Por Narda Staël
Quando parecia que não tinha mais novidades sobre esse assunto, eis que surge o remake que estava a um bom tempo em pauta: “O Corvo”, filme gótico cult (The Crow, no original), uma adaptação cinematográfica da história em quadrinhos homônima de James O’Barr. O longa produzido em 1994, co-escrito por David J. Schow e John Shirley e dirigido por Alex Proyas trazia como protagonista Brandon Lee que acabou morto de verdade durante as gravações de uma das cenas. Essa produção tem quatro sequências que, embora sejam baseadas na mesma premissa, contam com personagens e enredos diferentes do original. São eles: O Corvo: A Cidade dos Anjos (The Crow: City of Angels), de 1996. O Corvo: A Salvação (The Crow: Salvation), de 2000 e o O Corvo: Vingança Maldita (The Crow: Wicked Prayer), de 2005. Todas as sequências não foram tão bem-sucedidas quanto o primeiro filme de 1994. Agora na refilmagem de 2011, John Cusack (“Quero Ser John Malkovich”) no papel principal, parece ter levado muito a ‘sério’ a missão de interpretar o autor americano Edgar Allan Poe, conseguindo fazer muito bem o escritor e protagonista, numa versão ficcionalizada dos últimos cinco dias da vida do poeta, cuja verdadeira morte é até hoje um mistério. Edgar Allan Poe é considerado um dos precursores da literatura de ficção científica, juntamente com Júlio Verne, e seus textos retratavam, entre outros temas, questões relacionadas à morte, cujos personagens transitavam entre a loucura e a lucidez. E um desses contos que foi ambientado sob essa ótica é “The Raven” (O Corvo). Reviver os últimos dias de vida de Edgar Allan Poe e a sua conturbada imaginação, e ainda dar nova luz à sua morte misteriosa é a receita ideal para atiçar a curiosidade de qualquer fã de suspense e do escritor. Sensação reforçada pelas primeiras cenas de O Corvo, inspiradas em um de seus contos mais famosos: Os Assassinatos da Rua Morgue. A trama é simples: um serial killer encena as histórias do autor e deixa um rastro de pistas e corpos em seu caminho, até que eventualmente a namorada (fictícia) do escritor, Emily Hamilton (Alice Eve de “Sex and the City 2″), é raptada e cabe a Poe usar sua esperteza e capacidade literária para encontrar a garota antes que seja tarde. Para auxiliá-lo na captura do criminoso, Poe vai contar com ajuda do detetive Emmet Fields (Luke Evans de “Os Três Mosqueteiros”). E assim começa a uma sequência de clichês: lábios costurados, uma cena em uma ópera e um baile de fantasias. Durante todo o filme são citados vários contos de Poe como Assassinatos da Rua Morgue e O Barril de Amontillado, um dos melhores momentos, com uma excelente referência a Fortunato como nome de um navio. Tem O Mistério de Marie Roget e O Abismo e o Pêndulo que é muito simplificado numa cena que quase perde o sentido, e ainda tem A Máscara da Morte Rubra que serve como gancho para atrair o protagonista a um jogo mortal. Com direção de James McTeigue (“V de Vingança”) e o roteiro da dupla Bem Livingston (“Todo Poderoso”) e Hannah Shakespeare (“Loverboy”), essa versão de O Corvo nos remete a uma boa mistura de A Lenda do Tesouro Perdido com Jogos Mortais, cumprindo muito bem a proposta a que veio: um thriller gótico. Já a péssima fase de John Cusack, que não emplacava um bom filme há uma década, parece que finalmente acabou. Para sorte dos fãs!
O Corvo
(The Raven, EUA/Hungria/Espanha, 2011)
Direção: James McTeigue
Roteiro: Ben Livingston, Hannah Shakespeare
Elenco: John Cusack, Luke Evans, Alice Eve, Brendan Gleeson, Kevin McNally
Duração: 110 minutos

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