CINEMA: ESPAÇO DE REFLEXÃO SOCIAL: Um breve Panamora da Malásia e do Brasil

Filmes realizados pela nova geração como espaço de reflexão, que perpassam questões soci-políticas dos seus países e a pluralidade cultural destes.

Participantes: Anna Azevedo, Luis Carlos Nascimento, Patrícia Rebello (mediadora), Amir Azevedo e Woo Ming Jin, Marcos Silva (tradutor)

Patrícia Rebello apresenta-se como mediadora do debate e diz que o cinema da Malásia (cinema asiático) é o novo aporte da tecnologia digital. Generosidade pelo mundo e pelas pessoas.

Woo Ming Jin: Estudei Administração / Negócios em Nova Iorque. Não foi fácil, sou de origem chinesa. Buscava estágios na área do audiovisual. Retornei a Malásia. Desde os 13 anos era cinema que queria fazer. Sou o único na Malásia com especialização em filmes. Fiz o primeiro filme do Amir. Trabalhei de graça. Meu primeiro festival foi o de São Francisco. Não faço mais nada além de cinema. Vivo do cinema em tempo integral.

Amir: Estudei Direito. Fiz cinema por tédio. Fui para a Inglaterra. Não era muito comum para uma criança o cinema na Malásia. Vi os clássicos, retornei a Malásia como um realizador de cinema. Fui a Nova Iorque e fiz curso de cinema. Em 2000 sem permissão, exibi sem autorização da censura. O inicio é muito frustrante. Fiquei com raiva por algumas semanas por meu filme ter sido banido. Eu não me importo mais. Resolvi me orgulhar. Os jornais fizeram uma campanha contra. Alegaram propaganda comunista. Posso ser preso a qualquer momento.

Luis Carlos Nascimento: O Cinema Nosso é uma experiência a jovens. Não estudei cinema. O acaso me levou. Era militante político envolvido com samba. Depois abandonando a política fui levado ao teatro (de rua). Participei de “Cidade de Deus”. Meu primeiro filme foi em 16mm. Recém expulso da Fundição Progresso, com um grupo de crianças envolvidas no processo e a Tv Zero, fui para uma casa em Botafogo. Tudo informal. Ninguém era profissional. Um maior número de pessoas foi sendo incluída e crescendo. Divido a minha carreira em filmes institucionais sobre direitos humanos que fiz para ganhar dinheiro. Primeiro longa depois de quatro anos. Co produção com Portugal.

Anna: Formei-me em jornalismo e letras. Estudava roteiro na faculdade. Fiz vários cursos. Trabalho há dez anos como roteirista e com documentário. Fiz a oficina de roteiro com Ruy Guerra. Ele disse “Você vai dirigir. Seu roteiro é de quem quer dirigir”. Em Rio de Jano, o que era uma brincadeira entre amigos, fez com que eu virasse diretora. Tinha medo do set. Depois do meu segundo filme o medo passou. Não me vejo dirigindo ficção. Documentário me interessa. Lidar com pessoas. Gosto de quebrar os limites do documentário, cutucar a linguagem. Olhar o assunto de outra maneira. Todos os meus docs têm roteiros. Dirigi sete filmes. O próximo filme “Geral” vai para o Festival de Recife e do Canadá.

Amir: Documentário é muito chato. A maioria dos que vi são de propaganda política. Vi um australiano e achei muito engraçado. É a criação da realidade. Muitas vezes ofensivo. Pretende-se ser invisível. Parafraseando “Todo documentário é ficção. E toda ficção é baseada na realidade”. Docs malaios são para a televisão. De direita ou de esquerda. Ouvi de um diretor “Se o diretor diz que é um doc, então é um doc”.

Luis: Quando se liga a camera, as pessoas mudam e vive-se outra coisa. Eu concordo com Amir.

Anna: Você acha doc chato?

Amir: Para mim é um popular apelo da massa. Eu comparo o doc a um prato de cereal sem açúcar. Bom para saúde, mas sem sabor. Herzog disse “Nossa, agora doc vem de toda parte”, sobre o meu filme malaio. Em Yamata, Festival do Japão, foi onde começou a conhecer a teoria sobre doc.

Anna: Adaptação? Meu segundo bloqueio: virar uma diretora de ficção. Lidar com egos. Não gosto do set. Muito ego para controlar. Não estou preparando uma ficção. No meu doc, nada é verdade. Toda a historia é ficcional.

Amir: Encorajo as pessoas a fazerem filmes. A realizar novos formatos. Nada tão consistente como o Cinema Nosso. São projetos de Ongs.

Luis: Cinema Nosso tenta democratizar a linguagem e não formar profissional. Dialoga no mercado. Tentar um intercâmbio com jovens parecidos como os nossos na Índia. O mercado não reconhece o nosso trabalho. Ideia utópica de abrir um mercado. Com estudante gerando esse produto. Ansiedade maior é a necessidade dos filmes serem vistos. Alunos nossos melhoraram no vestibular. 7o lugar na UFF para Cinema é da gente.

Amir: Não defendo o Apartheid, mas coloco o porquê de ser aceito. O foco não esta mais na etnia, mas no social. Tem filmes na Malásia que tentam imitar Cidade de Deus. Os ‘cds’ e os ‘dvds’ são inflacionados. Sem o selo da censura já é pirataria. Utilizo a venda por shop on line. O download é quase o mesmo preço do pirata. Vende em pequenas lojas da Malásia. Vendo entre 4 mil e 5 mil. Atinjo meu publico.

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