Ficha Técnica
Direção:‭ ‬Steven Spielberg
Roteiro:‭ ‬Lee Hall,‭ ‬Richard Curtis,‭ ‬baseado no livro de Michael Morpurgo
Elenco:‭ ‬Jeremy Irvine,‭ ‬Tom Hiddleston,‭ ‬David Thewlis,‭ ‬Emily Watson,‭ ‬Benedict Cumberbatch,‭ ‬Toby Kebbell,‭ ‬Peter Mullan,‭ ‬David Kross,‭ ‬Eddie Marsan,‭ ‬Geoff Bell,‭ ‬Niels Arestrup
Fotografia:‭ ‬Janusz Kaminski
Música:‭ ‬John Williams
Direção de arte:‭ ‬Andrew Ackland-Snow,‭ ‬Alastair Bullock,‭ ‬Molly Hughes,‭ ‬Kevin Jenkins,‭ ‬Neil Lamont e Gary Tomkins
Figurino:‭ ‬Joanna Johnston
Edição:‭ ‬Michael Kahn
Efeitos especiais:Framestore‭ ‬/‭ ‬The Third Floor
Produção:‭ ‬Kathleen Kennedy,‭ ‬Steven Spielberg
Distribuidora:‭ ‬Walt Disney Pictures
Estúdio:‭ ‬DreamWorks SKG; Amblin Entertainment‭; ‬Touchstone Pictures‭; ‬Reliance Entertainment‭; ‬The Kennedy; Marshall Company
Duração:‭ ‬146‭ ‬minutos
País:‭ ‬Estados Unidos /‭ ‬Reino Unido
Ano:‭ ‬2011
COTAÇÃO:‭ ‬BOM


A opinião
“Cavalo de Guerra” apresenta-se como o mais recente filme do diretor Steven Spielberg. É inevitável a expectativa, devido à carreira emocional deste cineasta, que muitas vezes, soa autobiográfica, expressando pelo fato de ser judeu e pelo amor incondicional ao cinema. Esta paixão é observada ao longo de sua filmografia. Uma das características é a inserção do elemento emocional, manipulando tanto pela trilha sonora de John Williams – parceiro de longa data, de sucessos como “Tubarão” (1975), “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (1977), “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) e “E.T., o Extra-terrestre” (1982) – quanto pela história em si. Spielberg conserva o lado passional de adolescente que amadurece com as reviravoltas do caminho percorrido. Este fator é tão explícito que Kevin Williamson criou a série televisiva “Dawson´s Creek”, tendo como protagonista o sonhador Dawson Leery (James Van Der Beek), um apaixonado por cinema, principalmente pelos filmes do diretor em questão aqui, extremo defensor dos existencialismos e positivismos, em cenas antológicas. Dawson cresce com os percalços de sua trajetória, não perdendo a fantasia e o otimismo, mas adquirindo realismo, como o discurso de uma professora de cinema no colégio. “A sua produção é frouxa, totalmente insípida, não existe enredo, com diálogos inverossímeis. Uma novela grotesca, cheios de hipérboles auto-referenciais e clichês disfarçados de paródia, quase um plágio. Hollywood vai te comer vivo”. Assim como o protagonista, Steven Spielberg realiza o crescimento de seus personagens. Em “Cavalo de Guerra”, o espectador infere inúmeras características (e referências) ao seu trabalho e a outros filmes. É um longa-metragem que personifica um cavalo em protagonista real, quase humano, por causa das reações interpretativas deste animal. Repetimos sem parar a pergunta “Como foi que o diretor encontrou este ator maravilhoso?”, estou falando do ser de quadrúpede. “Como foi que conseguiu extrair tamanha sutileza, com enorme sensibilidade?”. O ponto mais importante é a figura animal, sem dúvida, que tanto permeia todo o filme, quanto gera a sinestesia de quem assiste. A narrativa mescla inúmeros gêneros cinematográficos e homenagens. Pode ser visto como um filme de guerra, lembrando o início magistral de “O Resgate do Soldado Ryan”; pode ser digerido como um faroeste de John Ford, por causa dos ângulos de câmera e a velocidade empregada; pode remeter a “Império do Sol”, principalmente por mitigar, momentaneamente a visão de um personagem; e a cena mais marcante do filme, que é a do final, com fotografia sombreada, de uma beleza impar, pode ser referenciada ao clássico “ E o Vento Levou…”.
