Ficha Técnica

Direção: Xiaolu Guo
Roteiro: Xiaolu Guo
Elenco: Huang Lu, Wei Yi Bo, Geoffrey Hutchings, Chris Ryman
Fotografia: Zillah Bowes
Montagem: Andrew Bird
Música: John Parish
País: Reino Unido / China / França / Alemanha
Ano: 2009
Duração: 98min

A opinião

“Ela, a chinesa” tem a proposta de ser um filme alternativo. Busca elementos técnicos para o embasamento do argumento. Aborda o processo de crescimento de uma chinesa, Li Mei, que não sabe quem é, o que quer e nem onde chegar, escolhendo viver como uma flor de cerejeira que só dura uma noite. Ela experimenta a vida ao seu redor. “Pintando a unha, quem pensa que você é, precisa trabalhar”, diz a mãe. Alimenta-se da novidade, tendo a metáfora da comida como característica preponderante: toma sorvete, fuma, quer carne e canta no karaokê “Esta flor frágil quer sua companhia”. O inicio é o seu final, realizando uma prévia da própria trama. Tópicos escritos na tela explicam as cenas, manipulando o espectador, principalmente com a utilização da trilha sonora, que é excelente. Li Mei vive uma vida pobre e sonha com um futuro promissor. As figuras de linguagem são presentes. Referencia o metafísico quando diz “Estamos em abril, você em março”, sobre a ideia ultrapassada dele quando diz que é um homem.

O seu próprio caminho a conduz. É estuprada, envolve-se com indivíduos que vendem filmes piratas, recusa um casamento planejado pela mãe, muda de lugar, costura roupas para viver, é despedida, muda de lugar de novo, trabalha em um salão que não corta só cabelos, envolve-se com um homem que ganha a vida apanhando, muda de país, casa-se com um senhor idoso, apaixona-se por um indiano e termina a vida grávida. Porém o roteiro não funciona muito bem. Há o clichê de não querer ser pretensioso. Há a ingenuidade da crença de uma narrativa diferenciada, quando abusa da elipse dos acontecimentos, não que seja ruim, mas se apresenta de forma repetitiva e melodramática. A naturalidade das ações iniciais transforma-se em um jogo de tentativa e erro, que se perde, desperdiçando, com amadorismo, o possível potencial inicial do querer ser o que não se sabe. Se o roteiro objetiva ‘o estar perdido’, então alcançou o objetivo.

A Sinopse

A jovem chinesa Mei deixa a monotonia da sua vila natal em busca da agitação da cidade grande. Em Chongqing, arranja trabalho em uma fábrica, mas é demitida e vai trabalhar num salão de beleza. Lá, se apaixona por Spikey, assassino de aluguel assombrado por seus atos passados. Uma decisão casual leva Mei a Londres, onde se casa com um homem mais velho. Logo, no entanto, ela se sente entediada com a nova vida e inicia um caso com Rashid, imigrante indiano que trabalha em um restaurante. Os dois passam a viver nos fundos do estabelecimento. Leopardo de Ouro no Festival de Locarno 2009.

A Diretora

Nasceu em 1973, na China. Formou-se na Academia de Cinema de Pequim e estudou Direção na Escola Nacional de Cinema e Televisão na Inglaterra. Realizou seu primeiro longa-metragem em 2004, The Concrete Revolution. Em 2006, dirigiu Debaixo do Gelo a Água é Quente, exibido no Festival do Rio e Menção Especial no Festival de Rotterdam em 2007. Entre seus outros trabalhos está Fomos à Terra dos Sonhos (2008), também exibido no Festival do Rio.

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