Ficha Técnica

Direção: Nanouk Leopold
Roteiro: Nanouk Leopold
Elenco: Sandra Hüller, Dragan Bakema, Sabine Timoteo, Ryan Brodie, Frieda Pittoors, Nicole Shirer, Ergun Simsek, Kuno Bakker, Gelijn Molier, Nilofer Raza
Fotografia: Frank van den Eeden
Trilha Sonora: Harry de Wit
Produção: Stienette Bosklopper, Ellen De Waele, Herbert Schwering
Distribuidora: Petrini Filmes
Estúdio: Circe Films / Coin Film / Serendipity films
Duração: 97 minutos
País: Holanda
Ano: 2010

 

A Vontade Própria da Ausência de Movimentação Cinematográfica

O “Movimento Browniano” é a movimentação aleatória (de vontade própria) de partículas macroscópicas, como consequência dos choques das moléculas do fluido, descoberta por Robert Brown, em 1827. Trocando em miúdos, apresenta-se relacionado à Teoria do Caos, que se explica que o bater de uma borboleta na china altera a ordem natural das coisas, modificando ações moleculares. A cineasta holandesa Nanouk Leopoldo, estreante na direção de um longa-metragem em língua inglesa (seus anteriores foram: “Wolfsbergen”, “Guernsey”, “Îles flottantes”), também assina o roteiro.
Charlotte (Sandra Hüller, de “Requiem”) e Max (Dragan Bakema, “Joy”, de Mijke de Jong) vivem com seu jovem filho em Bruxelas. Quando Max descobre que Charlotte tem se encontrado com alguns de seus pacientes homens em um apartamento alugado, a relação deles é posta à prova. Charlotte concorda em fazer terapia e é forçada a parar de trabalhar como médica. Quando se mudam para a Índia, ambos voltam a ser felizes. No entanto, parece que o passado não ficou completamente adormecido.
Conta-se a história sobre esta mulher, comum, casada e que possui “desvios de caráter”, por vivenciar os bizarros desejos, não compatíveis com uma sociedade julgadora e radical. Ao experimentar as vontades secretas, recriando um universo paralelo à catarse do seu “vício”, a personagem principal rompe as “partículas” da normalidade e do comodismo e entrega-se à luxúria “diferenciada” por quebrar padrões, deixando no ar, uma aura de perversão, de nojo, de estranheza (que não se consegue explicar), para aqueles que assistem a história, já para ela, significa a imergir na compaixão, no desigual, no defeituoso e na assimetria. “Meu marido é lindo, tenho vontade de toca-lo toda hora”, diz. “E então, o que faz você procurar o diferente?”, pergunta-se. A protagonista não sabe responder. Não sabe explicar o porquê do seu gosto duvidoso. O mais incrível é que o marido participa ouvindo, calado, a confissão da esposa, e não se manifesta. Talvez, tenha entendido o problema “psicológico”, talvez sinta culpa por algo não abordado, talvez a ame demais e ou talvez tenha o estimulado à movimentar “partículas”, “bagunçando” a rotina, fornecendo vida ao o que antes encontrava-se estático.
A diretora aproveita o que já comentei e transforma tudo em metáforas, principalmente ao usar ângulos estáticos, existenciais e reflexivos, simétricos e grandiosos (como construções abandonadas). A narrativa respeita o tempo das ações cotidianas e na maioria das vezes, tentando, personificar o que a personagem pensa e ou sente. É lento, porque funciona de construção da apresentação de um problema. A elipse não explicativa é recorrente. As ações mudam o tempo por indicações de outras ações. Quase não há diálogos, o silêncio e a incrível interpretação dos atores conduzem a trama. Porém, a repetição de algumas ações desequilibra o ritmo e instaura momentos de tédio cinematográfico, como por exemplo, as simulações dos pensamentos que duram minutos. Nesta hora, há a possibilidade do espectador dispersar da trama apresentada. Outro desequilíbrio envolve as reviravoltas, geralmente inseridas com “explosões”, fogem do contexto, sendo ora exageradas e ou ausentes. É apenas um comentário, já que o contexto totalitário consegue traduzir o resultado objetivado. Concluindo, um filme bom, que respeita o gênero reflexivo, de dentro para fora, denominando cinema submarino. Recomendo. Ganhou Melhor Diretor e Melhor Roteiro – Nanouk Leopold no NEDERLANDS FILM FESTIVAL 2011.
A Diretora
Nanouk Leopold nasceu em 25 de julho de 1968, na Holanda. Começou fazendo filmes para a televisão holandesa. Em 2001, ela lançou seu primeiro longa-metragem Îles flottantes (“Ilhas Flutuantes), como parte do projeto de No More Heroes, que também significou o filme de estreia de diretores Martin Koolhoven e Michiel van Jaarsveld. Em 2005, fez “Guernsey”,ganhando dois prêmios no Festival de Cinema Holandês e conseguiu seu selecionado para Une Réalisateurs Quinzaine des no Festival de Cinema de Cannes. Em 2007, dirigiu “Wolfsbergen”, que estreou no Berlinale, como fez seu filme depois que: O Movimento Browniano , seu filme Inglês primeiro falada. Atualmente, ela está trabalhando em seu primeiro filme baseado em um romance: Boven é het stil .

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