“Tudo que não invento é falso. Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira” – Manoel de Barros.

Em maio de 2009 a cidade do Rio de Janeiro ganhou sua primeira festa literária nas ruas do bairro de Santa Teresa, produzida e realizada pelo Centro Educacional Anísio Teixeira – CEAT, com apoio de algumas instituições, inclusive a Secretaria Municipal de Cultura.

Em 2010, a Festa Literária de Santa Teresa – FLIST teve sua reedição nos dias 15 e 16 de maio. O sucesso da primeira edição foi enorme, o que estimulou a ampliação da duração da festa, passando a acontecer em dois dias, sábado e domingo.

Essa festa literária é pública, já que todas as atividades realizadas são gratuitas e abertas à comunidade em geral é uma ação que fortalece o papel do CEAT como uma instituição que assume a sua função social e educacional de promover a leitura, não só dentro dos muros da escola, mas ajudando a construir uma cidade leitora. Santa Teresa tem uma comunidade que acolhe eventos culturais, pois eles fizeram e fazem parte de sua história. As atividades aconteceram em diversos pontos no bairro, tendo o Parque das Ruínas como o espaço principal.

No ano de 2010, o homenageado da FLIST foi Manoel de Barros, poeta, nascido em Cuiabá.

Os alunos do Segundo ano do CEAT deram contribuições para enriquecimento da obra do poeta.

Letícia Felipe “poetizou” o que é CINEMA

Cinema lembra
pipoca, coca-cola
guaraná, filmes de comédia
etes atacando mundo,
doces, aventuras
e também o frio que vem
do ar condicionado.

Ryan e Ana Fernandes, suas visões para IMAGENS

São figuras que
as pessoas podem encontrar
em qualquer lugar.
Na natureza.
Nos computadores.
nas TVs
na harmonia, na paz, no amor,
na felicidade, na ecologia
e na arte.

O evento buscou a simplicidade do poeta, com sua ingenuidade sincera de criança. O final de semana foi poético. Vista de Santa Tereza e clima com sol de outuno, que proporciou um mergulho ainda maior no universo literário. Café da manhã, mesa em homenagem ao poeta, oficinas que explicavam a arte de contar histórias, curtas, teatro, conversa com outros escritores, rodas de samba, troca-troca de livros, metaficções, sarau literomusical, poemas musicados, livros, almoço, cinema, Noel Rosa, Tapetes Contadores, poesia contemporânea, Mulheres de Chico (que interpretaram Chico Buarque e declamaram o homenageado). Teve tudo. De maneira bem simples. Engraçado como a simplicidade é algo extremamente complexo. Ao lado, carta ao poeta e resposta do mesmo.

O Vertentes do Cinema focou em nas atividades de cinema. Uma oficina para maiores de 12 anos, ministrada por Anna Rosaura, participa do projeto CINEDUC, Cinema e Educação, que objetiva fornecer conhecimento sobre a “pré-história do cinema”. “Não ver somente, mas fazer de forma despretensiosa. Despertar o gosto e mostrar a mágica do cinema”, diz sobre as experiências óticas, tendo como trilha sonora jazz e samba clássico.

O Cineduc (Cinema e Educação) é um projeto de educação do olhar das crianças e jovens para a magia do cinema, que já tem 41 anos, e é filiado ao Centre Internacional du Film pour l`Enfance et la Jeunesse, órgão ligado à Unesco com sede em Montreal. Com a ajuda dos brinquedos óticos, a oficina mostra os princípios da física e as técnicas envolvidas no início do cinema.

Caixa Preta

Uma caixa de sapato. Um furo de uma agulha. Papel de seda, um pano preto. Pronto, um cinema com imagens de cabeça para baixo. A luz que entra mostra o que acontece fora.


Taumatroscópio

Foi um dos mais antigos e populares brinquedos de animação. Não se sabe ao certo quando ele foi inventado, mas alguns historiadores acreditam que tenha sido no início do século XIX. Ele consiste num pequeno disco preso a dois cordões em lados opostos. Há persistência na retina. Em cada uma das faces do disco existe uma imagem diferente. Quando o disco é girado pelas mãos do espectador, em fraços de segundos, as duas imagens se fundem em uma única.

Flip Book

É uma coleção de imagens organizadas seqüencialmente, em geral no formato de um livreto para ser folheado dando impressão de movimento, criando uma seqüência animada sem a ajuda de uma máquina.

Fenaquitoscópio

Inventado por Joseph-Antoine Ferdinand Plateau, físico belga, o instrumento cria um espaço na visão do que se viu. “Faz o efeito de que o olho está piscando”, diz uma criança. Isso mesmo, o mesmo processo do Estroboscópico. Esse aparelho consiste em um único disco, com frestas intercaladas entre as imagens. O espectador posiciona o disco em frente a um espelho. Ao girá-lo, assiste à animação no espelho pelas frestas do disco.

Zootrópico

O zootrópio ou roda-da-vida foi criado em torno de 1834 pelo relojoeiro inglês William Horner. Trata-se de um tambor giratório com frestas em toda a sua circunferência. Em seu interior, montavam-se sequências de imagens produzidas em tiras de papel, de modo que cada imagem estivesse posicionada do lado oposto a uma fresta. Ao girar o tambor, olhando através das aberturas, assiste-se ao movimento.


As crianças demonstram uma felicidade desmedida, que não cabe no peito, que faz transbordar. O excesso contagia os pais e passantes, os deixando com a sensação melancólica da infância. Podendo, reviver a ingenuidade perdida. A foto ao lado: mamãe Marta com pequenino Thales aprontando e transbordando alegria.


Documentário sobre a desbiografia de Manoel de Barros, o poeta das coisas simples. Ele dá a real importância à palavra, não apenas usando letras, mas concretizando com a escrita os elementos do sentir.
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