Larga as Influências da Televisão e deixa a Liberdade Ágil da Internet
Por Bruno de Souza
O ano de 2012 rendeu bons frutos ao cinema nacional em
termos de bilheteria. O mesmo não pode ser dito em relação a qualidade dessas
produções. Após o sucesso comercial de outros anos de comédias como “ Se eu
fosse você” e “De pernas pro ar”, ocorreu uma demasia de produções do gênero,
sua grande maioria com o aval da Globo Filmes, o que concedeu em um interesse
altamente comercial utilizando um elenco em voga, um fiapo narrativo e uma
estrutura televisiva referencial as novelas realizadas pela TV Globo. Longas
como “As Aventuras de Agamenon” , “Totalmente Inocentes” e “Até que a sorte nos
separe” lideraram grandes bilheterias e em alguns casos, como no meu, foram
responsáveis pelos piores filmes do ano. O público recebe bem tais produtos pela facilidade de
degustação e serem uma continuidade daquilo que estão acostumados a assistirem
na televisão. É importante ressaltar que comédia não é um gênero menor, muito pelo
contrário. Existem grandes nomes geniais que marcaram seu nome até hoje e são
referencias para qualquer gênero, como: Charlie Chaplin, Buster Keaton, Irmãos
Marx, Os três patetas, Jaques Tati, Lucille Ball, Jerry Lewis, Peter Sellers,
Mel Brooks, Gene Wilder, Woody Allen e tantos outros. Aqui no Brasil não ficam
de fora nomes como: Chico Anysio, Mazzaropi, Golias, Cantinflas, Oscarito ,
Grande Otelo, Dercy Gonçalves e Os trapalhões. Produções de qualidades
variadas, mas que supriam por boas historias, excelentes piadas, “gags” cômicos e
um grande elenco. O gênero atualmente infelizmente não costuma receber um
cuidado com os roteiros e se torna apenas uma teia para situações cômicas. “Vai que dá certo”, filme de Mauricio Farias, parecia ir
pela mesma linha de seus antecessores, mas surpreende. Mesmo com uma trama
básica que se assemelha a algumas realizadas pela indústria hollywoodiana, o
roteiro consegue ser bem desenvolvido conseguindo criar arcos interessantes e
desenvolver seus personagens. Ele estabelece coesão para criar situações e se
conclui de maneira agradável. Os diálogos afiados e verborrágicos proporcionam que além do
humor visual, se tenha conteúdo. É interessante a
referência à comédia do cinema Francês e Argentino além dos já citados norte
americanos, os diversos elementos cômicos utilizados desde atrapalhadas, humor
non sense e negro, repetições e outros,  apostam na força do elenco que consegue com
sutileza e carisma realizar um bom trabalho conjunto e bem entrosado. Mauro
acerta no tempo cômico dos atores e realiza um trabalho bem feito com estética
de cinema e tecnicamente a contento. Ele sabe conduzir a tensão e momentos
frenéticos de boa forma, aliados por uma montagem inteligente e ágil que se
aproxima do conteúdo da internet do grupo “Porta dos Fundos” por exemplo
(liderado por Duvivier e Porchat), trazendo uma linguagem mais descolada. As referências ao universo pop e nerd desde a abertura, são
bem vindas se apropriando de uma linguagem mais descolada e atual. O roteiro peca em alguns momentos por não desenvolver melhor
os personagens de Felipe Abib e Bruno Mazzeo, e não adentrar em alguns dramas.
O personagem de Lucio Mauro Filho, que inclusive realiza aqui seu melhor papel,
tem uma dubiedade interessante, mas pouco desenvolvida. “Vai que dá certo” consegue ser uma divertida comédia sem
ser forçada com objetivo simples e com as excelentes interpretações de Porchat e
Duvivier . Não é que deu certo ?!

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