Ficha Técnica

Direção: Ali Samadi Ahadi
Roteiro: Ali Samadi Ahadi
Elenco: Pegah Ferydoni, Navid Akhavan (documentário)
Fotografia: Peter Jeschke, Ali Samadi Ahadi
Música: Ali Askin N.
Diretor de Arte: Ali Soozandeh
Desenhos: Ali Reza Darvish
Edição: Toennieshen Barbara & Menn Andreas
Produção: Jan Krueger & Oliver Stoltz
Distribuidora: Dreamer Joint Venture
Duração: 80 minutos
País: Alemanha
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

“A Onda Verde”, exibido no Festival É Tudo Verdade deste ano, apresenta as ações ditatórias do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad por relatos em primeira pessoa, recolhidos de fontes diversas, como postagens em blogs, no Twitter e Facebook, e também cenas de protestos e manifestações filmadas por celulares. o cineasta iraniano, radicado na Alemanha, Ali Samadi Ahadi reconstitui o clima das eleições presidenciais no Irã em 2009. Mediante estas imagens e palavras, divulgadas por pessoas anônimas, retrata-se a esperança de mudança de muitos iranianos pela expectativa na vitória do candidato oposicionista Mir-Houssei Mousavi, representado pelas bandeiras verdes empunhadas nas ruas.

Quando o governo começa a jogar duro contra os opositores, prendendo muitos deles, o diretor recorre à animação para reencenar situações que já não se pode documentar. Quando essas reconstruções narrativas são apresentadas, o espectador pode entender algumas características do povo iraniano: melodrama de efeito vitimado e ingênuo, avidez por catástrofe e radicalismo extremado, com tom passional, intenso e verborrágico. Tanto de um lado, quanto do outro. A narração das histórias dos blogs são em inglês, inferindo que a mensagem deve ser levada ao mundo. “Isso não é eleição, é seleção”, diz-se.

Intercalam-se imagens reais dos confrontos, da violência e das torturas com depoimentos (entrevistas). Misturam-se animação e realidade. Aquela é a versão suavizada desta. Os ataques violentos são viscerais, como o video de uma cérebro aberto. O intuito é chocar. Pode soar sensacionalista e manipulador, mas o que isto significa de verdade é o cotidiano dos moradores daquele local. A população do Irã convive com a ditadura e regras surreais. O meio (nicho geográfico) a influencia. A violência gera violência. O sentimento de mudar o mundo e ou salvar “o meu país” pulula nos seus corações e mentes. A busca pela justiça é a única meta que o futuro proporciona, aliado com massificações limites de ambos os lados. Um tenta destruir (o governo) e o lado “verde” salvar.

Essa é a vertente narrativa unilateral que o documentário deseja transpassar a seus “estrangeiros”. Repetido como uníssono a frase de que as Organizações Mundiais (ONU) – e os países que estão fora do confronto – só querem saber do Petróleo e de elementos nucleares. “Todos não se importam com os maus tratos e com os abusos dos direitos humanos do governo iraniano ao seu povo”, diz-se. Há carnificina, brutalidade, crueldade e inúmeras “lamúrias que encheram o lugar” (da prisão à tortura). O longa é dedicado ao anseio da humanidade por dignidade.

Mesmo com o retrato de um lado só, sem a réplica necessária nestes casos, permite que a sociedade internacional possa “interagir” com os mandos e desmandos de Ahmadinejad, que é duramente criticado por “fraudes eleitorais”. “Ele não fez nada em quatro anos e ainda manipula a sua reeleição”, revolta-se. Semana passada, a matéria do jornal O Globo, informava que forças de segurança prenderam sete pessoas durante o funeral de Mir Esmail, de 103 anos, pai do maior líder oposicionista do Irã, Mir Hossein Moussavi, em prisão domiciliar com sua mulher. O motivo: organizar uma manifestação em solidariedade pelos protestos do Egito.

O líder foi o último primeiro-ministro iraniano, entre 1981 e 1989. Concluindo, um filme necessário e obrigatório, mesmo discordando politicamente – sendo um pró-governo. O documentário retrata os acontecimentos reais por meio de cameras pessoais dos próprios moradores. Este elemento o seu ponto positivo. É a “guerra” por redes sociais. O Irã ou República Islâmica do Irã é um país localizado no Oriente Médio, um subcontinente da Ásia. O país possui uma área de 1 648 000 km², onde vivem cerca de 74,1 milhões de habitantes. Vale a pena ser visto. Recomendo. “Os seres humanos são membros de um todo, Na criação de uma essência e alma, Se um membro sofre com a dor, Outros membros inquietos permanecerá. Se você não tem nenhuma simpatia pela dor humana, O nome do homem que você não pode reter!”.

O Diretor

Diretor e autor Ali Samadi Ahadi nasceu em 1972 na cidade norte iraniana de Tabriz. Em 1985, quando tinha 12 anos, ele foi para a Alemanha sem a família. Em Kassel, estudou comunicação visual com o foco em cinema e televisão. No final dos anos 90, começou sua carreira como cineasta. Ele participou de vários documentários e relatórios como diretor e editor. Por seu documentário cultura tribal, ele foi nomeado para o Rose d’Or, prêmio, e na Cidade do Cabo, ele ganhou o Prêmio “Best Foreign Film Music”.

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