Ficha Técnica

Direção: Pablo Croce
Roteiro: Pablo Croce
Elenco: Anderson Silva, Steven Seagal, Minotauro, Chael Sonnen, Dana White
Fotografia: Jeff Bollman, Pablo Croce, Haven Lamoureux
Música: Alec Puro
Produção: Jared Freedman
Distribuidora: Califórnia Filmes
Duração: 76 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2011
COTAÇÃO: BOM
A opinião
“Anderson Silva – Como Água” tenta, desde a primeira cena, traduzir o subtítulo pelas palavras “Esvazie a sua mente. Seja informe, amorfo, como a água, que não tem forma definida e se adapta a tudo”, de Bruce Lee, sobre meio de autoajuda, meio de artes marciais, utilizando a filosofia de controlar o pensamento, acreditar em si mesmo, a fim de que a vitória aconteça. O longa-metragem retrata a vida do lutador, Anderson Silva, campeão mundial peso médio de MMA, uma arte marcial mista, que inclui tanto golpes de combate em pé quanto técnicas de luta no chão, sendo “parente” do jiu-jitsu. Também chamado de UFC, Ultimate Fighting Championship, por tratar de confrontos finais, virou “moda” no mundo esportivo, competindo quase com pé de igualdade com o futebol brasileiro. A narrativa clássica, sem muitas novidades cinematográficas, traz à história a sua família; os treinos; momentos de relaxamento – e de concentração; as constantes viagens; a pressão dos “chefes” de trabalho e da mídia; a preparação (quando assiste outras lutas); e seus amigos lutadores Lyoto “O Dragão” Machida, Júnior dos Santos e Antônio “Minotauro” Nogueira. Há também o Anderson como técnico, ensinando e treinando possíveis “sucessos” profissionais. O nosso protagonista vê o esporte como profissão, no melhor estilo carteira de trabalho, já que treina, “faz o trabalho” de ganhar a luta e é pago por isso. A única diferença é que ele faz o que gosta.
“Podia ter ser sido jogador de futebol, mas acabei sendo lutador”, diz numa das incursões existencialistas do documentário, que resolve focar nos embates verborrágicos entre Anderson, e o americano Chael Sonnen (que utiliza termos depreciativos) pela defesa do título de sua carreira. É lógico que o roteiro apresenta-se unilateral, alfinetando em alguns momentos – definido como controverso e impaciente com “perguntas repetitivas e não inteligentes” dos repórteres –, quando Anderson fica girando sem fazer nada, “atrasando” a ação da luta, ou quando é chamado de gangster por usar moleton, brinco e boné, mas tudo é transpassado com o cuidado de que atleta em questão não perdesse a aura de “genialidade”. “Ele é o lutador mais talentoso do mundo. Ponto final”, diz-se. No filme, há ainda a amizade com o ator de filmes b, Steven Seagal. “Precisamos vender as lutas”, esperneiam os produtores e a direção do evento. Tudo preciso ser marqueteiro. O “Oscar da porrada” gera milhões de dólares. O documentário não poderia ser diferente. Tem que ser espetaculoso, com ações e reações de efeito, para que a adrenalina do instante visto pelo espectador possa influenciá-lo a aumentar o gosto pelo esporte.
Porém não é um filme direcionado a todos. Aproveita muito mais quem já curte as lutas de UFC. A vida do Anderson Silva é a luta e para mostrar uma há a necessidade de se mergulhar na outra. O roteiro não ensina as regras, apenas passeia pela emoção desenfreada e passional do locutor subjetivo, acrescentando pequenas análises familiares e “terapêuticas”, esta última porque resolve permanecer na superfície e na própria imagem pessoal criada por Anderson, como Anderson lutador, e ensaiada pelas câmeras sistematicamente projetadas e objetivadas pelo diretor Pablo Croce, um americano que se especializa em projetos interculturais. O cineasta busca também a dramaticidade do instante, mitigadas pela excelente trilha sonora de Moby. Concluindo, um filme básico, sem surpresas, que talvez não acontecesse, caso Anderson tivesse perdido a luta final. O resultado é bom, optando pela casca, a camada protetora, e não a epiderme. É exatamente isso: como água. O longa, com orçamento estimado de US$ 325 mil, teve sua première no Brasil no Festival de Cinema do Rio 2011.
Trailer


O Diretor
Primeiro longa-metragem do diretor Pablo Croce.

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