Ficha Técnica

Direção: Todd Phillips
Roteiro: Scot Armstrong, Todd Phillips, Craig Mazin
Elenco: Zach Galifianakis, Bradley Cooper, Ken Jeong, Ed Helms, Justin Bartha, Nick Cassavetes (Tatuador), Todd Phillips (Sr. Creepy)
Fotografia: Lawrence Sher
Música: Christophe Beck
Direção de arte: Philip Toolin e Desma Murphy
Figurino: Louise Mingenbach
Edição: Debra Neil-Fisher e Mike Sale
Produção: Daniel Goldberg, Todd Phillips
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Legendary Pictures, Green Hat Films, Touchstone Pictures
Duração: 102 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2011
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

Preâmbulo Explicativo

“Se Beber, Não Case”, tradução de “The Hangover” (título literal de ressaca), obteve sucesso meteórico, vencendo o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme de Comédia. O longa-metragem aborda uma despedida de solteiro em Las Vegas que perde o seu controle. O humor é negro, ácido, politicamente incorreto e manipulador. É um filme de escracho em situações surreais. Os participantes desta despedida acordam sem lembrar do que aconteceu. A partir daí o roteiro deslancha. Aos poucos, as peças do quebra-cabeça são juntadas. O espectador participa como cúmplice dessa grande ressaca que gera consequências desastrosas e extremamente divertidas.

Com edição ágil, a trama “engana” desde o inicio. O ambiente preparador de um casamento com música romântica de Elvis Presley contrasta com a realidade do que acontece. É direto e sem rodeios. “O que acontece em Las Vegas, fica em Las Vegas. É a cidade do pecado”, diz-se. A grande sacada do roteiro é a tentativa de resolução do “mistério”. Descobrem que tomaram alguma droga. Não há limites à crueldade, que é aceita e tolerável, mesmo recorrendo a estranheza e a perversão social. O boxeador Mike Tyson participa como ator e tenta ajudar a desvendar os conflitos, que foram gerados pelo acaso.

“Por que a galinha?”, dúvida no ar. É um filme debochado, sarcástico, aventureiro e incrivelmente competente. Comporta-se como um road-movie com amigos, buscando às vezes piadas que querem ser cults, mas que repete o óbvio já existente. “Depois do apagão, vem o vazio”, diz-se. Antes disso, “Um brinde a noite que nunca esqueceremos”. Traz quatro amigos: Bradley Cooper (“Ele Não Está Tão a Fim de Você”), Ed Helms (“Uma Noite no Museu”), Zach Galifianakis (de “Jogo de Amor em Las Vegas”) e Justin Bartha (“Totalmente Apaixonados”).

A opinião “Se Beber, Não Case – Parte 2”

A continuação segue a linha do antecessor. A história agora se passa na Tailândia. De novo, um deles irá casar. Os amigos “inventam” uma despedida de solteiro. Logo no inicio o diálogo “Aconteceu de novo”. O longa-metragem continua com o tom provocador, transgressor e com sequências bizarras e escatológicas. Nesta versão, há três dos quatro amigos. Zach Galifianakis (de “Um parto de viagem” – filme semelhante à narrativa apresentada – dividiu com Robert Downey Jr.) vive Alan, um excêntrico, rico, filho mimado. Ele funciona como o elo que conecta loucura e realidade. Em seu quarto, a placa na porta “Danger! Genius at work” (Perigo! Gênio trabalhando). O riso do espectador flui fácil, porque há a espera da graça contida no primeiro. Em muitos casos, só a suposição da piada já gera a gargalhada exagerada. Quando exacerba o clichê, o desconstruindo e o transformando em um novo clichê, o roteiro ganha a atenção do espectador.

“Dentistas não são médicos aqui”, alfineta-se. A comicidade das reações, tanto corporais dos atores, quanto situacionais é irremediavelmente inegável. “Chouk: água de arroz sem gosto”, as provocações continuam. As picardias sarcásticas ganham o tom agressivo e desafiador. A crítica à polícia também está presente. “A gente (policiais) prende muita gente, não dá para analisar tudo”, diz-se. “Eu queria que os macacos tivessem skype”, esta frase, dentro do contexto, estimula a epifania descontrolada da gargalhada. Outra vez, Mike Tyson participa. “Eu sou MiKe Tyson e já vi de tudo”, ele diz. Bradley Cooper (de “Esquadrão Classe A”, “Sem Limites” – este último aqui no blog) protagoniza Phil. É um filme que acontece de uma descoberta a outra.

Que procura respostas. Uma das partes incrivelmente interessante é o Macaco, que se comporta como um ator nato, muito melhor do que muito profissional desta área por aí. A política incorreta da sociedade continua. Há drogas, sexo com travestis (prostitutas), bebidas. Tudo direcionado sem limites e sem a preocupação de que está sendo demais e ou ferirá os preceitos de convivência com o próximo. É um grande deboche divertido, perspicaz, que se perde às vezes, mas se acha rapidamente. Como a cena genial de explicar o que aconteceu utilizando personagens infantis. Concluindo, uma ótima continuação, transpassando competência, profissionalismo, e mesmo assim conservando a atmosfera alternativa e independente que este gênero necessita e espera. Recomendo.

O Diretor

Todd Phillips nasceu em 20 de dezembro de 1970. É americano do Brooklyn, Nova Iorque. Estudou na New York University Film School, mas desistiu a fim de completar seu primeiro filme”Hated: GG Allin e os Murder Junkies” , sobre a vida e morte do punk rocker GG Allin . Ele escreveu e dirigiu o filme de 2004 “Starsky & Hutch” , estrelado por Ben Stiller e Owen Wilson e o de 2006, “Escola de Idiotas”, por Billy Bob Thornton e Jon Heder . Phillips aparece brevemente em “Se Beber, Não Case” . Seu personagem, o “Sr. Sinistro”, está vestido com um agasalho e está usando uma peruca preta encaracolada.

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