Ficha Técnica
Diretor: Bruce Beresford
Roteiro: Jan Sardi
Elenco: Bruce Greenwood, Kyle MacLachlan, Joan Chen, Chi Cao, Amanda Schull, Penne Hackforth-Jones, Christopher Kirby
Fotografia: Peter James
Música: Christopher Gordon
Direção de arte: Elaine Kumishko
Figurino: Anna Borghesi
Edição: Mark Warner
Produção: Jane Scott
Distribuidora: The Samuel Goldwyn Company; California Filmes
Duração: 117 minutos
País: Austrália
Ano: 2009
COTAÇÃO: REGULAR
A opinião
“O Último Dançarino de Mao”, baseado no livro autobiográfico de Li Cunxin, conta a história de um menino, que aos onze anos de idade, foi escolhido de uma pobre aldeia chinesa para estudar balé na escola de dança de Madame Mao, em Pequim, em 1972. Mao Tse-Tung, um político, teórico, líder comunista e revolucionário chinês, liderou a República Popular da China desde a sua criação em 1949 até sua morte em 1976. Sua contribuição teórica para o marxismo-leninismo, estratégias militares, e suas políticas comunistas são conhecidas coletivamente como maoísmo. Uma de suas políticas era “exportar” as habilidades do país, como a balé, tema em questão aqui. Muitos chineses acreditam que o líder lançou os fundamentos econômicos, tecnológicos e culturais da China moderna, transformando o país de uma ultrapassada sociedade agrária em uma grande potência mundial. Além disso, Mao é visto por muitos como um poeta, filósofo e visionário. O filme passa também por Deng Xiaoping, que assumiu o poder em 1978, abandonando muitas políticas maoístas em favor de reformas econômicas. Com esse pano de fundo, o diretor australiano Bruce Beresford (de “A Última Dança”, com Sharon Stone; “O Contrato”, com Morgan Freeman; e o mais conhecido dele “Conduzindo Miss Daisy”, de 1989, vencedor do Oscar em quatro categorias, incluindo melhor filme) aborda seu tema favorito: a dança clássica, dirigindo diversas óperas. O cineasta opta pelo tom novelesco, inserindo inúmeras características deste gênero, como lembranças fragmentadas, câmeras lentas, música de efeito (que procura a emoção – não sutil – do espectador) e interpretação palatável, de fácil assimilação e extremamente teatral.
A narrativa intercala períodos de tempo a fim de transpassar a história. Assim temos o personagem principal Li Cunxin criança (pelo ator mirim Wen Bin Huang, excelente no papel), adolescente (por Chengwu Guo) e adulto (Chi Cao). A trama segue e apresenta a entrada do protagonista, em 1979, a Companhia Houston Ballet durante um intercâmbio cultural no Texas, onde começa uma vida nova e livre. Os oficiais chineses tentam levá-lo de volta à China, mas manobras legais e o casamento com uma bailarina americana conseguem mantê-lo nos EUA. Para lutar pelos seus sonhos, porém, ele terá de abandonar para sempre sua família. Ao longo do filme, Bruce mescla o tema político – criando a crítica aos ensinamentos de Mao – com o tema de amor, tanto pela jovem bailarina frustrada, tanto pelo balé. “Toda vez que danço, danço pela minha família”, diz. O roteiro deseja a lágrima de quem assiste. Busca a fundo, atrapalhando a sutileza, como a presença dos pais no quase final, e ou desandando ao clichê quando retorna a sua cidade natal. É melodramático e amador – por imprimir uma ingenuidade, que mais incomoda do que acrescenta, porém que pela visão do diretor tem a finalidade de conservar “corações inocentes”.
Li Cunxin é inocente porque acredita sem questionar na política (estilo de vida) de Mao. “Meu pai ganha cinqüenta dólares por ano e você gasta quinhentos em roupas para mim”, diz. As interpretações são direcionadas ao gênero novelesco, já comentado. Podemos traduzi-las como forçadas, preguiçosas, querendo a conivência sentimental do espectador. É fato indiscutível a necessidade da fantasia para com a escolha objetivada. Mas ao tornar a ação recorrente ao óbvio, o contexto torna-se danoso à estrutura apresentada, mitigando a cumplicidade. A logística fílmica atinge elementos comerciais, dramáticos e de efeito, que prendem a atenção do espectador, já que a história é básica e simples. Não há críticas ao argumento, mas sim à forma cinematográfica. Com um ou outro ângulo de câmera diferenciado, a parte técnica não adiciona, apenas retrata. Os atores, devido à preguiça da preparação inicial, soam caricatos, com suas caras e bocas, como a cena em que o protagonista chega aos Estados Unidos. Quanto à resolução das reviravoltas, também se escolhe a mais rápida. Tudo é um mar de rosas. Concluindo, é um filme novela, com todos os elementos característicos do gênero. Aos espectadores que esperam assistir cinema, estejam preparados. É palatável, de fácil assimilação, com inúmeros gatilhos comuns, que afastam mais e mais a credibilidade do espectador que busca algo a mais. É um longa-metragem que merece ser visto como diversão e entretenimento. Nada mais. Vencedor de Melhor Filme Estrangeiro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2009.
O Diretor
Bruce Beresford nasceu em Sydney, 16 de agosto de 1940. Estudou na Universidade de Sydney, em 1962. Estreou em longas com The Adventures of Barry McKenzie (1972). Dirigiu também A Força do Carinho (1983), Oscar de melhor ator e roteiro original, e Crimes do Coração (1986), indicado a três Oscars. Com Conduzindo Miss Daisy (1989), foi vencedor de quatro Oscars, incluindo o de melhor filme. Dirigiu ainda Paz, Amor e Muito Mais (2011), também presente nesta edição do Festival. Dirigiu diversas óperas e ganhou um prêmio com a melhor produção de ópera em 1991, na Austrália.
Filmografia
2009 – O Último Dançarino de Mao (Mao’s Last Dancer)
2006 – O Contrato (The Contract)
2003 – E Estrelando Pancho Villa (And Starring Pancho Villa as Himself)
2002 – Evelyn
2001 – Bride of the wind
1999 – Risco Duplo (Double Jeopardy)
1999 – Sydney: A story of a city
1997 – Um Canto de Esperança (Paradise Road)
1996 – A Última Chance (Last Dance)
1994 – Testemunha do silêncio (Silent fall)
1994 – Jogos de conexão (A good man in Africa)
1993 – Uma Razão para o Amor (Rich in Love)
1991 – Hábito negro (Black robe)
1990 – No coração da África (Mister Johnson)
1989 – Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy)
1989 – Adorável sedutora (Her alibi)
1987 – Aria (Aria)
1986 – Crimes do Coração (Crimes of the Heart)
1986 – The Fringe dwellers

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