“Uma obra de arte”

A opinião (por Fabricio Duque)

“Mãe e Filha”, dirigido por Petrus Cariry (de “O Grão”), participa do gênero autoral cinematográfico ao inserir tempo; contemplação; simplicidade; existencialismo; poesia crua e cotidiana; silêncio; e economicidade à narrativa apresentada, que aborda mãe e filha, que depois de uma longa separação, encontram-se no sertão, em um lugarejo fantasma, entre ruínas e lembranças. O destino da filha nega o sonho da mãe. O passado é um círculo que aprisiona os vivos e os mortos. A filha quer romper esta linha, mas as sombras estão à espreita. Petrus é um diretor que precisa de tempo, precisa sentir o lugar e o filme. Com isso, ele reinventa a maneira de se fazer cinema, indo além das novidades. É um longa-metragem metafórico que se utiliza da vida – e da mórbida esperança – a fim de questionar o tema da morte, tão presente na filmografia do cineasta. Assim como o cinema realista, ele escalou não atores, mitigando a definição entre realidade e fantasia, ficção e documentário. Petrus assume, além da direção, as funções: roteiro, montagem, fotografia e produção. Com orçamento estimado de 250 mil reais, o filme é uma obra de arte. Com interpretações espetaculares, imagens e ângulos simétricos e uma carga dramática na medida, longe de ser clichê. Resignações, loucuras, pressa, estranheza, os Cavaleiros do Apocalipse, o neto salvador, tudo pode ser considerado simbolismo. Tudo tem um motivo. É sóbrio, encantador, pueril, cruel, direto, suavizado, angustiante e obrigatório. Não perca!

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