“Um filme sem graça”

A opinião (por Marise Carpenter)
Baseado em fatos reais, um homem vive 30 de um total de 54 anos de sua vida interpretando papéis bobos, falando as coisas mais sem graça possíveis para uma plateia de ”debilóides” dinamarqueses (referência feita no filme aos brasileiros). Nós brasileiros do lado de cá da tela, não esboçamos um sorriso sequer. O próprio personagem não suporta o que faz por não ver graça alguma no que diz. Tal qual nós brasileiros do lado de cá. E a sua plateia dinamarquesa gargalha à rodo. Resolve ele, então insatisfeito e desacreditado de seu próprio talento dado por seus empresários por conta de seu público gargalhante, montar uma peça séria com uma interpretação dramática. O resultado é dramático: a plateia gargalha a cada fala sua. Ele está fadado a ser um homem engraçado, porque o que a plateia quer é rir. Imerso em conflitos ele mergulha cada vez mais na bebida e assim passa sua vida com a realização de mais de 200 apresentações. Um ator que agradava plateias e não sabia porque. Nós do lado de cá conseguimos sentir na pele o que ele sentia. Esse é o mérito do filme. Do filme sem graça.

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