Ficha Técnica

Direção: Shana Feste
Roteiro: Shana Feste
Fotografia: John Bailey
Trilha Sonora: Christophe Beck
Elenco: Aaron Johnson, Carey Mulligan, Susan Sarandon, Pierce Brosnan
Produção: Pierce Brosnan, Anthony Callie, Doug Dey, Ron Hartenbaum, Aaron Kaufman, Douglas Kuber
Distribuidora: PlayArte
Duração: 99 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2009
COTAÇÃO: REGULAR

A opinião

A morte do filho adolescente Bennett, num acidente de carro, é quase demais para a família Brewer suportar. Não apenas porque ele tinha uma vida promissora, mas também porque o impacto de sua morte desencadeia uma série de tumultos em suas vidas. Sua mãe fica obcecada e não pode deixá-lo ir; seu pai não consegue encarar a situação; e a posição de segundo lugar de seu irmão é ampliada. E quando a namorada de Bennet aparece, a família tem que lidar com circunstâncias que complicam ainda mais sua perda.

Mais do que um filme sobre perdas, é o recomeço de uma vida. As ações são diretas e realistas. Inicia-se com um casal adolescente descobrindo o sexo. Ela, do filme “Educação”, ele, de “Kick-ass”. A narrativa não se completa. Deixa-se aberto as passagens para novas cenas. Desperta no espectador a inferência e a ligação entre os pontos. Uma reviravolta, crua, seca, sem esperar, acontece e muda o rumo dos acontecimentos.

Estreia de Shana Fest na direção, o longa apresenta toda a dramaticidade da vida dos que ficaram, relembrando ou tentando esquecer quem se foi. Há sutileza no aprofundamento, conservando a etiqueta de quanto se pode sofrer. Há medidas. Um sofrimento resignado, politicamente correto, socialmente. A música não interfere, complementa sem ser piegas. A camera e seus enquadramentos inovam, fornecendo tempo, espera e planos longos.

Os diálogos dentro de uma trama não linear de apresentação dos problemas de seus personagens confundem o espectador e gera um estágio superficial de convivência. Aparece a namorada, grávida, do jovem falecido. Os pais do garoto a recebem. Há dissabores, defesas e brigas. “Sou aquela que ele engravidou”, diz. A trama se torna fácil para os personagens. Tudo se resolve muito rápido sem problemas maiores. A grávida, interpretada por Carey Mulligan, está competente, sem muitos exageros caricatos. Ela lembra muito o filme “Juno”, mas sem humor e sem picardia. Já por outro lado, a personagem da Susan Sarandon está contida e teatral.

Eles, juntos, relembram momentos da vida de Bennet. Esses momentos são flashbacks de lembranças, com que mostra o que antes era surpresa ao espectador. A namorada faz um livro do bebê. Lá coloca informações do pai que ela ainda não conhecia. Antes, a falta de entrosamento da família impedia o conhecimento sobre seus membros e seus assuntos.

Há momentos que apelam para a aceitação do espectador. A cena na prisão, que a mãe tenta recriar os últimos 17 minutos da vida de seu filho. Já a cena do carro, com todos, é boba e desnecessária.

“Tire férias de toda essa morte”, explode-se o sofrimento guardado. O grau de depressão aumenta, afundando os seus personagens. As ações radicais e passionais aparecem na narrativa lenta, dando ênfase ao interno dos que estão na tela. Cada um tenta salvar-se, direcionar o sofrimento, lamentar-se com a omissão. “Eles autografaram minha barriga. Foi divertido na hora”, diz a adolescente. “Mais fácil sentir dor física que emocional”, finaliza uma médica.

O final apela. Resolvem-se todos os conflitos em um piscar de olhos. Todos devem ser felizes e logo. Portanto corre com a trama e atrapalha a evolução. O filme merece ser visto pelo início. Interessante e com inovação em algumas partes, mas não segura o tempo de quem assiste.

A Diretora

Shana Feste nasceu em 28 de agosto 1976, Los Angeles, California, Estados Unidos. “Love Don’t Let Me Down” (2010) está em pós-produção. “Em busca de uma nova chance” é o seu primeiro longa.

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