Ficha Técnica

Direção: Flávio Ramos Tambellini
Roteiro: Marcelo Rubens Paiva Colaboração:João Avelino e Bruno Mazzeo
Elenco: Marcelo Serrado, Fernanda de Freitas, Marjorie Estiano, Otavio Martins, Daniela Galli, Maria Manoella, Marcos Cesana
Fotografia: Gustavo Hadba
Montagem: Quito Ribeiro e Sérgio Mekler
Música: Dado Villa-Lobos
País: Brasil
Ano: 2010
Duração: 96 minutos

A opinião

“Hospital é bom para fazer pensar”, inicia-se com um uma cena intercalada da trama. O longa aborda os variados estágios do amor e a imaginação do que é verdade ou não em um relacionamento. Com humor leve e despretensioso, a trama segue o ritmo natural. Deixa-se acontecer, com uma atmosfera de nostalgia atemporal amorosa. “Curiosidade resiste a quatro encontros”, diz-se entre muitas percepções existenciais de quando se está junto com alguém. Sonha-se desejos não realizados com colagens de fotos. Os personagens dependem do amor de um pelo outro. Ele conhece o amor e tenta recomeçar, abrindo mão de encontros casuais (como um cafajeste, paulista, que deseja a mudança). Ela, misteriosa, descontraída, descolada e carioca, desperta nele a sensação da curiosidade. Há a simplicidade das ações banais e o que se faz por esse sentimento que arrebata o peito. O ciúme e a insegurança aparecem.

Assim, o equivoco da real situação torna-se presente. Entre Rio de Janeiro e São Paulo, eles precisam acostumar-se com a vida cotidiana. “Temia pelo futuro. Combustível: insegurança”, diz-se. As situações, aceitáveis por que realmente acontecem, são exageradas e em muitas vezes surreais, buscando o estapafúrdio. Os diálogos versam sobre a sinceridade sentimental de uma relação. A fotografia saturada e contrastada no brilho para criar a nuance de uma fantasia. “Exatamente como eu fazia”, diz-se quando percebe a repetição de uma ação não politicamente correta. É pop e moderno. Do ciúme ao descaso. Do descaso à defesa do não querer sofrer. E assim, o afastamento (distância) é inevitável. Há suspense que manipula o espectador, confundindo o caminho a seguir. Isso funciona. O que não funciona são quebras do ritmo da narrativa. Há altos e baixos, faltando equilíbrio. Alguns elementos da trama são despejados em tela, optando pela elipse, proposital, mas que desvirtua mais do que conecta. Concluindo, um filme que possui diálogos simples e realistas, que têm bons atores, mas que se perde no caminho pretendido, deslanchando-se para o obvio a fim de que o roteiro possa ter o seu término.

A Sinopse

Luiz Mario é um empresário da noite paulistana, bon vivant e mulherengo que coleciona casos amorosos. Até ser atropelado de bicicleta pela carioca Malu, na orla do Rio de Janeiro. O casal vive um romance perfeito, que é abalado com a descoberta de uma enigmática carta de amor. Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva.

O Diretor

Nasceu em São Paulo, em 1952. Sócio-fundador da Tambellini Filmes. Dirigiu os longas-metragens Bufo & Spallanzani (2001) e O Passageiro, Segredos de Adulto (2007), os documentários Visão do Paraíso – A Mata Atlântica vista por Tom Jobim (1989) e Paraty: Mistérios (1989), e o curta-metragem Tim Maia (1987).

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