Ficha Técnica

Direção: Bent Hamer
Roteiro: Bent Hamer
Elenco: Nina Andresen Borud, Trond Fausa Aurvaag, Arianit Berisha, Joachim Calmeyer, Levi Henriksen, Cecile Mosli, Patrick Mölleken, Igor Necemer, Tomas Norström, Kai Remlow
Fotografia: John Christian Rosenlund
Música: John Erik Kaada
Direção de arte: Tim Pannen
Figurino: Karen Fabritius Gram
Edição: Pal Gengenbach e Silje Nordseth
Produção: Bent Hamer
Distribuidora: Imovision
Duração: 90 minutos
País: Noruega/ Suécia/ Alemanha
Ano: 2010
COTAÇÃO: BOM
A opinião
“Em Casa Para o Natal” aborda a época natalina usando o existencialismo de seus personagens, divididos em histórias paralelas, como um exemplo de filme coral, gênero famoso por ser utilizado pelos cineastas Robert Altman e Alejandro González Iñárritu. Cada participante deste longa metragem norueguês, locado em Skogli, vivencia o próprio drama, culpa, arrependimento e ou coragem a fim da transformação interior. Buscam resolver pendências aproveitando-se de um período que desperta a união da melancolia e da felicidade desmedida. Espera-se que no Natal a magia pulule o coração e a alma das pessoas, tanto faz quem acredita no significado ou não, se é católico ou não, se está sozinho ou agregado numa grande família. “33 anos não é uma idade boa no natal”, diz-se, referência crítica e depressiva ao fato de Jesus Cristo ter “morrido” com esta idade. O diretor Bent Hamer (de “Factotum”, sobre o escritor Charles Bukowski; “Caro Sr. Horten”, escolha, em 2007, da Noruega à indicação ao Oscar) imprime atmosfera de sofrimento realismo com música esperançosa, percebida explicitamente no final do filme.
É uma comédia de cotidianos (de erros e de acertos, e principalmente de possibilidades resignadas) mais dramática que propriamente engraçada. Os personagens apresentam-se de fora para dentro. Paul, um trabalhador de 33 anos, vai ao médico em busca de uma receita. O doutor, por sua vez, está preocupado com seus problemas financeiros e matrimoniais. Há também um velho que prepara um ritual esotérico, um casal de meia idade e um garoto sem-teto que se apaixona pela vizinha muçulmana. O espectador assiste primeiro o porquê para depois embarcar na sinestesia da dor transpassada, muitas das vezes com um silêncio quase mórbido. Ora mostra o sexo sem pudor para depois mitigar o desejo da felicidade. Ora o susto e depois a curiosidade. “Ser cristão só no natal é bobagem”, diz e questiona-se sobre as tradições supersticiosas desta época, como ascender a estrela da árvore de natal. A narrativa fragmenta-se entre as histórias metafóricas, em elipses temporais, em certos casos não finalizando a ação. Vai e volta, realizando assim, que quem assiste monte o quebra-cabeças.
“Tudo precisa mudar no Natal”, reverbera-se. A solidão de um busca a solidão do outro para se completar. A fotografia escura, noturna, às vezes alaranjada, aludindo às luzes de um pisca-pisca, direciona a cada um comemorar do próprio jeito, gerando ações desesperadas, que beiram o absurdo, porém recheado de fatos críveis. Os elementos tradicionais do natal, como o Papai Noel, são usados ao bem comum para que assim possam conseguir “presentes” momentâneos de alegria. É inevitável o apelo emocional e sentimental. A explicação é até pertinente. O filme utiliza-se de clichês simbólicos com o intuito de criticar o próprio universo abordado. Mas excede no tempero quando cria a ingenuidade, como por exemplo, na cena em que faz graça com o boné do menino Jesus e finalizando com a aurora boreal, passando a mensagem que todos possuem opções, seguido de uma música pop. Concluindo, um bom filme, com interpretações contidas e internalizadas. Vale à pena conferir, mas não espere tanto. Aproveite o espírito, mesmo melancólico, do Natal! Ho Ho Ho!
O Diretor
Bent Hamer, nascido em Sandefjord , Noruega , em 1956, estudou teoria do cinema e literatura na Universidade e da Escola de Cinema de Estocolmo. Seu primeiro filme “Ovos” estreou no Festival de Cinema de Cannes 1995. Seu filme de 2003 “Histórias de Cozinha”, exibido em vários festivais internacionais, foi a apresentação da Noruega para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em abril de 2004 , dirigiu “Factotum”, baseado no romance de mesmo nome do poeta e escritor americano Charles Bukowski. Hamer é o proprietário e fundador da Associação de Cinema Bulbul, estabelecido em Oslo em 1994 .

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