Ficha Técnica

Direção: Gore Verbinski
Roteiro: James Ward Byrkit , John Logan
Vozes: Johnny Depp, Abigail Breslin, Bill Nighy, Isla Fisher, Claudia Black, Alanna Ubach, Stephen Root, Gil Birmingham, Beth Grant, Kym Whitley, Ian Abercrombie,Maile Flanagan, John Cothran Jr,Hemky Madera, Jordi Caballero
Fotografia: Animação
Música: Hans Zimmer
Direção de arte: John Bell
Efeitos especiais:Industrial Light & Magic
Produção: John B. Carls, Graham King, Gore Verbinski
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Nickelodeon Movies / Blind Wink / GK Films
Duração: 107 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2011
COTAÇÃO: EXCELENTE

A opinião

O que esperar de um filme de animação, gênero que supostamente é direcionado ao público infantil, que usa linguagem rebuscada, como por exemplo a palavra epifania? No mínimo, a pretensão. Mas no caso de “Rango”, a ideia transmite a genialidade. O diretor Gore Verbinski (da Trilogia “Piratas do Caribe”, “A Mexicana” e “O Chamado”), com roteiro de John Logan, baseado na história de James Ward Byrkit, imprime competência e recheia de inteligência a trama sobre a crise existencial de um lagarto, que funciona como elemento para a metáfora do estado de camaleão do individuo – tentar ser a fim de agradar o outro. O ser humano busca a resposta à pergunta “Quem sou eu?” e vive experimentando mundos paralelos a fim de aquietar a vontade de participar de algum lugar. Rango (voz de Johnny Depp) é a personificação desta pergunta. Ele interpreta papéis (como um ator) com seres inanimados (brinquedos) em um universo próprio e sem riscos. Quando uma reviravolta acontece e o projeta ao mundo real, o camaleão precisa definir-se para sobreviver. A questão é que Rango não sabe o que é. A saída é inventar vidas que não teve. Assim ganha o respeito dos outros e a comodidade de não descobrir a verdadeira essência. Mas a sua trajetória “inventada” o leva ao conhecimento. “Atuação é reação”, diz. “O palco está pronto. Quem sou eu? Eu posso ser qualquer um”, complementa. Alguém comenta: “O destino é gentil contido” ao resumir a sorte que possui.

Podemos inferir que quando não sabe aonde ir, os perigos são meros coadjuvantes. O medo só se torna real ao ter a certeza absoluta do que se quer. Ao ser “arremessado” ao mundo “concreto”, Rango conhece personagens – humanizados por detalhes físicos (tendo a resignação como aliado). “Cada um tem a sua jornada”, diz-se aludindo ao estilo auto-ajuda de ser. Não digo de forma negativa, aqui funciona extremamente bem. O simbolismo explicito é recorrente, como o “congelamento” da nova amiga Feijão quando está nervosa. “É um mecanismo de defesa”, ela diz tangenciando o roteiro ao universo psicanalítico. “Epítetos: Tenho muitas histórias, você pode escolher – ator, produtor, diretor”, comportando-se como um ninguém covarde com medo do enfrentamento. A atmosfera apresentada é o Velho Oeste, faroeste contemporâneo, que utiliza a figura de um aproveitador “Coronelismo” para engessar e dominar os moradores de uma cidade, ao controlar a água. O filme é direto, sarcástico, perspicaz, sem humor óbvio e sem clichê. Por incrível que pareça, Rango, impulsionado pelo acaso das próprias mentiras, descobre ser o que diz ser pelo respeito improvisado e poder deferido. “Aprofunda no guaca-mole do próprio disfarce”, narra um trio de corujas. “Quem controla a água, controla qualquer coisa”, diz-se. “Privilégios trazem responsabilidades”, adiciona-se. O povo local necessita acreditar. Acreditam na água. Acreditam na esperança. Agora acreditam no novo salvador.

“Faro do índio (sem ofensa)”, diz alfinetando sutilmente. “Ciclo da vida”, “próstata inchada”, “Mamãe teve uma vida social intensa”, “Família desorientada, precisa de terapia”, “Marcha do progresso”, são algumas referencias cotidianas. As referências também atingem ao mundo o cinema. Há o símbolo do teatro, há o tema de “Apocalypse Now”, há “Guerra nas estrelas”, tudo sem caricatura. A fotografia muda quando Rango encontra o Espirito do Oeste. A imagem fica introspectiva, como um surreal sonho e a própria epifania. “Tem que cavar fundo para conseguir achar algo”, sobre o auto-conhecimento. São as ações que fazem o homem. “Ninguém pode fugir da própria história”. Ao descobrir quem é, ele volta e luta pelo intrínseco. Com trilha de Hans Zinner, faroeste de efeito e Los Lobos, a maestria transforma-se em permanente, proporcionando ao espectador uma experiência única e uma viagem existencial à definição das características naturais de cada um. É inevitável o confronto. Funciona como inicio de uma terapia interativa, divertida, inteligente, cáustica, desafiadora, aventureira, intuitiva e impostora. Concluindo, um filme que merece ser visto e revisto. Recomendo. É a primeira animação a ter efeitos especiais elaborados pela Industrial Light & Magic. Ned Beatty (Prefeito) baseou sua dublagem no personagem interpretado por John Huston em “Chinatown” (1974).

O Diretor

Gregor “Gore” Verbinski (16 de março de 1964) é um diretor de cinema e escritor norte-americano de origem polonesa. É conhecido por dirigir a trilogia Piratas do Caribe.

Filmografia

1996 – The Ritual
1997 – Um Ratinho Encrenqueiro
2001 – A Mexicana
2002 – The Time Machine
2002 – O Chamado
2003 – Piratas do Caribe: A maldição do Pérola Negra
2005 – O Sol de Cada Manhã
2006 – Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte
2007 – Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo
2011 – Rango
2011 – Clue

Johnny Deep e Rango

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