É uma colcha de retalhos, talvez épico, talvez novelesco, por ser baseado no livro best-seller homônimo de Michael Morpurgo, lançado em 1982, que conta a história de Ted Narracot (Peter Mullan), um camponês destemido e ex-herói de guerra. Com problemas de saúde e bebedeiras, batalha junto com a esposa Rose (Emily Watson) e o filho Albert (Jeremy Irvine) para sobreviver numa fazenda alugada, propriedade de um milionário sem escrúpulos (David Tewlis). Cansado da arrogância do senhorio, decide enfrentá-lo em um leilão e acaba comprando um cavalo inadequado para os serviços de aragem nas suas terras. O que ele não sabia era que seu filho estabeleceria com o animal uma conexão jamais imaginada. Batizado de Joey pelo jovem, os dois começam seus treinamentos e o cavalo desenvolve aptidões, mas a 1ª Guerra Mundial chega e a cavalaria britânica o leva embora, sem que Albert possa se alistar por não ter idade suficiente. Já nos campos de batalha e durante anos, Joey mostra toda a sua força e determinação, passando por diversas situações de perigo e donos diferentes, mas o destino reservava para ele um final surpreendente. O filme tenta seguir a lógica das tramas clássicas: simples, palatáveis, sem muitas histórias paralelas, mas com reviravoltas da mesma, prendendo a atenção do espectador, que sofre e luta pelo protagonista (o cavalo), despertando o sentimento mais primário do ser humano. Podemos perceber outras características narrativas. O pai cansado, teimoso, autoritário e defensivo, na bebida e nas relações sociais. A mãe obediente, caseira, resignada, apoiando a família. O filho passional, catártico, impulsivo, sonhador, livre das marcas da vida (ainda).
O avô que prefere olhar para baixo para sobreviver à Guerra. A neta que imprime quase a mesma inerência do criador do cavalo. O elemento metafórico da guerra busca explicar o embate de cada dia, a nossa guerra diária. A necessidade de ser persistente, desafiador e não desistir nunca. As situações motivam aprendizados, como limitações definidoras que são desarticuladas, tanto a figura animal, quanto a figura pensante. No roteiro, cavalos não são cães, mas possui um instinto e perspicácia que se assemelha ao individuo social, retirando a influência destruidora, apenas mantendo a base, o bruto, a incondicionalidade do momento. O espectador pode rebater dizendo que a estrutura é piegas e clichê, piorando quando a mistura é a máxima apresentada. Mas isto já é fato conhecido do diretor, como por exemplo, em “A Cor Púrpura”, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, “E.T”, até mesmo no seu filme mais adulto “Amistad”, não esquecendo a polêmica que envolveu o último filme de Stanley Kubrick “A.I – Inteligência Artificial”, quando a obsessão por extraterrestres fala mais alto e o melodrama precisa acontecer a fim de corroborar a estrutura já definidora de Spielberg. O choro é uma conseqüência esperada, não por ingenuidade ou pretensão, mas porque atinge a verdadeira essência da alma humana. Com certeza, o filme comporta-se como frágil, apelando a gatilhos comuns, como na cena de união entre inimigos, mostrando que a guerra é algo sem sentido, com jovens despreparados e influenciados por um discurso unilateral de um ditador com sérios problemas psicológicos. Ser forte é o axioma visto (pelos que ainda não perderam a esperança) de forma não questionadora, repetido como elemento de auto-ajuda, para que assim a sobrevivência ocorra e o orgulho permaneça, com vitória ou não. Concluindo, um filme que merece ser visto, muito mais pela interpretação magnífica do cavalo (que deveria sim ser indicado ao Globo de Ouro e ou ao Oscar) do que pela história em si e pelos humanos que a constituem; e pela trilha sonora melodramática, mas estonteante, de John Williams. Inteiramente rodado em diversas locações da Inglaterra, no Reino Unido. É o primeiro filme de Steven Spielberg a ser editado digitalmente. O diretor era um defensor ardoroso do método antigo, com a película sendo cortada manualmente na mesa de edição. Indicado ao GLOBO DE OURO 2012 nas categorias Melhor Filme – Drama e Melhor Trilha Sonora.
O Diretor (fonte: wikipedia)
Steven Allan Spielberg, KBE (Cincinnati, 18 de dezembro de 1946) é um cineasta e empresário norte-americano. Spielberg é o diretor que mais tem filmes na lista dos 100 Melhores Filmes de Todos os Tempos, feita pelo American Film Institute. Ele é considerado um dos cineastas mais populares e influentes da história do cinema. Até o momento a rendimento bruto de todos os seus filmes, em todo o mundo, é de mais de $8.5 de dólares. A Forbes calcula a riqueza de Spielberg em $3.0 bilhões de dólares.
