Ficha Técnica

Direção: Jake Scott
Roteiro: Ken Hixon
Elenco: Kristen Stewart, Melissa Leo, James Gandolfini, Lance E. Nichols, David Jensen, Kathy Lamkin, Eisa Davis, Russell Steinberg
Fotografia: Christopher Soos
Música: Marc Streitenfeld
Figurino: Kim Bowen
Edição: Nicolas Gaster
Produção: Giovanni Agnelli, Scott Bloom, Michael Costigan
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Argonaut Pictures, Scott Free Productions
Duração: 110 minutos
País: Reino Unido
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

“Corações Perdidos” é um filme de gerações. Apresenta-se como produto do membro mais novo da Família Scott, que já possui nomes conceituados como Tony Scott, o tio – de “Dias de Trovão”, “Top Gun – Ases Indomáveis” – e, o mais famoso, o pai, Ridley Scott, o tio, de “Blade Runner”, “Alien”, “Telma e Louise”, “Perigo na Noite”, “Gladiador”. Enquanto Tony escolhe o gênero mais comercial, Ridley segue por adicionar realidade (visceral) em seus filmes. Eis que surge o filho, Jake Scott, diretor do longa-metragem em questão, que traz na bagagem e no currículo uma filmografia basicamente de videoclipes: Soundgarden, The Smashing Pumpkins, Bush, Live, Blind Melon, Tori Amos, Tricky, Radiohead,Lily Allen, Oasis, The Supernaturals, The Strokes, The Verve, R.E.M., U2 e George Michael, muitos produzidos por Ridley Scott Associates, com subdivisão pela Black Dog Films. Este é o seu segundo filme. O anterior foi “Plunkett & Macleane”, comédia com Robert Carlyle, Jonny Lee Miller e Liv Tyler. “Corações Perdidos” utiliza, na maioria do tempo, a graça perspicaz, de humor negro do primeiro, mas se define como drama. Mallory (Kristen Stewart, de “O Quarto do Pânico” e “Crepúsculo” – como a protagonista Bella) é uma adolescente que ganha a vida se prostituindo e fazendo shows como stripper.

Sua vida muda quando ela conhece Doug Riley (James Gandolfini, da série “Família Soprano”) e Lois (Melissa Leo, de “21 Gramas”, “Rio Congelado”, “O Vencedor”), casal atormentado pela morte da filha Emily e que vê em Mallory uma nova chance em suas vidas. O roteiro trabalha a perdição, a sobrevivência, o maniqueísmo e a possibilidade de se mudar uma vida. Pode ser considerado uma nova vertente do segmento de auto-ajuda. A perda da filha gera o preenchimento do vazio, que causa a eles. Há o desejo da ajuda, de correção, de julgar a vida alheia a fim de consertá-la. O título original “Welcome to the Riley’s”, bem-vindo a Família Riley, apresenta essa ideia, a de que a nova integrante precisará conviver com as regras impostas pelo casal. Mas Mallory deseja a liberdade. Não quer seguir regras. Pelo contrário, fazer as próprias, mesmo que sejam politicamente corretas e ou transgressoras, como a escolha de ganhar dinheiro pela prostituição. O roteiro caminha pela linha tênue da certo e do errado; do julgamento e de se deixar viver. Os quereres de um não necessariamente são os mesmos do outro. Antes da adolescente aparecer em suas vidas, eles sentiam na alma a dor. A esposa não colocava mais os pés na rua e o marido tentava ajuda-la, mas essa relação estava os conduzindo à separação. Com Mallory, eles puderam, mutualmente, descobrir forças a fim de seguir adiante em seus caminhos.

Os personagens encontram-se perdidos, buscando algo que lhes faça modificar, positivamente, o seu estado de espírito. O diretor exacerba os problemas apresentados. É quase catastrófico e desesperançoso. Jake mergulha fundo na “casca” social – que é apresentada pela superficialidade (e alienação projetada e defensiva) de Lois, para que assim possa aprofundar a verdade sinestésica. “Eu não estou morto, você não está morta”, diz-se. O roteiro passa a mensagem que nos dias de hoje, o tempo de sofrimento deve ser menor e a intensidade também. Necessita-se superar de uma hora para outra. “Eu venho aqui todos os dias, porque minha irmã maluca não sai de casa”, alfineta-se com individualismos. “Às vezes é preciso um estranho a ver a vida lá fora”, frase pertencente a propaganda do filme. Este estranho, o protagonista ajuda a todos ao seu redor. Tudo devido ao acaso de se deixar perdido sem a espera de nada. Concluindo, um filme interessante, que aprofunda aos poucos a história e que busca a redenção de seus personagens, mesmo optando por um final não feliz (para a grande maioria, mas satisfatório), encontra-se a salvação e a felicidade equilibrada da resiliência. Recomendo. Foi exibido nos Festivais de Berlim, Sundance e Berlin, em 2010.

O Diretor

Jake Scott nasceu em 1965, no Reino Unido. Tem em sua filmografia dois longa-metragens: “Plunkett & Macleane” e “Corações Perdidos”. Realizou inúmeros videoclipes: Soundgarden, The Smashing Pumpkins, Bush, Live, Blind Melon, Tori Amos, Tricky, Radiohead,Lily Allen, Oasis, The Supernaturals, The Strokes, The Verve, R.E.M., U2 e George Michael, muitos produzidos por Ridley Scott Associates, com subdivisão pela Black Dog Films. O seu próximo filme é sobre a vida do cantor Jeff Buckley, foi considerado pelos críticos umas das mais promissoras revelações musicais de sua época. Ele morreu afogado enquanto nadava no rio Wolf, afluente do Rio Mississipi, em 1997. Seu trabalho e seu estilo único continuam sendo admirados por fãs, artistas e músicos no mundo todo. A produção de Jake Scott, por sua vez, parece ser a mais badalada. As especulações, segundo o Guardian, dão conta de que Robert Pattinson, Jared Leto e James Marsden disputam o papel principal.

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