Ficha Técnica

Direção: Chris Butler, Sam Fell
Roteiro: Chris Butler
Vozes: Kodi Smit-McPhee, Anna Kendrick, Casey Affleck
Fotografia: Tristan Oliver
Trilha Sonora: Jon Brion
Produção: Travis Knight, Arianne Sutner
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Laika Entertainment
Classificação: 10 anos
País: EUA
Ano: 2012

 

O Animado Sexto Sentido de Norman

“Paranorman” apresenta-se como a mais recente animação da dupla, Chris Butler e Sam Fell, que são os mesmos criadores de “Coraline e O Mundo Secreto”. O filme integra a chamada “reinvenção” da arte animada, “bebendo”, explicitamente, no universo do cineasta Tim Burton (de “A Noiva Cadáver” e “O Estranho Mundo de Jack”) por abordar idiossincrasias humanizadas de seres humanos e de indivíduos de outros “mundos”. O “novo” gênero busca o diferente e o comum de cada um de nós, exacerbando estágios intrínsecos, mostrando, inicialmente, o “bullying” sofrido (geralmente defendido por muitos como excentricidade), para logo depois, em narrativa de construção, tornar obrigatória a aceitação de definições próprias. É inevitável a pergunta se estas obras são ou não para crianças. Como resposta subjetiva, acredito que sim e torço para que a realidade que vivemos possa ser introduzida em opções cinematográficas aos “pequenos”.
Norman Babcock (Kodi Smit-McPhee) é um garoto que consegue ver e falar com os mortos. Entretanto, o único que acredita em suas habilidades é Neil, um amigo excêntrico. Um dia, o tio de Norman conta sobre um importante ritual anual realizado na cidade, com o objetivo de protegê-la de uma maldição jogada por uma bruxa séculos atrás. Norman resolve ajudar no ritual, mas as coisas não saem como planejado e uma nuvem mágica faz com que os mortos se levantem das tumbas da cidade.
O roteiro não perde a chance de alfinetar a nossa hipócrita sociedade (que luta sem conhecer a causa da guerra), enaltecendo características próprias, de forma pejorativa sim, mas extremamente necessária. Há o “bombado”, que só pensa em malhar, mostrando burrice e sentimentalidade; a “fútil” que passa os dias pintando as unhas, falando no telefone e nunca leu um livro na vida; a senhora que usa creme antienvelhecimento, e a faz parecer igual um morto-vivo; o casal gay; entre outros estereótipos. É uma aula antropológica do comportamento social. A atmosfera da animação tende ao gênero de horror, podendo ser implicitamente lembrados os filmes de Bella Lugosi, da saga “Mortos-vivos”, “Super 8” e “Fome Animal” (um dos primeiros de Peter Jackson e um dos mais “nojentos” filmes da história do cinema), ao “brincar” com cenas, por exemplo, de pasta de dente na boca como gosma de vômito e braços caindo e sendo recolocados. O espectador pensa “Eca!”. É normal e mais do que esperado São fantasmas, zumbis, tema que qualquer nerd (independente de ser criança ou adulto) acompanha com verdadeira paixão incondicional e passional e lê a revista “Mundo Estranho”. Um longínquo pensamento ao filme “O sexto sentido” e a famosa frase “Eu vejo gente morta” passou pela minha mente.
“Ele tem um dom especial”, diz-se, ao contar que, o protagonista, conversa com fantasmas. Outra alusão crítica. A de que os mortos são mais interessantes, divertidos, simpáticos, carentes e ingênuos, em contrapartida aos “vivos”, que se mostram como defensivos, violentos, egoístas e individualizados pelo gigantesco “ego” (entendido como uma forma de poder dado pela própria sociedade que condena). A mente humana ganha complexidade por causa do próprio antagonismo de ideias e quereres flexíveis. “ParaNorman” foi feito seguindo a técnica do “stop-motion”, que se explica colocando bonecos (a textura é muito parecida com o que se vende nas lojas) fotografados em sequência, em pequenas diferenças, para que o espectador tenha a sensação de movimento. Concluindo, um filme extremamente inteligente, perspicaz, que respeita a inteligência do adulto e da criança, mesmo sendo “vendido” ao segundo público. Vale à pena assistir. Recomendo. Foram 28 bonecos de corpo inteiro, quase 8.800 rostos diferentes (por volta de 1,5 milhão de expressões faciais) e necessários três a oito meses para criar um novo personagem do início ao fim.
Os rostos dos bonecos e outras partes móveis foram criados em uma impressora 3D colorida. Mais ou menos, 31 mil partes individuais de rostos foram impressas para as filmagens, sendo a primeira vez que este método foi utilizado em um longa-metragem de animação em stop-motion. O cabelo de Norman tem 275 espetos, feito principalmente com pelo de cabra grudado em cola quente, gel, tecido, supercola, adesivo, linha e arame. Um ano para ficar pronta A sequência do banheiro, quando Norman é procurado pelo fantasma do Sr. Prenderghast, levou um ano para ser filmada. Mais de 250 faces diferentes foram usadas em um só personagem para criar uma cena que dura apenas 27 segundos.
Os Diretores
Chris Butler foi da equipe de criação, realizando Storyboards de “A Noiva Cádaver”, de Tim Burton, “Coraline e o mundo secreto”, “Tarzan II”, e character designer do filme “Tigrão, o filme”. Ator de “O Sobrevivente”, de Werner Herzog e decorador chefe em “Chaplin”. Sam Fell fez “O Corajoso Ratinho Despereaux” e “Por Água Abaixo”.

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