A infância
Filho dos judeus Leah Posner Spielberg Adler, restauradora e pianista de concerto, e Arnold Spielberg era um engenheiro elétrico envolvido no desenvolvimento de computadores. Nasceu na cidade de Cincinnati, mas morou grande parte da sua vida em Phoenix. Quando ainda criança foi para a Califórnia aos cuidados de Zalman e Pearl Segal após a separação de seus pais, enquanto suas três irmãs ficaram com a mãe no Arizona. Irmão mais velho de três irmãs, que quase sempre eram usadas como cobaias em seus filmes caseiros. Assim como a grande maioria dos cineastas, começou a filmar com uma câmera super-8 ainda na sua infância. De família judaica, Spielberg sofria preconceito por intermédio de brincadeiras anti-semitas. Muitas delas pelos próprios vizinhos.
Assim como outros talentos da área, Spielberg nunca foi um aluno aplicado. Na época de entrar para a faculdade não conseguiu vaga no curso de cinema da Universidade da Califórnia. Terminou por cursar literatura inglesa em outra escola.
Os primeiros passos
Aos 13 anos de idade Spielberg venceu seu primeiro concurso de curta-metragem com o filme Fuga do Inferno, o filme tinha duração de 40 minutos e retratava fatos sobre guerra. Aos 16 fez seu primeiro filme em Super 8, chamado Firelight, este filme foi exibido em uma sala de teatro local que fora alugada por seu pai. No mesmo ano, 1969, fez sua estréia profissional com o curta-metragem Amblin, que conta a história de um casal de jovens que se encontra no deserto de Mojave, este curta tinha duração de 24 minutos e foi exibido no Festival de Filmes de Atlanta e foi premiado em festivais importantes como o Festival de Veneza. Nessa época, o jovem e já premiado cineasta resolveu seguir carreira e tentou entrar no conceituado departamento de filmes da University of Southern California, onde não foi aceito, indo estudar na Universidade Estadual da Califórnia, onde fez cinco filmes.
O início da carreira
Após Amblin, Spielberg assinou um contrato com a Universal, onde teria a oportunidade de dirigir o seu primeiro longa-metragem em 1971, Encurralado (1972). Produzido para a televisão, fez tanto sucesso que acabou por ser lançado nos cinemas. Em pouco tempo passou a dirigir episódios de séries de televisão como Marcus Welby M.D. e Columbo, porém o sucesso da versão para o cinema de Encurralado impulsionou a carreira do diretor e o levou de volta aos cinemas.
O seu próximo trabalho seria Louca Escapada (1974), filme elogiado pela crítica mas fracasso de público. Esta produção marcou o início da parceria entre ele e o compositor John Williams.
Em 1975 Spielberg dirigiu aquela que é considerada a obra seminal dos blockbusters, Tubarão. O filme foi um sucesso de bilheteria, faturando mais de 100 milhões de dólares e conquistou platéias do mundo inteiro, em sua maioria jovens, com a trama sobre uma cidade litorânea aterrorizada por um tubarão gigante. A partir deste filme, os grandes estúdios passaram a investir no modelo que atraía multidões às salas de cinema do Hemisfério Norte durante o verão, instaurando um estilo moderno de super produção, com elevados custos de marketing e efeitos especiais.
A trilha de Tubarão foi composta por seu amigo Williams, classificada inicialmente por Spielberg como uma “piada”, até hoje é reconhecida e imitada. O filme teve outras continuações, nenhuma contou com a participação de Spielberg.
A conquista do sucesso
Logo após o sucesso de Tubarão, praticamente todos os seus trabalhos foram sucesso.
Em 1977, o lançamento de Contatos Imediatos de Terceiro Grau, rendeu a Spielberg sua primeira indicação ao Oscar na categoria melhor diretor.
Em 1979 obteve seu primeiro fracasso em 1941 – Uma Guerra Muito Louca (1979) insucesso de bilheteria e crítica o filme era uma comédia sobre uma suposta invasão da Califórnia por japoneses após o ataque a Pearl Harbor. O fiasco só foi superado em 1981, quando o diretor emplacou Os Caçadores da Arca Perdida, através da conciliação de entretenimento com qualidade artística. Este filme lhe rendeu uma nova indicação ao Oscar, mas Spielberg não venceu. O filme protagonizado por Harrison Ford e produzido por George Lucas, firmou Spielberg entre os maiores diretores de Hollywood. O filme ainda teve duas seqüências, Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984) e Indiana Jones e a Última Cruzada (1989).
Em 1982, sua consagração definitiva veio com o lançamento de E.T, o Extraterrestre, que registrou a maior arrecadação da história do cinema até então, e rendeu uma nova indicação ao Oscar. Mas, novamente ele não a conquistou.
