Ficha Técnica

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro:Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Gisele Itié, Tom Berenger
Fotografia:Jeffrey L. Kimball
Música:Brian Tyler
Figurino:Lizz Wolf
Edição:Ken Blackwell e Paul Harb
Efeitos especiais:Sergio Farjalla Jr. e Andy Weder
Produção:Kevin King, Avi Lerner, Kevin King Templeton, John Thompson e Les Weldon
Estúdio:Millennium Films, Nu Image Films, Rogue Marble
Distribuidora:Lionsgate, California Filmes
Duração: 101 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2010

A opinião
Sylvestre Stallone está de volta dirigindo seu mais recente filme “Os Mercenários”, que é histórico por ter a inédita parceria entre Sly e seu ex-rival Arnold Schwarzenegger. O gênero continua sendo de ação. Tiros, perseguições, motos em alta velocidade, sequências impossíveis de serem feitos em um mundo real. Traduzindo é um filme de macho feito para macho nato, que brinca com a própria sexualidade já definida e não ameaçada. “Vocês não vão começar com a ‘viadagem’?”, em um misto de picardia característica desse meio de músculos, bíceps fortalecidos, não depilados, suor demasiado, marcas na pele, tatuagens, camisas abertas, correntes e anéis.

Aborda-se uma época datada, que não volta mais, mas tendo lutadores ferozes para a conservação e retorno do passado nostálgico. Enfim, todos os elementos estão presentes. O que o torna diferente, são os diálogos perspicazes, não pretensiosos, maduros e sóbrios. Eles não esperam nada. É um filme de amigos, que se utiliza da sacanagem controlada, todo tempo. Que se ajudam com filosofia barata do cotidiano, mas que se apresenta mais existencialista do que qualquer outra. Há sinceridade ao demonstrar sentimentos e diálogos politicamente corretos.

Um grupo de mercenários – composto por Barney Ross (Sylvester Stallone), Lee Christmas (Jason Statham), Yin Yang (Jet Li), Hale Caesar (Terry Crews), Toll Road (Randy Couture) e Gunnar Jensen (Dolph Lundgren) – é enviado para um país da América do Sul para derrubar um ditador. Logo após o começo da missão, o grupo descobre que a missão não é tão simples quanto parecia e, de repente, está no meio de uma perigosa conexão. Mickey Rourke (O Lutador), o lutador Randy Couture (Cinturão Vermelho), Gisele Itié e Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia) também fazem parte do elenco.
Já é considerado um filme polêmico. Há quem diga que a exibição precisa ser boicotada. Uma das razões, o discurso do diretor do filme sobre o Brasil ser um país que se pode fazer tudo e depois de tudo ainda ganha-se ‘macaquinhos’. Questionam-se se a produtora brasileira foi paga e que muitos Sly machucou o pescoço fazendo as cenas. Outro tópico é a parcialidade da violência, que é apresentada unilateralmente, tendo um grupo radical, que resgata reféns em situações limite, que é politicamente incorreto, sendo a solução da salvação dos problemas do mundo.

Portanto, esqueça a parte de ação. Concentre-se nas conversas debochadas, com o equilíbrio tênue entre realidade e obviedade. Há brincadeiras sobre o outro não saber geografia, sobre concorrer à política. “Ele quer ser Presidente”, diz-se. O grupo adora dinheiro, para poder vivenciar o próprio estilo de vida: mulheres, tintas para tatuagens, munição e armas poderosas. Como disse, um filme de macho com testosterona exacerbada. “Se o preço for bom, qualquer serviço”, confessa-se. O roteiro retrata egos defensivos, fazendo da briga a melhor terapia. “Se acalmou?”, pergunta-se retoricamente. “A vida o afetou e vai afetar todos nós”, diz-se aludindo sutilmente sobre a vida real dos atores que interpretam os papéis ficcionais.

Entre amores cafajestes, mais para expressar poder, com suas facas em alvos, e socos e pontapés para defender a honra da mulher amada, o filme direciona o espectador a um fim de uma era. É uma despedida. “Antigamente lutávamos por alguma coisa, agora, por nada, só pelo dinheiro”, diz-se em um misto de frustração e resignação por não mais possuir um lugar. São peixes fora d’água, vivendo estilos ultrapassados. “Não é fácil ser diferente”, diz-se.
As barreiras da ética e dos princípios são quebradas. “Ele é bom, mas emotivo”, diz-se sem o tom ingênuo e sarcástico de quem quer definir alguém. A camera participa, criando a metaliguagem. Interage ora como observadora, ora como incluindo o espectador no meio de uma explosão, ora como prisioneira, ora utilizando ultravioleta. Ela comporta-se de forma ágil e em estilo videoclipe, intrínseco neste tipo de gênero. Sombras e luzes também são recorrentes, em imagens não estáticas. “Não se mata família”, um diz. “Venha passar um tempo com a minha então”, outro alfineta.

