Ficha Técnica
Direção: Tom Tykwer
Roteiro: Tom Tykwer
Elenco: Sophie Rois, Sebastian Schipper, Devid Striesow, Annedore Kleist, Angela Winkler, Alexander Hörbe, Winnie Böwe, Hans-Uwe Bauer
Fotografia: Frank Griebe
Música: Reinhold Heil, Johnny Klimek, Gabriel Isaac Mounsey, Tom Tykwer
Direção de arte: Kai Koch
Figurino: Polly Matthies
Edição: Mathilde Bonnefoy
Produção: Stefan Arndt
Distribuidora: Lume Filmes
Estúdio: X-Filme Creative Pool; Westdeutscher Rundfunk (WDR); Arte
Duração: 119 minutos
País: Alemanha
Ano: 2011
COTAÇÃO: MUITO BOM
A opinião 

Por Marise Carpenter
“Sem correria”. Dirigido por Tom Tykwer (de “Corra Lola Corra”). Com Sophie Rois, Sebastian Schipper, Devid Striesow, Annedore Kleist, Angela Winkler. Para a evolução da ciência é bom que não haja preconceito nem limite por parte dos cientistas. É preciso estarem abertos à vida para as descobertas se darem e para isso há que haver amor de sobra. É assim com o cientista Adam, o personagem 3 do filme Triângulo Amoroso (Three). Sua vida pública não difere da sua vida privada e essa harmonia faz com que ele observe as contingências da vida de maneira sutil como se as visse através de um microcópio, como uma pesquisa. Seus atos são éticos e calmos. Ele não rotula, não obriga, não desrespeita os seres. Age, observa, e se estes o aceitarem, reage. Ao final do filme tenho a sensação de que tudo transcorreu como numa experiência de laboratório: etapa por etapa, tudo no seu tempo, todos em sintonia, para chegar ao estado de graça da criação. Sem correria.
A opinião 

por Fabricio Duque
“Triângulo Amoroso” inicia-se mostrando cotidianos em imagens estilo videoclipe (em velocidade), demonstrando verborragia tanto na ação quanto no diálogo. Logo depois, a tela fragmenta-se, dividindo instantes. Assim, retrata-se, aos poucos, em elipses, a história do casal de meia-idade, Simon (Sebastian Schipper, de “Corra Lola, Corra”, “O Paciente Inglês”) e Hanna (Sophie Rois, de “Círculo de Fogo”, “Aprendendo a mentir”) que vive em Berlim e, simultaneamente, que se apaixona e se envolve com o mesmo homem (Devid Striesow, de “Os Falsários”, “Yella”). No entanto, quando Hanna fica grávida, surge a pergunta que irá mudar o relacionamento de todos: “quem é o pai?”. Para que se entenda a atmosfera do filme em questão, é necessário destrinchar a obra do cineasta Tom Tykwer, que possui como característica principal a experimentação. Ele personifica objetos inanimados, os transformando em personagens reais do dia-a-dia, fornecendo credibilidade à ação objetivada.
Neste, há silêncio no cinema, epifania de dança contemporânea e olhar a própria vida como se estivesse fora do corpo. Tudo regado com planos existencialistas, introspectivos e reflexivos, contrastado com a agilidade da narrativa. O casal vive a crise, o que possibilita a percepção exterior ao relacionamento. “Como uma sonata de Shakespeare: surreal e moderna”, diz-se. Há ainda digressões, referência a filmes clássicos, estranheza e superficialidades propositais, a fim de que se embase a condução da trama, com a sutileza de uma aproximação da câmera. As metáforas são quase mórbidas. O câncer da mãe, câncer do marido e sua mãe angelical. A operação, por exemplo, mostra de forma visceral – e natural – o corte e a cirurgia propriamente dita. Os diálogos seguem em tom sarcástico agressivo, com humor alemão cruel, aceitável por eles, que podem assim mascarar a própria defesa escancarada. Quando o preto-e-branco é inserido, podemos perceber a metáfora da personificação do sonho projetado. Muito do que acontece não se diz.
Está no ato, no olhar, como na piscina que expõe a intenção e o medo do novo. Intercala-se sutileza com explicitação. Ora há um olhar, ora felação, ora a câmera sobe, ora mostra o gozo no rosto. “Nada mal para quem tem só uma bola”, lança a picardia. O roteiro discute a homossexualidade como normalidade, sem julgamentos. Constrói pelo canto, pela ópera, pelo judô. Infinitas possibilidades de ser o que quiser. Assim, mitiga a caricatura, caminhando no direto e no livre. “Diga adeus ao questionamento determinista biológico”, diz-se como mantra. Acontece o triângulo. Manipula o real, o moderno, a fantasia, a luz incidental, a música, a câmera, o ângulo, cada mínimo ato traduz-se em poesia bruta, sem clichê, lírico, puro, sem tabus. Concluindo, vale à pena assistir. Recomendo. Competiu pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em 2010, foi indicado ao German Film Awards em seis categorias (Melhor Longa-Metragem, Melhor Diretor – Tom Tykwer, Melhor Atriz – Sophie Rois, Melhor Som Original, Melhor Edição. Melhor Trilha Sonora Original).


O Diretor
Tom Tykwer nasceu em Wuppertal, na Alemanha, em 1965. Fez seu primeiro filme em super-8 aos 11 anos. Triângulo Amoroso (2010) / Deutschland 09 (2009) / Trama Internacional (2009) / Perfume: A História de Um Assassino (2006) / Paris, je t’aime (2004) / Paraíso (2002) / A Princesa e o Guerreiro (2000) / Corra Lola, Corra (1998) / Wintersleepers (1997) / Deadly Maria (1993).

Bastidores

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