeles. Que pena! Belos lugares, cenários inexistentes e locações mal aproveitadas. Como exemplo, podemos citar a cena onde Angie é acordada pelo policial na estrada. A câmera não sai do rosto da atriz na janela do carro. Será que o diretor se esqueceu de ampliar os ‘takes’ nas cenas ou abrir o enquadramento? Nem o elenco brasileiro que conta com Christiane Torloni e Carol Castro, que até se empenharam, e nem Wanessa Camargo que é responsável pela música-tema, conseguem salvar a trama. O filme é um open road que não chega a lugar nenhum!

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