“Balas são mais velozes que facas”, sobre a competição do conhecimento entre homens. “Não sou perfeito, mas valia a pena. Você deveria ter esperado”, confessa-se a sinceridade de um querer. São homens sensíveis, que buscam na força bruta a solução para mascarar os sentimentos massificados como de mulheres. A máxima “Homem não chora” pulula no longa. “Amigos morrem juntos”, diz-se. “Devemos lutar por algo”, finaliza-se.

Mesmo sendo um filme parcial, polêmico, filmado começaram em meados de 2009, com o elenco indo à Mangaratiba, interior do estado do Rio, e mesmo tendo ações impossíveis de serem realizadas no mundo real, o espectador consegue vivenciar uma experiência por causa dos diálogos que referenciam a filmes antigos e a acontecimentos. É uma despedida de um gênero que não cabe mais nas telas de cinema. Vale a pena ser visto porque por anos nós assistimos a esses filmes comerciais.
“Os mercenários” fornece a proeza de agregar quase todos os “fortões de aço”, que nunca morrem, em um único filme. Há Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Mickey Rourke, Forest Whitaker, a brasileira Gisele Itié, entre outros. São muitos conhecidos. Portanto, só a curiosidade já vale o ingresso. Não esqueça dos diálogos, que funcionam e participam como o ponto alto do filme.

O Diretor

Sylvester Gardenzio Stallone, também conhecido como Sly Stallone (Nova Iorque, 6 de julho de 1946), é um ator, diretor e roteirista americano. As marcas registradas dele são seus olhos caídos, sua voz rouca, sua boca parcialmente paralisada. Tudo isso sendo resultado pela danificação de um nervo facial, atingido pelo fórceps durante o parto. Essas anormalidades, unidas ao seu nome, fizeram com que tivesse algumas dificuldades durante sua infância em Nova Iorque. Sly foi expulso de quatorze escolas na sua infância, devido ao mau comportamento. Quando tinha quinze anos, ele finalmente chegou a Devereaux Manor, uma escola particular para jovens problemáticos em Berwyn, na Pensilvânia. Seu fraco desempenho na vida acadêmica lhe deixou poucas opções de faculdade. Muito jovem para se alistar na Marinha, Stallone entrou numa escola de beleza, onde tempos depois descobriu que tinha poucas habilidades para o ofício. Conseguiu uma bolsa de estudos para um colégio americano na Suíça, onde pagava suas aulas de arte dramática ensinando educação física a garotas. Voltou aos Estados Unidos e entrou no departamento de artes dramáticas da Universidade de Miami. Seus professores tentaram desencorajá-lo da carreira de ator e pouco antes de se formar, Stallone desistiu e foi para Nova Iorque. Sua mãe havia previsto, baseada em cálculos astrológicos, que iria batalhar muito por sete anos e que, depois, ele faria sucesso como roteirista.
Stallone teve a idéia de um roteiro e levou somente três dias para escrever a história do boxeador Rocky Balboa. Diversos produtores se interessaram pela história, mas relutavam em aceitar Stallone no papel principal (eles estavam tentando contratar Ryan O’Neal). Sly conseguiu o que queria e Rocky foi filmado com poucas verbas em menos de um mês. O filme foi o grande sucesso de 1976, fazendo mais de 225 milhões de dólares de bilheteria e ganhando os prêmios Oscar de melhor filme e direção, com indicações de ator e roteiro para Stallone. Atuou como um bandido de metrô em Bananas, de Woody Allen, no ano de (1971). A carreira de Stallone começou com uma atuação em um filme pornô softcore, Party at Kitty and Stud’s. O filme era originalmente hardcore, mas a segunda versão da fita foi censurada, fazendo com que a cena fosse cortada assim que houvesse alguma ação hardcore. Tempos depois, quando Stallone já estava consagrado, trocou-se o nome do filme para “O Garanhão Italiano”. Stallone também dirigiu e ajudou a escrever vários outros filmes, tais como: Tango e Cash, e Os Embalos de Sábado Continuam.

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