Ficha Técnica

Direção: Zhang Yimou
Roteiro: Lichuan Yin, Xiaobai Gu, Mei Ah
Elenco: Dongyu Zhou, Shawn Dou, Meijuan Xi, Xuejian Li, Taisheng Chen, Rina Sa, Liping Lü, Ruijia Jiang, Xinbo Yu, Xinyun Xi
Fotografia: Xiaoding Zhao
Trilha Sonora: Qigang Chen
Produção: Hyuai Cao, William Kong, Hugo Shong, Weiping Zhang
Distribuidora: Serendip Filmes
Estúdio: Beijing New Picture Film Co. / IDG China Media
Duração: 115 minutos
País: China
Ano: 2010

COTAÇÃO: EXCELENTE

A opinião (por Fabricio Duque)

Poucos filmes fazem com que eu saia do cinema e queira escrever sobre no mesmo dia. “A Árvore do Amor” é um deles, dirigido pelo cineasta chinês Zhang Yimou, que consagra sua genialidade, por causa das inúmeras e diferentes narrativas de um filme a outro, como “Lanternas Vermelhas”, “Nenhum a menos”, “Herói”, “O Clã das Adagas Voadoras”, “Uma Mulher, uma Arma e uma Loja de Macarrão”. O diretor mostra a essência do amor, por um espinheiro “branco que fornece frutos de cor vermelha”. O espectador mergulha na história simples, linear e clássico, tendo como um dos elementos a narrativa de livro, com passagens (a um novo capítulo) temporais escritas e explicadas na tela. O roteiro aprofunda com simplicidade em ações e reações sutis – como o olhar resignado, mas com esperança – e naturais, transmitindo a sinestesia dos personagens, principalmente, o casal apaixonado, interpretados por atores fantásticos, competentes e entregues de forma total e completa. É inevitável o questionamento de quem assiste à trama, porque envolve de tal forma, que desperta o querer adormecido de cada um.
Este querer a cada dia afasta-se do individuo, porque a facilidade amorosa gera relações descartáveis e superficiais. Os protagonistas vivem um sentimento único, incondicional, sem precisar de sexo, silencioso, quase platônico. Eles completam-se, protegem-se e cuidam um do outro, vencendo as regras sociais e princípios morais ultrapassados, que são massificados – e repetidos – por quem os viveu e que por quem não possui outra referência de mundo, senão o pessimismo, a fim de que a transformação interna aconteça. Usam a poesia cotidiana, de material bruto, instintiva, livre e pura. Experimentam a sensação do amor antes do processo de lapidação de um diamante, “que prefere morrer a trair a pessoa”. Esta experiência é transpassada ao espectador, que sente, chora, ri, pensa e formula na mente a qualidade inquestionável e a obra de arte que o longa-metragem em questão é. Paralelamente à história de amor, com uma, das mais penetrantes e lindas, trilha sonora que já ouvi, retrata-se a parte política, durante a revolução cultural, no período do Presidente Mao – um aliado. A árvore do amor é a árvore dos heróis, metaforizando que quem ama salva a si e ao outro. Os planos abertos encaminham-se aos detalhes, fornecendo ritmo editado, sem correr e ou ser lento demais.
“Doce é só pra criança?”, diz-se já direcionando ao caminho da liberdade da alma, presente nos personagens. Ele, um músico. Ela, uma escritora. “Apenas escreva o que ouviu”, poetiza-se. Zhang dosa o sentimentalismo musical com aprofundamento humanizado, suavizando a carga dramática dos acontecimentos sôfregos. A fotografia alaranjada (da vela) em um momento e cinza em outro transmite atemporalidade e o existencialismo básico da vida. Os detalhes exemplificam – e faz encantar, como o galho utilizado para que a mão não fosse dada por enquanto. Ele descobre a si o processo de reeducação: transpor medos, vergonhas e adversidades. Há até homenagem a Steven Spielberg e seu filme “ET”, na cena da bicicleta. É um amor à moda antiga, de conquista, de cortejo, de carinho, de cuidado, enaltecendo o querer maior de ficar junto, sem complicações e percalços próprios. A mãe vivida e a amiga que “se entregou” ao “namorado” “ensinam” a ingênua filha e amiga que o amor verdadeiro não existe. Concluindo, um filme encantador, simples sem ser simplista e obrigatório de assistir. Confesso que a emoção marejou meus olhos, os tornando pequenos e deprimidos.
O Diretor
Nasceu em 1951, na China. Estudou na Academia de Cinema da Beijing, especializando-se em Direção de Fotografia. Em 1987, realiza seu primeiro longa-metragem, Sorgo Vermelho (1987), vencedor do Urso de Ouro em Berlim 1988. Entre seus filmes, destacam-se Tempo de Viver (1994), Nenhum a Menos (1999), vencedor do Leão de Ouro em Veneza, Herói (2002), indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e O Clã das Adagas Voadoras (2004).
  • Oi Fabrício!
    Concordo com você em quase tudo, mas confesso que me decepcionei profundamente com o final. Acho que o filme tinha a dose perfeita na exposiçao desse amor romântico e quase platônico como você bem disse, mas a emoção não me tocou na última seqüência, pelo contrário, fiquei paralisada com o exagero mesmo. Acho que Zhang Yimou carregou nas tintas em um desfecho que me pareceu melodramático, infelizmente. Acredito que até os 3 min finais, é perfeito. Passou disso… é 'demais'.

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