Ficha Técnica

Direção: Michel Leclerc
Roteiro: Baya Kasmi e Michel Leclerc
Elenco: Jacques Gamblin, Sara Forestier, Zinedine Soualem, Carole Franck.
Fotografia: Vincent Mathias
Música: Jérôme Bensoussan e David Everte
Figurino: Mélanie Gautier
Edição: Nathalie Hubert
Produção: Caroline Adrian, Fabrice Goldstein e Antoine Rein
Distribuidora: TF1 International (França) / Mares Filmes (Brasil)
Estúdio: Delante Films / Karé Productions / Canal+ / TF1 Droits Audiovisuels / TPS Star / Région Ile-de-France / Banque Populaire Images 10 / Uni Étoile 7 / Sofica Valor 7
Duração: 100 minutos
País: França
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião
O filme francês, “Os Nomes do Amor”, peca pela tradução, que deseja influenciar o público, romântico, de filmes comerciais. Se optassem pela literalidade, o resultado seria “Os Nomes das Pessoas”, indicando, verdadeiramente, o real sentido da trama apresentada, que aborda variados tipos de ser. Cada indivíduo possui subjetividades, individualismos e idiossincrasias que o definem como sendo intrínseco, possibilitando que a essência seja mostrada, ao outro, de forma natural. Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2011, conta a história de Bahia Benmahmoud (Sara Forestier), uma jovem tão comprometida com seus ideais que não se importa nem um pouco em transar com seus opositores, no intuito de convertê-los a sua visão. Ela costuma ser bem sucedida em suas investidas, até o dia em que conhece Arthur Martin (Jacques Gamblin). O “amor” faz com que Bahia abra a mente e se questione sobre o que acredita realmente.
O roteiro é extremamente divertido, de humor negro político, conduzindo pela linha tênue do politicamente incorreto, porém permitido aos olhos de hoje em dia. No início, um especialista em gripe aviária narra olhando para a câmera, interagindo com o espectador e desejando a cumplicidade do mesmo. A digressão acontece com fotografia em preto-e-branco de imagens na guerra. São apresentadas várias versões da história. O longa-metragem dirigido pelo diretor Michel Leclerc (de “J’invente rien”, 2006), consagrando seu talento de escritor ao denunciar, com humor, cinismo e ternura, a burrice francesa, detalhando-se pela humanização das manias (como conferir tudo inúmeras vezes), dos tabus, do abuso sexual de uma criança (pedofilia, que causa a dúvida se participa ou não da prostituição). “Judeus são assim: riem das tragédias”, diz-se entre brigas baseando-se em massificações radicais e passadas.
“Princípio: sempre vou para cama no primeiro encontro”, explica-se a ideologia de seduzir e fazer sexo com os opositores a fim de que mudem o pensamento político. A cena em que ela chora ao votar é extremamente engraçada e com passionalidade debochada. Ela só tem o sexo a oferecer. É carente, frágil e defensiva. “Dormir com o cara de direita. Usar o corpo como arma de destruição”, tenta chocar o “pretendente”. “Fascistas: práticos e ergométricos”, complementa-se. É uma prostituta política, com “Princípio da Precaução”. É revolucionário passional, quase como uma adolescente. Quer chamar atenção para que seja ouvida e percebida. Concluindo, um filme interessante que insere inúmeros elementos políticos e sociais, trabalhando com a caricatura, a fim de mostrar o lado interno da personagem principal e de quem está ao redor.
O Diretor
Roteirista e diretor francês, ele começa como cronista de televisão, em especial no programa Nulle part Ailleurs, do Canal +. Em seguida, escreve e dirige o longa-metragem “J’invente rien” (2006) e “Le Poteau rose” (2002), curta-metragem premiado. Ele é um dos roteiristas de “La tête de maman”, de Carine Tardieu, de 2007. Em 2011, ganha o César de melhor roteiro original por “Os nomes do amor”, filme inesquecível que consagra deu talento de escritor ao denunciar, com humor, cinismo e ternura, a burrice francesa.

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