Em 1985, com A Cor Púrpura conseguiu provar para a crítica que também era capaz de fazer filmes adultos, com Whoopi Goldberg no elenco este filme recebeu 11 indicações ao Oscar onde o diretor experimentou um projeto mais maduro e controverso que seguiu na mesma linha, em 1987, com o lançamento de O Império do Sol.
Em 1989 enfrentou um novo fracasso com o filme Além da Eternidade.
Seu próximo sucesso comercial ocorreria somente em 1991, com Hook – A volta do Capitão Gancho, apesar de ter sido recebida com frieza pela crítica.
A consagração da carreira
Em 1993, dois filmes do diretor lotaram as salas de cinema em todo o mundo. O primeiro, Jurassic Park, voltou a quebrar recordes e se tornou o maior fenômeno de bilheteria do cinema até aquela data. Já o segundo era um projeto de valor pessoal, A Lista de Schindler, que retratava o martírio dos judeus na Segunda Guerra Mundial. Foi por este último que Spielberg finalmente conseguiu a sua primeira estatueta do Oscar como Melhor Diretor.
Neste momento, Spielberg já tinha sua carreira consagrada o que lhe proporcionou a conquista de um novo objetivo fundando a DreamWorks SKG em sociedade com Jeffrey Katzenberg, da Disney, e David Geffen, proprietário da gravadora Geffen Records. Até então Hollywood não testemunhava o surgimento de um novo grande estúdio havia 75 anos.
Foi com o filme Amistad, de 1997, que Spielberg inaugurou suas produções pela Dreamworks, mas neste mesmo ano o filme que arrebatava as bilheterias era Titanic o que fez com que o filme obtivesse um fraquíssimo desempenho nas bilheterias.
A recuperação veio no ano seguinte, com O Resgate do Soldado Ryan. Mais uma vez Spielberg utilizava o tema da segunda fgande guerra, revelando a sensibilidade do diretor de origem judaica com o tema. Esta ligação de Spielberg com a segunda guerra é forte, já que a avó de Spielberg sobreviveu a um campo de concentração na Polônia, e o pai serviu o exército durante a guerra, no sudeste asiático. Por este filme, Spielberg foi premiado com um segundo Oscar de melhor diretor.
Os dois longas seguintes não agradaram a crítica, A.I. – Inteligência Artificial, de 2001 e Minority Report, lançado em 2002, este segundo considerado um pouco melhor. Ainda em 2002 uma nova recuperação veio com o lançamento de Prenda-me se For Capaz, um filme considerado despretensioso mas ainda assim envolvente. Seu lançamento seguinte manteve-se na mesma linha, O Terminal, de 2004 que foi seguido pelo lançamento do suspense de ficção científica Guerra dos Mundos, lançado em 2005, que registrou outro sucesso para o cineasta. Em 2006, Spielberg, continuando a alternar blockbusters e produções consideradas mais “sérias”, com grandes temas, lançou Munique, sobre a caçada aos assassinos de onze atletas da delegação israelense durante os Jogos Olímpicos de 1972.
Spielberg também obteve sucesso como produtor. A lista é extensa, mas alguns dos filmes mais conhecidos são: Poltergeist (1982), Gremlins (1984),””Os Goonies”” (1985), a trilogia De Volta Para o Futuro e MIB – Homens de Preto (1997).
Vida pessoal
Atualmente é casado com a atriz Kate Capshaw, tem seis filhos; um deles com sua ex-esposa, a também atriz Amy Irving, atual esposa do diretor brasileiro Bruno Barreto.
DreamWorks
No início de 2006 Spielberg vendeu a DreamWorks para o estúdio Paramount, mas manteve-se como seu principal executivo.
Em setembro de 2008, a DreamWorks, a Viacom Inc e a Universal Pictures foram acusadas de infringir os direitos autorais e quebrar um contrato por produzirem Paranóia sem a permissão dos detentores dos direitos da trama, segundo o processo. Spielberg, fundador da Dreamworks, é citado como réu. O filme obteve cerca de 80 milhões de dólares nas bilheterias norte-americanas.
De acordo com o processo, aberto pela Sheldon Abend Revocable Trust, a base do filme de Hitchcock foi Assassinato de uma Janela, conto de Cornell Woolrich. Hitchcock e o ator James Stewart obtiveram os direitos de adaptação da história para os cinemas em 1953. O processo alega que a DreamWorks deveria ter feito o mesmo.
Steven Spielberg estrela na calçada da fama
Spielberg tem trabalhado ultimamente na adaptação do clássico em quadrinho de The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn, como diretor, e no drama de Primeira Guerra Mundial War Horse, também como diretor.

Bastidores

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