Ficha Técnica

Direção: Rupert Wyatt
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco: James Franco, Tom Felton, Freida Pinto, Andy Serkis, Brian Cox, John Lithgow, Tyler Labine, David Hewlett, Sonja Bennett, Jamie Harris, Leah Gibson,David Oyelowo.
Fotografia: Andrew Lesnie
Música: Patrick Doyle
Direção de arte: Dan Hermansen, Helen Jarvis e Grant Van Der Slagt
Figurino: Renée April
Edição: Conrad Buff IV e Mark Goldblatt
Produção: Peter Chernin, Dylan Clark, Rick Jaffa, Amanda Silver
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Twentieth Century-Fox Film Corporation
Duração: 106 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2011
COTAÇÃO: EXCELENTE

 

A opinião

“Planeta dos Macacos” é a mais recente refilmagem do clássico de ficção cientifica que influenciou uma época, em 1968, um ano que foi lembrado pela revolução política que se alastrou por vários países. Na primeira versão, baseado no romance de Pierre Boulle, “La planète des singes”, há a cena final, antológica, que marcou a história do cinema com a definição anti-Guerra Fria. Estrelado pelo ator Charlton Heston, o enredo se baseia na experiência de um astronauta sobrevivente de uma missão espacial, que aterrissa em um planeta igual à Terra e descobre que uma raça de macacos falantes domina e escraviza seres humanos, que são mudos. Teve quatro sequências: “De Volta ao Planeta dos Macacos” (1970), “Fuga do Planeta dos Macacos” (1971), “A Conquista do Planeta dos Macacos” (1972) e “A Batalha do Planeta dos Macacos” (1973), mas nenhuma alcançou o êxito do filme original. Em 2001, foi refilmado, seguindo apenas a mesma linha geral com a visão do diretor Tim Burton, com o conteúdo parcialmente modificado. O que mais desperta a atenção é sem sombras de dúvidas o seu argumento. O tema discute questões sociais abordando poder, submissão, escravidão e revolta (este não infundada, mas esperada e delineador de toda provocação). “Planeta dos Macacos: a Origem”, como o nome já demonstra, direciona o roteiro ao início de tudo, explicando os porquês e as causas. O filme em questão possui prós e contras se comparado ao seu primogênito.
Essas opiniões são tão subjetivas que despertam as mais variadas teses. Uma delas é sobre os efeitos visuais. No final dos anos sessenta, não havia tantas possibilidades assim de expressar um pleno convencimento. Portanto, os personagens usavam máscaras que transpassavam caricatura e amadorismo, impedindo o aprofundamento total e necessário. Hoje, estas possibilidades são infinitas, práticas e de qualidade técnica inquestionável. Então, é de se esperar que a quantidade de efeitos especiais seja maior que antes. É quase lógico. Neste caso, realizados pela WETA Digital, mesma empresa responsável pelos efeitos especiais de Avatar e da trilogia O Senhor dos Anéis. Isso nos leva a outra discussão. Se os longa-metragens do passado não tinham essa escassez de recursos, então eles precisavam de uma história (e narrativa) que envolvesse o espectador, o prendendo pela manipulação do roteiro, que era ágil, fácil de absorção, direto e sem tantas experimentações. Havia melodramas (não podemos negar), mas a emoção reativa não se importava com o politicamente correto, desmascarando a hipocrisia humana sem o clichê de se tender à dicotomia. O diretor Rupert Wyatt (de “A Escapada”, um drama existencial de um homem que precisa de se livrar da prisão, para se conseguir redimir dos erros que cometeu no passado, tendo Seu Jorge vivendo um dos personagens) escolhe transitar pelas duas teses referenciadas, imprimindo qualidade técnica, emoção e questionamento sobre a existência humana (e suas consequências).
De antemão, fornecendo uma prévia da conclusão, digo que o resultado é extremamente satisfatório. Um desses motivos é a preocupação metódica com detalhes sutis, que estimulam novas questões sociais (e atuais), esquecendo da neurose dos dias de hoje sobre regras surreais de auto convivência ao próximo distante. A crítica à sociedade pode ser entendida pela nacionalidade britânica de seu diretor. Assim, ele foge das amarras da cartilha que domina o mundo atualmente. Logo no começo, uma captura de chimpanzés é mostrada, de forma realista e sem suavizações. Esses macacos são levados a laboratórios a fim de que sejam cobaias de novas drogas produzidas. O objetivo: salvar a raça humana de doenças, usando animais para os testes. A vacina ALZ 112 tenta curar o Alzheimer, que é uma doença degenerativa atualmente incurável. Os resultados são visíveis, recuperando cognitivamente, deixando os macacos mais humanizados e inteligentes. “Deixe suas emoções fora. As pessoas querem resultados, não sonhos”, diz-se, de forma direta e perspicaz. Essa neogênese indica alguns efeitos colaterais. Por isso, os experimentos são cancelados. As metáforas aparecem. Os “olhos brilhantes” significa o início da visão. Percebe-se o mundo ao redor. A força aumentada, um dos sintomas da transformação interna, gerando a “personalidade” (mostrando-se ao mundo).
