Ficha Técnica

Direção: Sam Taylor Wood
Roteiro: Matt Greenhalgh, baseado na história de Julia Baird
Elenco: Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas, Anne-Marie Duff, David Morrissey, Ophelia Lovibond, Sam Bell, Calum O’Toole, Jack McElhone
Fotografia: Seamus McGarvey
Trilha Sonora: Alison Goldfrapp, Will Gregory
Produção: Robert Bernstein, Kevin Loader, Douglas Rae
Distribuidora: Imagem Filmes
Duração: 98 minutos
País: Reino Unido, Canadá
Ano: 2009
COTAÇÃO: ENTRE O REGULAR E O BOM

A opinião

“O garoto de Liverpool” não é um filme dos Beatles, mas sobre a vida pessoal de um deles, Jonh Lennon. O longa ficcional da diretora, e também artista plástica, estreante, Sam Taylor Wood, aborda a adolescência e o inicio do interesse musical do protagonista. John é um adolescente inteligente e solitário que mora na Liverpool do pós-guerra. Abandonado aos cinco anos pela mãe, vive com a rígida tia Mimi e anseia para se libertar e ganhar o mundo. Um dia, sua agitada mãe retorna e estabelece de imediato uma forte ligação com o filho, entrando em certo atrito com Mimi. A válvula de escape do jovem John para as complicações familiares é sua grande paixão, a música. Descobrindo no amigo Paul McCartney uma forte sintonia, forma com ele uma banda de rock. Mas o seu passado não o abandona tão rápido, voltando a assombra-lo pouco depois. John Winston Lennon nasceu em 9 de outubro de 1940. Ele tinha 17 anos quando resolveu, no banheiro da escola, entre um cigarro e outro, convidar os amigos para formar uma banda. O nome escolhido foi The Quarrymen, uma homenagem à escola Quarry Bank School que estudavam. O longa retrata o inicio da banda até a suposta ida a Hamburgo, onde escolheu-se o nome Beatles, havendo divergências históricas do inventor. Um dos anteriores foi “Long John and The Beatles”. Outro era “The Beetles” como homenagem a Buddy Holly (mencionado no filme quando John coloca os óculos e diz “Estilo Buddy Holly) “The Crickets”. “John tivera a ideia de nos chamar de ‘The Beetles’; eu disse: ‘por que não Beatles?; você sabe, como a batida do tambor’”, disse Paul McCartney certa vez.

Em sua trajetória, passou por muitos papéis musicais: compositor, cantor, piano, guitarra, gaita, instrumentos de percussão, teclados (como clavioline, cravo, mellotron e órgão), baixo (ocasionalmente), violão, maracas, pandeiro. O longa inicia-se com um sonho do personagem sendo perseguidos por gritos histéricos de fãs (que não aparecem, apenas infere-se). O ritmo ágil direciona o espectador a um estilo comercial, parecendo uma produção feita para a televisão. A narrativa clássica, com inicio, meio e fim, intercalada por flashbacks, não oferece grandes surpresas, sendo, em alguns momentos, excessivamente melodramática. O ‘”porém” é a parte técnica, que se apresenta de forma competente e prazerosa, já que a diretora é uma artista plástica. A fotografia nostálgica e alaranjada utiliza a luz projetada a fim de criar a simetria das sombras e do que se deseja objetivar. A camera imprime elegância com seus enquadramentos estilizados e detalhistas. Quanto à interpretação, o roteiro prefere a linha teatral. Os personagens apresentam o artificialismo encenado, elemento este que atrapalha a história. Assim, o espectador não se convence do que assiste, por causa dos diálogos que transmitem a superficialidade, impedindo o aprofundamento da carga emocional. Mesmo com essa vertente escolhida, há satisfação pela escolha de atores conceituados, como Kristin Scott Thomas e Aaron Johnson (de “Kick Ass”), que “tiram leite de pedra” do roteiro. A música do filme não funciona. Não por ser ruim, pelo contrário, mas sim por embalar todo o tempo da duração. Dessa forma, deseja despertar a emoção, procurando as lágrimas de quem está do outro lado da cadeira do cinema.

Isso faz o efeito contrário, exasperando o clichê e o piegas. “Não John, não se desliga Tchaikovsky”, diz-se. É um filme lembrança (para o protagonista). Há simbolismos visuais. A cena do casaco vermelho contrastando com a paisagem cinzenta e o tom escuro das roupas. Os sonhos dele são instantes do futuro (do que deve ser explicado). O roteiro retrata a sua vida pelo o que John aprende sobre música. O espectador descobre que o ex-beatle não gostava de jazz, que se influenciou por Elvis Presley e seu rock-and-roll – assistindo “Ama-me com ternura”, que ouvia (Screaming) Jay Hawkin, cantando “Blue Moon”. E que usava disso para “pegar” garotas. “Por que Deus não me fez um Elvis?”, pergunta. “Porque estava te guardando para ser um John Lennon”, responde-se. A escola rígida, a tia intransigente, o tio permissionário, a mãe misteriosa – ora divertida, ora triste, ora impulsiva – o pai sumido. Comporta-se como transgressor de regras, um típico adolescente revoltado. O recurso de passagem de tempo quando está aprendendo a tocar banjo é batido e soa amador. Outro é contar algo escondido e a pessoa que não deve ouvir, espreita-se na fresta da escada. Ao se encaminhar o final, o melodrama aumenta, com a música rasgando o excesso do excesso do sentimentalismo. O espectador conhece também que a maioria das letras (escritas por John e musicadas por Paul) apresenta-se pessoal e autobiográfica. “Para o topo do topo”, dizia. Concluindo, um filme biografia que resolve não aprofundar sentimentos. Assim, pode-se absorver elementos espaçados, mas não contexto totalitário. Com a fotografia, camera, as músicas e algumas interpretações (a do Aaron) consegue-se sair do cinema satisfatoriamente, mas não plenamente. Indicado ao Bafta de Roteiro Original, Maquiagem, Efeitos Sonoros, Figurino, Trilha Sonora, Ator e Atriz Coadjuvante.

A Diretora

Nasceu em Londres em 1967, licenciou-se no Goldsmiths College e é membro do movimento “Young British Artists”. Foi nomeada para o Prêmio Turner (1998) e ganhou o Prêmio Especial para jovens Artistas da Bienal de Veneza (1997). Depois disto, fez várias exposições individuais e coletivas na Inglaterra, Estados Unidos, Austrália. Em 2008, realizou seu primeira curta-metragem Love You More, exibido no Festival de Cannes e nomeado para um BAFTA em 2009.

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