Ficha Técnica
Direção: Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol
Roteiro: Alain Gagnol, Jacques-Rémy Girerd
Elenco: Dominique Blanc, Bruno Salomone, Jean Benguigui, Bernadette Lafont, Oriane Zani, Bernard Bouillon, Patrick Ridremont, Jacques Ramade, Jean-Pierre Yvars, Patrick Descamps
Trilha Sonora: Serge Besset
Edição: Hervé Guichard
Produção: Jacques-Rémy Girerd
Distribuidora: Bonfilmes
Estúdio: Folimage
Duração: 70 minutos
País: Bélgica/ França/ Holanda/ Suíça
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM
A opinião
“Um Gato em Paris”, animação estreante da dupla francesa Jean-loup Felicioli e Alain Gagnol, do conceituado estúdio Folimage É um filme pequeno, com seus setenta minutos, incluindo os créditos finais. Mas é extremamente interessante pela diversidade de metáforas, simbolismos e silêncios. Há uma atmosfera de gênero de filme Noir colorido, por apresentar as ações e personagens de forma blasé, como uma caricatura humanizada e realista, baseando-se na liberdade poética da fantasia. Dino é um gato que esconde uma vida dupla: durante o dia, aproveita os carinhos de Zoé, uma garotinha que não fala, enquanto à noite sai em companhia de Nico, um sofisticado ladrão de jóias. O gato costuma trazer presentes para sua dona, como aranhas e lagartixas, até que um dia lhe traz uma jóia. Jeanne, a mãe de Zoé, é a delegada de polícia que está à procura desse misterioso ladrão. Porém, ela terá que enfrentar Victor Costa, um gângster muito perigoso, que põe a vida de Zoé em risco.
O roteiro passeia pelo maniqueísmo. Os personagens utilizam-se das regras sociais até certo ponto. A necessidade faz o ladrão, já dizia o ditado popular. Um ladrão é chamado de gato, gatuno, porque surrupia objetos. A referência narrativa atinge esse questionamento, principalmente quando insere a trilha sonora jazzista (magnífica) de Serge Besset. Outro elemento encantador é como Paris é mostrada: pelos tetos dos edifícios e casas, utilizando-se da técnica de deslocamento, Le Parkour, criada na França, uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto — e pode ser praticado em áreas rurais e urbanas.
Os personagens quase não andam, pulam de um canto a outro, independentemente de estarem ou não fora do peso. A animação segue o princípio clássico, tradicional, trazendo gênero policial ao universo infantil. Uma criança entristecida e muda, por causa da morte de seu pai, convivendo com o plano de vingança da mãe (a qualquer preço), é cuidada pela babá. Assim, a mãe a deixa de lado, julgando o jeito diferente da filha. Os diálogos extremamente perspicazes, sóbrios, maduros, adultos, servindo igualmente às crianças, dividem-se com o silêncio individualizado e defensivo de cada um. Há equilíbrio. O tom funciona, traduzindo um filme que vale a pena ser visto. Selecionado para a mostra Geração do Festival de Berlim 2011; exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2011 e no Festival do Rio 2011.
Os Diretores
Alain Gagnol nasceu em 1967, na França. Estudou animação e design na Escola Émile Cohl, em Lyon. É animador do estúdio Folimage desde 1988. Jean-Loup Felicioli nasceu na França, em 1960. Estudou em escolas de arte em Annecy, Estrasburgo, Perpignan e Valença. Trabalha para o mesmo estúdio desde 1987. Juntos, já dirigiram diversos curtas-metragens, dentre eles L?egoïste (1997). Este é o primeiro longa da dupla.

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