“Eles estão contaminados”, exaspera-se com limitação, exterminando os investimentos futuros por acontecimentos inesperados. São considerados primatas, impulsivos, instintivos, não pensantes. Percebemos que a raiva de uma macaca indica a proteção a seu filhote (por estar grávida). O jovem cientista Will Rodman (James Franco) impulsiona esses testes por razão pessoal (para que possa salvar o próprio pai). Confesso que a atuação do ator principal nunca me agradou. Sempre o achei fora do tom. Em “127 horas”, ele encontra-se no ápice da afetação. Mas no filme em questão, James Franco está contido, bem cuidado visualmente e convincente. Um excelente trabalho do grupo coach, preparadores de elenco. O símio é um “convidado temporário”, César (Andy Serkis), que desperta afinidade nos personagem principal e seu pai, e demonstra habilidades especiais e espertas, adquirindo características humanas super estimuladas. A parte técnica é incrível, como por exemplo a fotografia, amadeirada e saturada ao brilho. O macaco possui esse nome por causa de Julio Cesar, que foi um patrício, líder militar e político romano, desempenhando papel crítico na transformação da República Romana no Império Romano. As suas conquistas na Gália estenderam o domínio romano até o oceano Atlântico: um feito de consequências dramáticas na história da Europa. No fim da vida, lutou numa guerra civil com a facção conservadora do senado, cujo líder era Pompeu.
Tornou-se ditador vitalício e iniciou uma série de reformas administrativas e econômicas em Roma. O diretor insere picardias narrativas ao espectador, como os chimpanzés presos num zoológico. Cesar usa calça jeans, camisa, come com talheres. Está sendo domesticado. Assim como uma criança que aprende as regras sociais. “Ele está feliz aqui”, diz-se, entre o contraste de Will em ensinar ao seu mascote a ser selvagem. Assim, Cesar mescla inteligência com defesa pessoal. O tempo passa, cinco anos, e o símio transpassa sentimentos como ciúme, proteção, não deixando o seu lado selvagem. Cada gesto o torna mais humanizado, mais próximo dos humanos. É uma narrativa de construção de um individuo. Que do “vazio existencial” ganha ética, comportamento e regras subjetivas. “Eu sou seu pai”, diz Will a Cesar, inferindo que o conhecimento é mais importante do que o estado intrínseco de cada um. Novas reviravoltas são inseridas. Há o abrigo de primatas, lugar que o símio protagonista é colocado. Lá, ele sente que não faz parte dali, sente que foi rejeitado por “seu pai” (até porque não tem entendimento sobre tudo ainda), sente-se punido. Ele é culto, inteligente e esperto. Ali não, ele pensa, um bando de infantis, bobos, alienados e “tontos”. “Macaco sozinho fraco”, diz. Aos poucos, a revolta, por ser constantemente humilhado e agredido, gera planos arquitetados. É diferenciado pelas roupas que usa, por desenhar a janela de seu antigo quarto (buscando a memória afetiva) e por seu comportamento de não querer incitar brigas e desavenças.
As mesmas ações que os “torturadores” cometem, assemelham-se a de alguns macacos mais “idiotas”. Entre esses animais, a defesa, o agradecimento, a permissão, o respeito ao líder, até a vingança politicamente correta de não desejar a morte alheia, tudo é a personificação humana. O roteiro aprofunda, mas sem o clichê, que poderia ter descambado por incluir tantos elementos narrativos. “Certas coisas não podem ser mudadas”, como a natureza humana de ser o que é de cada um. Cesar aprende a manipular, com subterfúgios, utilizando o pode a fim de conseguir o seu objetivo. O abrigo é o primeiro lugar do planeta pretendido. Dali é a dominação em massa, tendo a droga sintética 113 como o principal aliado nesta luta. O filme desperta nos espectadores o lado selvagem. Desejamos a retaliação aos torturadores. Somos instintivos também. “Tira suas patas sujas de mim”, apela-se. Cesar repete o que aprendeu, querendo apenas a vingança limpa, e diz “Não”. Ele começa a ter voz, a ser ouvido. Evoluem-se criando a guerra pelo espaço deles, para que possam ser respeitados. O espectador precisa atentar-se à crítica contra o preconceito, ao simbolizar a figura do chefe dos cientistas, um negro bem sucedido e rico, que quer terminar a experiência, exterminando os macacos excluídos, minoritários, discriminados e caubóis do novo tempo. É extremamente antropológico. Arrepia pelos efeitos especiais e fornece o maniqueísmo do moralismo. Quando um amigo é morto, a ética é colocada a prova. Todo filme explica as origens do que aconteceu na primeira versão. Concluindo, um filme extremamente atual, que respeita a história do antigo, que discute questionamentos éticos e antológicos. Vale muito a pena assistir. Excelente. As filmagens aconteceram entre 5 de julho e 17 de setembro de 2010.
O Diretor
Rupert Wyatt nasceu em 26 outubro de 1972, é britânico. Seu filme de estreia foi “The Escapist”, que estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2008. Estrelado por Brian Cox , Damian Lewis, Dominic Cooper, Joseph Fiennes, Seu Jorge, Steven Mackintosh e Liam Cunningham . Seu segundo filme foi “Planeta dos Macacos: A Origem” (2011). Wyatt é o fundador da Picture Farm, que produziu inúmeros curtas, documentários, incluindo o premiado “Dark Days”. Ele atualmente vive em Los Angeles com sua esposa, a roteirista Erica Beeney, e seu filho Theodore Alexander Finch Wyatt.
  • Enquanto a câmera de Wyatt procura sempre um movimento mais original, uma sequência mais longa, uma composição mais plástica e uma vontade interessantíssima de ser diferente dentro do comum. O elenco do filme é Tom Felton, que recentemente apareceu no filme Risen, que é uma espécie de sequela do “Paixão de Cristo”. Eu não sou um fã deste gênero de filme, mas eu gostei da perspectiva ateísta com uma estrutura narrativa realizada da maneira mais respeitosa, honesta e real. Aqui eu encontrei algumas informações e programações sobre o filme: http://www.hbomax.tv/movie/TTL603372/Ressurreição Vale a pena vê-lo como ele é uma adaptação do que acontece depois que Jesus ressuscita.

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