Ficha Técnica

Diretor: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Julian Fellowes
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friends, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent, Thomas Kretschmann, Mark Strong, Jesper Christensen, Harriet Walter, Jeanette Hain, Julian Glover, Michael Maloney, Michiel Huisman, Genevieve O Reilly, Rachael Stirling
Fotografia: Hagen Bogdanski
Trilha Sonora: Ilan Eshkeri
Produção: Martin Scorsese, Graham King, Tim Headington, Sarah Ferguson
Distribuidora: Europa Filmes
Estúdio: GK Films
Duração: 100 minutos
País: Reino Unido/ Estados Unidos
Ano: 2009
COTAÇÃO: REGULAR

A opinião

“Alguns palácios são como uma prisão”, explicita o caminho questionador que o diretor (do excelente “C.R.A.Z.Y”) resolveu fornecer ao filme, que aborda os primeiros anos de reinado da rainha Victoria (Emily Blunt, de “O Diabo veste Prada”, cada vestido que a atriz usou foram assegurados por 10 mil), do Reino Unido, e seu romance com o príncipe Albert.

O melodrama é característica escolhida, com recorrentes elementos de foco e desfoque, demonstrando uma excelente parte técnica, com sua luz incidental, preferindo o detalhe real que se deseja mostrar. Há imagens rápidas em videoclipes, que realizam a transição entre mudanças de tempo. Os efeitos, de flutuação real da personagem, com o público ao redor fora de foco, são extremamente interessantes.

A narração sentimental, acompanhada de músicas também emocionais, busca ser novela, com ritmo folhetinesco e artificialidade nos diálogos. Há óbvios e clichês. Como a cena em que escreve uma carta, amassa o papel e o joga no chão. A produção é de Martin Scorsese e Sarah Ferguson, que é tataraneta da rainha Victoria.

A aristocracia está presente, com seus gostos, manias e cuidados. A personagem principal sente-se cansada de tantas regras e burocracias sociais e prefere ouvir a ópera Il Puritani, contrastando com o que se apresenta em sua vida. Ela, revoltada, rebelde e irônica, dentro do que se é aceito de politicamente incorreto da época, recorre as mesmas manipulações e hipocrisias para chegar ao que se deseja. “Família, o que faríamos sem ela”, diz-se sarcasticamente sobre as discussões entre membros da realeza.

O Palácio de Buckingham tornou-se a residência oficial da monarquia com a ascensão da Rainha Vitória em 1837. As reformas mais significativas foram feitas na Era Vitoriana, com a adição de uma grande ala em direção a Leste e com a remoção de antigas entradas. A fachada Leste foi refeita em 1913 junto ao Memorial de Vitória, criando a atual fachada pública do palácio, incluindo o famoso balcão. Vitória reinou por mais tempo. Foram 64 anos. O seu governo era sinônimo de pontualidade e sofisticação, isso se deve ao fato da soberana ter influenciado o estilo de vida e comportamento dos ingleses.Vitória após ser coroada passou a ser o centro das atenções, embora não fosse dotada de beleza física, ela estava sempre bem-humorada e preocupada com a exatidão e a regularidade das horas de trabalho. Logo manifestou interesse em seu primo Albert de Saxe-Coburg.

A união com Albert fez com que a rainha se preocupasse com as questões que antes não a importava como, a política. A rainha percebeu que o país não poderia se manter isolado em suas fronteiras, que deveria ampliar seus horizontes. Diversos países europeus passaram a sofrer com a febre expansionista, porém, nenhum deles aumentou seus domínios territoriais como a Inglaterra da rainha Vitória.”Políticos passam, você (Victória) fica”, diz-se sobre as tentativas de manipular a juventude, a inocência e a inexperiente jovem rainha. “Precisa dominar as regras do jogo, para que se possa jogar melhor do que eles”, sentencia-se entre flashbacks de resumo da própria história. “Sou mais forte do que pensa”, ela diz. O jogo de interesses é inerência da política. Cada um busca o seu próprio objetivo. “Está confundindo teimosia com força”, aconselha-se.

“Se eu cometer erros, serão meus erros. Meu lugar não será usurpado”, ela diz em um forte momento do longa. A história prende o espectador, principalmente quando um elemento fisico é apresentado: o iô-iô. Mas a música sentimental e a falta de silêncio mitigam o aprofundamento, o deixando raso e teatralizado. A música do final, cantada por Sinead O´Connor, externaliza o desejo do prêmio Oscar. Muitas das cenas interiores foram filmadas em no castelo Belvoir, em Leicestershire. A cama usada para a cena da lua-de-mel foi usada pela prórpria rainha Victoria quando ela visitou o castelo em 1843. Venceu o Oscar de Melhor Figurino (Sandy Powell). O filme conseguiu o objetivo. Mas não desponta.

O Diretor

Jean-Marc Valleé é um diretor e roteirista de Quebec, nascido em 09 de marco 1963 no Canadá. Ele fez “Lista negra” em 1995, que foi bem sucedido e atraiu atenção dos estúdios de Hollywood. Realizou “CRAZY”, após 10 anos de esforço. Em 2009, dirigiu o filme britânico The Young Victoria, que narra a juventude da rainha Vitória.

Filmografia

1992 – Estereótipos
1995 – Blacklist
1997 – Los Locos
1998 – Magic Words
1999 – Loser Love
2005 – CRAZY
2009 – A Jovem Rainha Vitória

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados